Onze países se unem contra alvos da Lava Jato

Imagem: Evaristo Sá - AFP

Os países em que a Odebrecht operou estabeleceram acordo de cooperação jurídica internacional contra a corrupção.

Procuradores de 11 países em que a Odebrecht operou decidiram nesta quinta-feira estabelecer “a mais ampla, rápida e eficaz cooperação” para investigar a atuação da construtora brasileira e outros alvos da Operação Lava Jato. No encontro, organizado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e realizado em Brasília, participaram representantes do Ministério Público da Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Panamá, Portugal, Peru, República Dominicana e Venezuela.

De acordo com a “Declaração de Brasília sobre a cooperação jurídica internacional contra a corrupção”, divulgada após uma reunião, coordenada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot, foi decidido criar “equipes conjuntas de investigação, bilaterais ou multilaterais” para coordenar os trabalhos no Brasil e nos outros países. O comunicado também ressalta “a importância da recuperação dos ativos e da reparação integral dos danos causados por esses ilícitos, incluindo o pagamento de multas, segundo a legislação de cada país”. A nota pede “aos cidadãos que apoiem suas instituições de perseguição penal nas atuações que são conduzidas contra a corrupção” em cada um desses países.

O grupo Odebrecht é alvo de investigações em diversos países, sobretudo por financiamento ilegal de campanhas e pagamento de propinas em troca de contratos com o setor público. A dimensão internacional do escândalo foi confirmada no final do ano passado, quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelou que a construtora tinha admitido que pagou US$ 788 milhões em subornos em 12 países de América Latina e África, incluindo o Brasil.

Representantes de El Salvador, Guatemala, Antígua e Barbuda e Moçambique também foram convidados para a reunião, mas não compareceram.

PF nega ‘desmantelamento’ da Lava Jato

Após o desligamento de um dos primeiros delegados da Operação Lava Jato, Marcio Adriano Anselmo, a Polícia Federal informou que seu substituto já foi escolhido, e negou qualquer “desmantelamento” da investigação. “São totalmente infundadas as notícias de que a Operação Lava Jato no âmbito da Polícia Federal no Paraná sofreu ou sofrerá desmantelamento”, informou a polícia, em nota divulgada nesta quinta-feira (16). “Todo o recurso orçamentário solicitado para o ano de 2017 foi totalmente aprovado” pela direção geral da PF.

A superintendência da PF ainda informou que o nome do delegado que ocupará o lugar de Anselmo “será divulgado oportunamente”. Anselmo, um dos delegados que deu início à investigação, em 2013, irá assumir a corregedoria da Polícia Federal no Espírito Santo, a convite. Ele foi promovido a delegado de classe especial em fevereiro deste ano pela PF.”Tal pedido se dá por questões de natureza pessoal, sem qualquer interferência da administração”, declarou o delegado, que diz querer se dedicar a “novos desafios”.Em outubro do ano passado, a equipe da Lava Jato havia aumentado, com a convocação de três novos delegados. Na época, eram 63 policiais federais, entre delegados, peritos e agentes.

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