Servidora pública capixaba relata como foi estar em território venezuelano durante o conflito internacional e a saída do país pela fronteira com o Brasil
Por Thamiris Guidoni
Aos 42 anos, a servidora pública e aventureira capixaba Gabi Zamprogno, viveu uma experiência inesperada durante uma viagem à Venezuela em 2025. Acostumada a escolher destinos diferentes todos os anos para explorar trilhas e culturas locais, ela estava no país quando surgiram notícias sobre um conflito envolvendo a Venezuela e os Estados Unidos.
Gabi estava na região da Gran Sabana, área turística da Venezuela localizada a cerca de 100 quilômetros da fronteira com o Brasil e distante dos principais focos de tensão. Segundo ela, apesar de não haver confrontos diretos na região, o grupo passou a viver um clima de apreensão após a confirmação das notícias sobre o conflito.
“A Venezuela é a principal porta de entrada para o Monte Roraima, um lugar que eu tentava conhecer há muitos anos. Para chegar até lá, é preciso sair de Boa Vista e atravessar a fronteira para acessar o parque e subir o monte. Quando os conflitos começaram, eu já estava na Gran Sabana, a cerca de 100 quilômetros da fronteira com o Brasil, em uma região que fica a aproximadamente duas horas de carro dali.”
A notícia do conflito chegou ao grupo ainda de madrugada, quando um dos viajantes conseguiu acessar a internet. “A gente acordou com alguém batendo na porta e dizendo: ‘Os Estados Unidos acabaram de atacar a Venezuela’. Foi um misto de susto, nervosismo e paralisação”, relembra Gabi.
Diante da situação, o grupo decidiu cancelar os passeios e aguardar orientações sobre a fronteira. Com apoio de guias locais, agências de turismo, autoridades do parque nacional e do consulado, a saída da região foi organizada rapidamente. Gabi atravessou a fronteira de volta ao Brasil no dia 2 de janeiro, passando por barreiras militares até chegar ao território brasileiro.
“A gente só se sentiu realmente aliviado quando pisou do lado do Brasil e viu a PRF e a Força Nacional. Aquilo deu uma segurança enorme”, afirmou.
Confira alguns registros da viagem:
Para a capixaba, a experiência reforçou a percepção de que conflitos internacionais não atingem todas as regiões de um país da mesma forma. “Você percebe que nem todo o território vive a crise do mesmo jeito. Ali, as pessoas ainda estavam tentando entender o que tinha acontecido”, disse.
Apesar do episódio, Gabi afirma que voltaria à Venezuela em um momento mais estável e destaca a hospitalidade do povo venezuelano e a beleza natural da região.

