A missão é conectar o conhecimento acadêmico e científico, aliado às melhores tecnologias e formas de gestão
Por Luiz Fernando Schettino
A extensão rural no Brasil tem uma história rica e evolutiva, começando a ser
estruturada efetivamente com a criação da Associação de Crédito e Assistência
Rural (ACAR), em Minas Gerais, em 1948¹. Desde então, a extensão rural tem
sido fundamental no desenvolvimento agropecuário e na melhoria da qualidade
de vida no campo no País.
A missão da extensão rural é conectar o conhecimento acadêmico e científico e aliado as melhores tecnologias e formas de gestão aos agricultores, levando-lhes informações e orientações fundamentais para uma produção cada vez mais sustentável, saudável e viável socioeconomicamente.
Na atualidade, porém, há novas exigências da sociedade por práticas que
respeitem a saúde dos trabalhadores e da população, produção de alimentos
com mais qualidade e saudáveis, cuidados com o meio ambiente e menores
emissões de carbono, em face das mudanças climáticas. O que impõem a
necessidade de práticas mais efetivas nessas direções, ou seja: que produzam
alimentos saudáveis, mas que preservem os recursos naturais, melhorem a
saúde dos solos, não contamine as águas, inclua, respeite e proteja as pessoas
e reduza as emissões de carbono.
Para isso, a nova extensão rural deve incorporar tecnologias verdes e práticas regenerativas. Ou seja, intensificar métodos como a rotação de culturas, adubação verde, recuperação de áreas degradadas, racionalidade no uso das águas, focar mais na questão estratégica, comercialização e de gestão do negócio rural, com base na legislação vigente e
um trabalho muito forte de orientação (e fiscalização por quem de direito) sobre
agroquímicos.
Algumas dessas questões elencadas têm deixado a desejar pela extensão rural
a atual, mesmo como muitos trabalhos sendo feitos. O que, com certeza, leva a
impactos socioambientais desnecessários; e, no caso de uso indevido de
agroquímicos, muitas pessoas tendo problemas de saúde e muitas vezes
graves, por falta de uma orientação adequada (e de uma fiscalização adequada
também, por quem, de direito).
Ainda nessa linha é fundamental que se trabalhe intensivamente e
constantemente pela manutenção da cobertura florestal nativa prevista
legalmente em cada imóvel rural, realização do manejo sustentável dos solos e
gestão adequada dos recursos hídricos. Aspectos essenciais para uma
produção rural sustentável e economicamente viável. Ressalta-se que isto,
apesar de previsto na maioria das ações e políticas públicas de extensão rural,
nem sempre na prática assim está ocorrendo efetivamente, mas que deveriam
ocorrer!
Além disso, em face da necessidade da transição energética, a extensão rural
deve ajudar a incentivar o uso de energias renováveis, como painéis solares e
biogás no meio rural, ajudando a criar mecanismos e meios fiscais, creditícios e
outros, para ajudar o negócio rural a reduzir a dependência de combustíveis
fósseis, ajudar no combate ao aquecimento global e permitir uma produção com
menores custos também.
Desse modo, entre outras ações, a nova extensão rural precisa ficar atenta e
focar onde haja necessidade de capacitação sobre práticas de gestão,
comercialização e sustentáveis, com foco nas determinações legais, novos
conhecimentos e tecnologias emergentes, instrumentos que se fazem cada vez
mais necessários para uma produção rural sustentável, inclusiva e
socioeconomicamente viável.
Luiz Fernando Schettino é engenheiro florestal, mestre e doutor em Ciência Florestal, advogado, escritor e ex-secretário Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

