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O que esperar das manifestações do dia 7 de setembro?

Apoiadores de Jair Bolsonaro prometem comparecer em atos marcados pelo país, que acontecerão em meio ao julgamento do ex-presidente no STF

Por Rodrigo Araujo

No próximo domingo, dia 7 de setembro, o Brasil celebra o 203º aniversário de sua independência. Porém, o dia também será marcado por manifestações em diversas capitais pelo país, tanto de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) quanto de simpatizantes do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A expectativa é de que a principal mobilização ocorra em São Paulo, na Avenida Paulista, onde adeptos do ex-presidente prometem comparecer em peso ao ato que está sendo organizado pelo pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC). No entanto, também haverá manifestações no Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Vitória, entre outras grandes cidades.

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O ato da Avenida Paulista está marcado para começar às 15h. Assim como as demais manifestações da direita Brasil afora, ele será pautado principalmente pelo apoio a Jair Bolsonaro, justamente num momento em que o ex-presidente e outros sete réus, que fizeram parte de seu governo, estão sendo julgados pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por suposto envolvimento nos atos que culminaram nos ataques do dia 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

Outro fato que deve pautar a manifestação na capital paulista será a recente ofensiva judicial ordenada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, contra Silas Malafaia. No último dia 20, ao desembarcar no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, o pastor foi alvo de uma ação de busca e apreensão por parte da Polícia Federal.

Ele chegava de Lisboa quando teve apreendidos seu passaporte, celular e alguns cadernos que ele afirma serem de anotações teológicas. Além disso, foi levado a uma sala reservada para prestar depoimento. Ele também foi proibido de manter contato com outros investigados e de deixar o país.

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As medidas judiciais ocorreram devido ao fato de Malafaia ter sido incluído nas investigações da Polícia Federal que apuram uma possível obstrução de justiça no inquérito que investiga os atos que culminaram na manifestação do 8 de janeiro de 2023. Essa será a primeira manifestação da direita liderada pelo pastor da ADVEC após ele ter sido alvo do mandado de busca e apreensão.

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Silas Malafaia,Jair Bolsonaro e governadores durante manifestação pela Anistia na Avenida Paulista. Foto: RS/via Fotos Publicas
Silas Malafaia durante manifestação pela Anistia na Avenida Paulista. Foto: RS/via Fotos Publicas

Por causa disso, a expectativa é de que, com o microfone na mão, Malafaia reforce o discurso inserido em diversos vídeos postados em suas redes sociais, de que tem sido vítima de perseguição religiosa. Ele acredita que toda essa ofensiva judicial da qual ele foi alvo ajudará a engrossar a mobilização do 7 de setembro, já que, segundo ele, isso despertou a solidariedade da comunidade evangélica.

As últimas manifestações bolsonaristas na Avenida Paulista foram marcadas por uma presença menor de participantes. Após o último ato, ocorrido no dia 3 de agosto, muitos simpatizantes do ex-presidente manifestaram incômodo pela ausência de importantes governadores da direita, como Tarcísio de Freitas (Republicanos, São Paulo), Romeu Zema (Novo, Minas Gerais), Ratinho Júnior (PSD, Paraná) e Ronaldo Caiado (União, Goiás).

Para a manifestação do 7 de setembro na capital paulista, Tarcísio de Freitas confirmou participação. Também é esperada a participação de Romeu Zema e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF).

Manifestações do 7 de setembro pelo Brasil

Além de São Paulo, outras capitais no Brasil serão palco de manifestações de 7 de setembro, inclusive a capital federal. Em Brasília, apoiadores de Bolsonaro vão se concentrar no estacionamento Ibero-Americano, em frente à Torre de TV. Não muito longe dali, será realizado o ato dos simpatizantes do governo Lula, na Praça Zumbi dos Palmares, e também o desfile cívico-militar, na Praça dos Três Poderes e Esplanada dos Ministérios.

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Por causa disso, um grande esquema de segurança está sendo montado na capital federal. A Praça dos Três Poderes, Esplanada dos Ministérios e outros espaços estratégicos de Brasília serão fechados pelas forças de segurança a partir das 23 horas do sábado (6).

