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A participação dos avós na construção do caráter dos netos

Aos avós, não lhes é atribuído mais esta demanda de educar, impor limites e possibilitar a construção da personalidade 

Nesta quarta-feira (26) é comemorado o Dia dos Avós, aqueles que têm sabedoria e ensinam o que não é aprendido na escola. Porém, não menos importantes, estes ensinamentos são fundamentais na construção e formação do caráter dos netos.

Mas, por outro lado, há o velho ditado que diz: “os avós estragam os netos”. De acordo com o psicólogo e Gestalt-terapeuta Enéas Lara, se para os pais existe a função de educar, dar limites e possibilitar a construção da personalidade e caráter de um filho, aos avós, não lhes é atribuído mais esta demanda.

“Eles já fizeram seus serviços com os filhos e agora, podem, apenas, observar. Hoje em dia, não são sempre bem-vindos ao interferir na educação. Se forem chamados a expressar suas opiniões, muito bem; caso contrário, não serão bem acolhidos. Às vezes, são até tidos como retrógrados e descontextualizados da realidade social de seus netos. Normalmente, cabe aos avós outra função, a de amar, acolher e dar suporte”, destacou o especialista.

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Lara ressalta que os pais que precisam da participação dos avós, acabam aceitando mais a interferência deles. “Muitos casais precisam da ajuda dos pais para pegarem seus filhos na escola, ficar com eles enquanto trabalham e, por isso, confiam plenamente na relação de amor que os avós dedicam aos netos”, ressaltou.

Não é difícil encontrar netos que são extremamente ligados aos vós, muitas vezes sem nem mesmo residirem na mesma casa. De acordo com o psicólogo, muitos fatores podem ajudar a construir esta admiração. “Ela costuma acontecer quando os avós acolhem o neto, expressam delicadeza no olhar e ternura nas ações. Ninguém quer ser mal tratado e não admiramos quem nos trata assim. Quando os avós funcionam com suporte, literalmente colocam os netos no colo e, por consequência, são vistos como doces, sábios, pacientes, admiráveis e desejáveis”, enfatizou Lara.

Segundo o psicólogo, hoje há muitas diferenças em relação aos avós de antigamente, sendo que atualmente eles participam na educação dos netos, inclusive financeiramente. “Muitos deles contribuem, com sua renda, para ajudar em festas de aniversário, já que elas deixaram de ser uma data para ter um simples bolo sobre a mesa e comemorar a vida.

Como a sociedade do espetáculo investe pesado em momentos festivos, com particularidades que acabam pesando o bolso dos pais, então, muitos avós acabam participando. Há avós que ajudam até no financiamento da educação e em viagens de lazer. Isso depende do que os avós consideram como um valor necessário e se, também, possuem condição financeira”, pontuou.

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Por que comemoramos o Dia dos Avós em 26 de julho?

A relação da comemoração da data está pautada no Cristianismo. Nela, a Igreja comemora o dia de Sant’Ana e São Joaquim. Esses foram os pais de Maria e, portanto, avós de Jesus Cristo. O Papa Paulo VI, depois de alguns ajustes, associou nesta data, a celebração dos pais de Nossa Senhora.

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