Nas últimas semanas, registros de festas e aglomerações por parte de alguns capixabas têm sido comuns. É um claro sinal de desrespeito ao atual cenário pandêmico no Espírito Santo.
Por Munik Vieira
Enquanto parte da população respeita o vírus e faz o possível para manter o isolamento social, outra parcela quebra regras e aglomera. Isso expõe cada vez mais pessoas ao contágio da doença.
No último final de semana, a Prefeitura de Vitória interrompeu 14 eventos na capital, entre eles a aglomeração em uma casa de shows realizada no sábado (12). Em vídeos compartilhados pelas redes sociais é possível ver milhares de pessoas sem máscaras, aglomeradas e sem respeitar as medidas contra a covid-19. As imagens viralizaram após o humorista Rafinha Bastos criticar e expor a “festança” nas redes sociais.

“Gostaria de convidar todos os amigos para correr agora para a Praia do Canto, em Vitória, direto para esta balada, que é um lugar no Brasil onde não existe coronavírus. Vamos todos para lá agora, Brasil”, ironizou Rafinha.
Promover reuniões e festas descumprindo as normas de saúde, além da falta do uso de máscaras, pode fortalecer ainda mais pandemia do novo coronavírus. Para a pneumologista capixaba Ciléa Martins, que segue na linha de frente de combate à doença no Estado, o sentimento diante desse tipo de comportamento é de muita tristeza.
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“Temos que ter solidariedade. Estamos vivendo um momento triste. Já perdi amigos, parentes e incontáveis pacientes. Fico extremamente triste em ver que muitos desobedecem regras que são temporárias. Imagina você saber que é responsável pela morte de um amigo, colega, parente? Infelizmente, o que vimos é desrespeito às normas e ao ser humano”, destaca Ciléa.
Diariamente, a população é bombardeada pelos noticiários sobre a pandemia. Para a especialista, não é possível pensar que faltam informações sobre os cuidados para evitar o contágio da covid-19.
“Mídia, médicos e autoridades estão focados em repassar as informações. Infelizmente, o que falta a essa parcela da população é educação e respeito. Em uma sociedade onde existem problemas sociais, de alimentação, educação e saúde, fica difícil orientar e provar que a doença existe e pode matar. As informações são claras, porém, muitos não dão o devido valor, a não ser quem sofreu diretamente com a doença”, afirma Ciléa.
De acordo com o Painel Covid-19, o Espírito Santo tem quase 500 mil casos confirmados da doença, e 11,1 mil mortes registradas.

