Ingerir estimulantes e dirigir pode ser uma combinação perigosa, diz especialista

Foto: Reprodução

De acordo com o Conselho Nacional de Trânsito, a sonolência é apontada em segundo lugar dentre as principais causas de acidentes nas estradas

As campanhas contra a combinação do álcool e a direção têm sido cada vez mais efetivas, alcançando resultados satisfatórios na redução dos acidentes de trânsitos, mas outras causas de acidentes ainda precisam ser mais trabalhadas para conscientizar a população.

De acordo com o Conselho Nacional de Trânsito (CNT), a sonolência é apontada em segundo lugar dentre as principais causas de acidentes nas estradas e atinge principalmente os motoristas que trabalham em esquema de turno ou dirigem por mais horas seguidas do que o recomendado.

A médica do sono, Jéssica Polese, afirma que o problema dos estimulantes é que eles podem deixar o indivíduo muito agitado e isso no trânsito não é uma coisa boa. Foto: Divulgação

Levantamento realizado pela Concessionária Rota do Oeste, que opera no Mato Grosso, mostrou que um em cada cinco caminhoneiros já usou ou ainda faz uso de substâncias ilícitas e estimulantes. As drogas são uma alternativa para manter o motorista acordado por períodos mais longos e, assim, permitir que ele faça as viagens em menos tempo.

“Um fator preocupante é que a droga não perde o efeito de maneira gradual, mas sim com muita rapidez, pegando o motorista de surpresa. Ele não percebe que está ficando com sono e quando vai ver, já dormiu, porque ele já estava muito cansado e deveria ter parado de dirigir quando sentiu a necessidade de tomar os estimulantes”, explicou a médica do sono, Jéssica Polese.

Mortes no trânsito

Um estudo realizado pelo Programa SOS Estradas, analisou mil acidentes com mortes envolvendo caminhões entre 2015 e fevereiro de 2017, e mostrou que em 82% os caminhoneiros mataram outros caminhoneiros. Quando os acidentes envolveram veículos leves, 97% dos ocupantes dos automóveis morreram e naqueles envolvendo motocicletas, 98% foram a óbito.

O coordenador do Programa SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto  disse que “a maioria dos caminhoneiros passa mais de 200 dias por ano morando no caminhão, é mal remunerado, não tem condições de descanso adequado, nem paradas para dormir. Além disso, vive os riscos de ser abordado por traficantes, prostitutas e assaltantes nas estradas. É natural que esse sujeito sofra acidentes por usar drogas para suportar a jornada e ganhar um dinheiro extra”.


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