No domingo (7), os portões de acesso ao público abrirão às 6 horas. Haverá linhas de revista nos acessos ao público em geral. Além disso, toda a movimentação pela capital federal será vigiada por drones e 1.300 câmeras, monitoradas por 70 pessoas em uma central da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro realizaram manifestação na avenida Paulista e em diversas cidades do país. Os atos foram convocados por aliados de Bolsonaro. Foto: Cadu Pinotti/Agência Brasil
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro realizaram manifestação na avenida Paulista e em diversas cidades do país. Os atos foram convocados por aliados de Bolsonaro. Foto: Cadu Pinotti/Agência Brasil

No Rio de Janeiro, os apoiadores de Bolsonaro devem se aglomerar na orla de Copacabana pela manhã, ao mesmo tempo que a esquerda se reunirá na confluência da Rua Uruguaiana com a Avenida Presidente Vargas, no Centro — a cerca de 10 km de distância.

Em Belo Horizonte, a manifestação de bolsonaristas está prevista para começar às 10h, na Praça da Liberdade, na região Centro-Sul da capital mineira. O ato deverá contar com a participação de lideranças de movimentos como Direita BH, Conservadores em Ação e Movimento Pró Brasil. Além do apoio ao ex-presidente e repúdio a Alexandre de Moraes e ao STF, os organizadores querem reafirmar outras bandeiras durante o ato, como o “fortalecimento dos valores cristãos, patrióticos e familiares”.

No Espírito Santo, os apoiadores de Bolsonaro devem se concentrar no posto Moby Dick, na Praia da Costa, em Vila Velha, a partir das 12 horas. De lá, eles devem atravessar a Terceira Ponte, em direção a Vitória. A manifestação é convocada por diversos políticos da direita capixaba, entre eles o senador Magno Malta e o deputado federal Gilvan da Federal, ambos do PL.

Em Porto Alegre, a concentração da direita está prevista para acontecer, a partir das 14 horas, no Parque Moinhos de Vento, o Parcão, tradicional ponto de encontro de militantes bolsonaristas na capital gaúcha. A expectativa da organização é receber um grande público, vindo inclusive de outras cidades, como Santa Maria, Capão da Canoa, Osório, Canoas e Cachoeirinha.

No Recife, a ala conservadora da política pernambucana se prepara para ocupar a Avenida Boa Viagem, a partir das 14 horas. O ato deve reunir apoiadores, lideranças políticas e simpatizantes de diversas regiões do estado. Entre os nomes que confirmaram presença no ato estão o do ex-ministro do Turismo Gilson Machado, um dos principais aliados de Bolsonaro em Pernambuco, além de políticos que compõem a base conservadora local.

Manifestações têm pouco efeito, diz teólogo

Para o pastor, teólogo e escritor Lourenço Stelio Rega, movimentos como esses, do 7 de setembro, têm produzido pouco efeito na prática. Na visão dele, há hoje uma inoperância do sistema público como um todo, seja do Legislativo, Executivo ou Judiciário, que, segundo o teólogo, tem extrapolado seu papel.

“Vivemos em um país onde não há credibilidade nas autoridades, onde você tem um sistema judiciário em que o juiz é a vítima, o investigador, o acusador e o juiz. Temos hoje inversões de papéis”, destacou.

“Não adianta falar de movimento de 7 de setembro, de manifestação. Estamos precisando é de líderes conscientes na nação, que sejam ouvidos e que venham a provocar e produzir a paz no país, promover a pacificação do nosso país”, completou.

Nesse sentido, Lourenço Stelio Rega critica a postura de alguns líderes evangélicos, que deveriam ter um discurso voltado para a pacificação, mas que, em vez disso, acabam se calando, segundo ele. “Nesse ponto de pacificação, eu acho estranho que os principais líderes evangélicos no Brasil não estejam se manifestando e conclamando a pacificação. Precisamos de homens e mulheres que tenham uma visão de hombridade e que possam produzir essa pacificação”.

Ainda sobre o meio evangélico, o teólogo vê com preocupação a polarização política que se instalou entre muitos fiéis. “Estamos enfrentando no Brasil hoje uma crise moral e ética. Ou você está na direita ou na esquerda, naquilo que eu chamo de ‘síndrome da fita métrica’. E muitos evangélicos acabaram se seduzindo por esses extremos da fita métrica”, afirmou.

“Vivemos, portanto, um maniqueísmo destrutivo, que tem destruído o diálogo das pessoas. Isso é um problema sério pq daí surgem as radicalidades e a ausência de comunicação, a ausência de ser humano. Nossa visão não deve ser politizada, mas devemos ter uma cosmovisão cristã acima acima de tudo isso, em que eu possa me autoavaliar e possa ter uma escuta atenta, ouvir as diversas posições sobre a vida”, concluiu.

 

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