Após tarifas impostas pelos Estados Unidos e retaliações do governo chinês, guerra comercial entre os países se torna iminente
Por Robson Maia
As tensões entre Estados Unidos e China voltaram a se intensificar após novas declarações do governo chinês de que vão sustentar a reciprocidade de taxas comerciais impostas pelo governo norte-americano. Com o retorno Trump à presidência em 2025, o debate sobre as barreiras tarifárias reacendeu tensões entre as duas maiores economias do mundo, colocando em xeque os esforços recentes de reaproximação diplomática.
Durante o primeiro mandato (2017–2021), Donald Trump iniciou uma guerra comercial com a China, impondo tarifas sobre centenas de bilhões de dólares em produtos chineses, com o objetivo declarado de combater práticas comerciais desleais e reduzir o déficit comercial dos EUA. Em resposta, Pequim retaliou com tarifas sobre produtos norte-americanos, afetando setores como agricultura, tecnologia e manufatura.
Embora o presidente Joe Biden, do Democratas, tenha mantido muitas dessas tarifas ao longo de seu mandato, sua administração buscou formas de aliviar as tensões, estabelecendo canais de diálogo e revendo a eficácia das medidas herdadas.
O retorno de Trump à presidência reacendeu o tema, com a nova gestão do governo estadunidense impondo novas tarifas comerciais aos parceiros ao redor do globo. A chamada “guerra de tarifas” se intensificou no último dia 2 de abril, quando Washington promoveu um tarifaço contra quase todos os parceiros comerciais.
No caso da China, Trump impôs, inicialmente, uma das mais altas taxas, com 104% de impostos sobre a importação de produtos chineses.
Em resposta, os chineses anunciaram a política de reciprocidade, estabelecendo percentuais mais elevados de impostos para produtos importados dos EUA. O Ministério das Finanças da China anunciou, o aumento das tarifas de importação de produtos dos Estados Unidos (EUA) de 34% para 84%.
“A decisão dos EUA de aumentar as tarifas sobre a China é um erro atrás do outro. Ela infringe seriamente os direitos e interesses legítimos da China, prejudica seriamente o sistema de comércio multilateral baseado em regras e tem um impacto severo na estabilidade da ordem econômica global. É um exemplo típico de unilateralismo, protecionismo e intimidação econômica”, afirmou, em nota, o Ministério de Finanças chinês.
Apesar das ameaças da gestão Trump, a China sustentou a posição e afirmou não existir razões para que seja iniciada uma “guerra comercial”, mas, caso seja do interesse do governo norte-americano, o país asiático adotará medidas similares.
Como resposta, Trump, anunciou nesta quarta-feira (9) que vai elevar a taxação das importações da China para 125%, com efeito imediato. Até então, a taxação adicional da China estava em 104%.
“Com base na falta de respeito que a China demonstrou aos mercados mundiais, estou aumentando a tarifa cobrada da China pelos EUA para 125%. Em algum momento, esperançosamente em um futuro próximo, a China perceberá que os dias de exploração dos EUA e de outros países não são mais sustentáveis ou aceitáveis”, informou Trump em uma rede social.

– Foto: Reprodução Fotos Públicas
Por outro lado, Trump disse que vai reduzir a taxação de 75 países para 10% por 90 dias, enquanto negocia com os chefes de Estado e governo desses países.
“Com base no fato de que mais de 75 países convocaram representantes dos EUA para negociar uma solução para os assuntos em discussão, e que esses países não retaliaram de forma alguma os EUA, por minha forte sugestão, autorizei uma PAUSA de 90 dias e uma Tarifa Recíproca substancialmente reduzida durante esse período, de 10%, também com efeito imediato”, completou o presidente estadunidense.
E o Brasil?
Com o agravamento das tensões comerciais com os Estados Unidos, a China deve buscar fornecedores alternativos para produtos agrícolas. O Brasil, que já se beneficiou da guerra comercial em 2018, ainda no primeiro governo de Donald Trump, pode mais uma vez ver a demanda de exportações crescerem, mesmo diante das tarifas de Trump.

Ainda assim, a guerra comercial entre Estados Unidos e China pode afetar o Brasil de formas opostas. Confira os pontos elencados pela ES Brasil:
- Impactos positivos para a economia brasileira
Desvio de fornecimento de commodities, como soja e carnes, para a China
Ganhar espaço no fornecimento de produtos agrícolas, como milho, trigo, arroz, biocombustíveis, proteína animal e vegetal
Possibilidade de se efetivar como um parceiro importante para os Estados Unidos, caso o conflito comercial se estenda
- Impactos negativos
Em um eventual acordo futuro entre os dois países, as exportações brasileiras podem ser desfavorecidas;
Aumento dos preços de produtos, devido ao impacto nas cadeias globais de produção;

