Exuberância e religiosidade caminhando lado a lado

Cartão-postal de Vila Velha, o Convento da Penha é um dos santuários mais antigos do município

No alto de um penhasco está edificado um dos principais cartões-postais do Espírito Santo, o Convento da Penha. O santuário, um dos mais antigos do município, abriga a imagem da padroeira do Estado em seu espaço, situado a 154 metros de altitude, numa localização totalmente privilegiada.

Sua área de 632.226 metros quadrados é testemunha de séculos e mais séculos de história, desde a chegada dos portugueses até a trajetória evangelizadora dos religiosos da Ordem dos Frades Menores da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.

Mas por qual motivo a estrutura foi construída? Populares acreditam que, assim que chegaram ao que hoje é a cidade “canela verde”, os freis franciscanos avistaram uma imagem de uma mulher envolta em um véu azul e uma forte luz em volta de si. A partir daí, entenderem que se tratava da Virgem da Penha e criaram um local para cultuá-la.

Já historiadores afirmam que, em 1562, o Frei Pedro Palácios encontrou abrigo numa gruta de pedra que anos mais tarde seria batizada com o nome do religioso. Lá ele construiu uma pequena capela dedicada a São Francisco de Assis, atualmente localizada no Campinho.

Em 1568, a capela foi inaugurada, recebendo pela primeira vez a imagem de Nossa Senhora da Penha. O templo sofreu várias alterações e um anexo chamado de ex-Casa dos Romeiros. Uma residência para hóspedes também foi construída.

Estrutura

O Convento da Penha passou por vários restauros ao longo do tempo, mas ainda é possível ver uma parte da estrutura que se mantém firme desde a fundação. Remodelado em 1910, o santuário possui mais de 200 peças de 19 tipos diferentes de mármore que enfeitam as colunas e saletas de seu interior.

Mas o ponto mais importante é a capela-mor, onde são celebradas as missas diárias. A parte interna é feita de cedro entalhado com material fitomorfo – que se assemelha às plantas –, criado pelo escultor português José Fernandes Pereira, entre 1874 e 1879. O assoalho, de marchetaria, foi reformado em 1980.

O retábulo também abriga a imagem da Virgem, vinda de Portugal especialmente para pertencer ao acervo local. Ela tem ao seu lado anjos e querubins, elementos que lhe dão o título de rainha e mãe da humanidade. Já a imagem do Menino Jesus em seu colo carrega um cetro na mão direita, com a inscrição “Ele é o Rei”.

Nas paredes da capela estão obras paisagísticas criadas pelo artista plástico Vitor Meireles e encomendadas por Frei João Costa. Entregues em 1877, as peças sacras de Pedrina Calixto, assinadas entre 1926 e 1927, enobrecem o ambiente, contando a história da construção do santuário.


Locais para visitar dentro do Convento da Penha

Sala dos Milagres – Esculpida por Carlo Crepaz, em 1958, abriga as ofertas dos devotos que vão ao local “pagar as promessas” depositando as ofertas aos pés da imagem de Nossa Senhora da Penha. Eles agradecem à santa de diversas formas, como placas com mensagens e objetos pessoais, entre outros itens.

Campinho – Atualmente, o local funciona como o estacionamento do santuário. De lá é possível contemplar uma linda vista, como a da Terceira Ponte, a da baía de Vitória, o do Morro do Moreno, em Vila Velha, e as de outros locais. Em dias de festa, as missas principais são lá celebradas. Para isso, foi construído um altar fixo no local.

Portão com ruínas – Ao sair da capela-mor, é possível ver um acesso por uma escadaria, onde se chegava a uma área gramada com ruínas, que também dava acesso à senzala dos escravos que ajudaram a construir diversas áreas, além de conseguir esmolas para o Convento durante as festas religiosas.

Capela de São Francisco de Assis – Construída em 1558 e inaugurada em 1562, a capela de São Francisco de Assis foi fundada por Frei Pedro Palácios. O espaço tem aproximadamente 20m² e o telhado estilo colonial e pintura de cal. Localizada na área do Campinho, no entorno há um cemitério no qual foram sepultados alguns Frades, como o frei Gilberto Hillebrand, frei Aurélio Stulzer e o frei Vunibaldo Vogel.

 


Como chegar:

Ladeira da Penitência – Também chamada de “Ladeira das Sete Voltas” por causa das curvas íngremes, leva também esse nome pela disformidade de calçamento, exigindo mais esforço para subi-la. Muito utilizada pelos fiéis na época das romarias, durante a Festa da Penha, é fruto do trabalho dos escravos, em 1643.

Portão de acesso pela estrada – Em 1952, um novo acesso foi construído. Considerado hoje a entrada principal para o alto da montanha, retrata o estilo de edificação dos anos 50, entretanto imita o antigo portão.

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