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Temer é acusado de negociar doação em troca de favorecimento

Delator afirma que presidente participou de reunião em que foram acordadas doações à campanha do PMDB em 2010 em troca do favorecimento da Oderbrecht. 

Em delação premiada, o executivo Márcio Faria, relatou a investigadores da Operação Lava Jato que o presidente da República Michel Temer participou de uma reunião em que teriam ficado acordadas doações à campanha do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), em 2010, para receber em troca favorecimento da Oderbrecht em projetos da Petrobras. Faria, que á época do fato ocupava o cargo de presidente da empreiteira, contou que as doações ao PMDB estariam relacionadas a benefícios para a Odebrecht em obras do Plano de ação de Certificação em Segurança, Meio Ambiente e Saúde (PAC SMS), da Petrobras.

Segundo o Palácio do Planalto, Cunha teria pedido a conversa a Temer, afirmando que Faria queria conhecê-lo. A assessoria da presidência noticiou que a reunião, de cerca de 20 minutos, teria tratado apenas de formalidades, e não de questões financeiras. Também teria participado do encontro João Augusto Henriques, apontado como um dos lobistas do PMDB na Petrobras. Ele já afirmou que um contrato de quase US$ 1 bilhão entre a Petrobras e a Odebrecht foi fechado às vésperas do segundo turno das eleições de 2010.

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Temer é acusado de negociar doação em troca de favorecimentoEx-presidente da Oderbrecht Márcio Faria integra o grupo de 77 funcionários da empreiteira que fechou acordo de delação premiada.  

Essa é a segunda vez que o presidente da República é citado no âmbito da Lava Jato. Na semana passada, o ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, afirmou que Temer pediu, em 2014, R$ 10 milhões ao herdeiro da construtora, Marcelo Odebrecht. Melo Filho contou que esteve presente em um jantar, em maio de 2014, ao lado de Temer (que à época era vice-presidente), Eliseu Padilha e Marcelo Odebrecht no Palácio do Jaburu, em Brasília. Na reunião, o peemedebista teria solicitado “direta e pessoalmente” a Odebrecht um apoio financeiro para as campanhas eleitorais de seu partido naquele ano.

O assessor do presidente Michel Temer, José Yunes, pediu demissão do cargo na última quarta-feira (14) após ser acusado por Melo Filho de receber propina em 2014. Yunes entregou sua carta de demissão ao presidente, mas negou ter recebido recursos da empreiteira. Segundo o delator, Yunes teria recebido em seu escritório em São Paulo cerca de R$ 10 milhões repassados ao PMDB, durante a campanha eleitoral presidencial de 2014. 

Em sua carta de demissão, Yunes afirma que não conhece Cláudio Melo Filho e que as afirmações são “fantasiosas”. “A decisão de se demitir foi tomada para preservar minha dignidade e manter acesa a chama cívica que me faz acreditar no imensos potenciais de meu País”, escreveu. Com a saída de Yunes, Temer perde mais um homem de sua confiança no Planalto, após a recente saída de Geddel Vieira Lima, envolvido no escândalo de tentativa de favorecimento próprio com a liberação da obra de um prédio em Salvador, paralisada pelo Iphan. 

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