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sexta-feira, 3 dezembro, 2021

86,95% de mães e responsáveis não querem a volta das aulas presenciais

Os dados coletados são resultado da pesquisa realizada pela redação da Revista ES Brasil, do dia 11 a 14 de agosto, com mães e responsáveis por crianças em idade escolar no Espírito Santo

A reabertura das escolas em diferentes países pelo mundo evidencia os desafios para a retomada da rotina em meio à pandemia do coronavírus.

No Espírito Santo, após anúncio do Governo sobre os protocolos que garantiriam o retorno das aulas presenciais a partir de setembro no estado, a discussão tomou conta dos capixabas.

Se de um lado existe a necessidade de um plano de ação para a retomada gradual das rotinas, de outro o que vemos pelo mundo é que mesmo com a adoção de cautela e de uma série de medidas de proteção sanitária, como por exemplo, distanciamento social, o uso obrigatório e adequado de máscaras de proteção, aferição de temperatura e disponibilização de álcool em gel, são poucos os casos de estabilidade na reabertura, e houve registros de surtos de covid-19 após a retomada das aulas presenciais em diversas regiões do mundo.

Informações da Agência Estado apontam que com vários Estados americanos se preparando para a retomada das aulas presenciais no início do ano escolar, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) alertou que o número de crianças infectadas no país vem aumentando de forma consistente entre março e julho. Até o último dia 3 de agosto, 7% de todos os casos de covid-19 nos EUA foram entre crianças e adolescentes até 17 anos, faixa que corresponde a 22% da população americana.

Outras experiências pelo mundo

Em maio, com o relaxamento do lockdown na França, algumas escolas puderam abrir de forma voluntária, sem exigir a presença dos alunos. Logo após a abertura, no entanto, foram registrados pelo menos 70 casos de covid-19 e algumas escolas chegaram a ser fechadas.

 Confira a pesquisa completa 

Pesquisa com pais e responsáveis

Diante desse cenário de incertezas e com o apontamento pelo Governo do Espírito Santo, sobre a possibilidade da retomada das aulas presenciais, a revista ES Brasil realizou uma pesquisa com pais e/ou responsáveis por crianças e adolescentes em idade escolar, sobre como se sentiam em relação a volta as aulas. O resultado mostra que 86,95% dos entrevistados não querem a volta as aulas.

Para a psicóloga Brunella Aloquio, diante de situações desconhecidas ou pouco familiares como esta, é comum que nos deparemos com preocupações e até mesmo ansiedade.

“Tal preocupação é esperada nesse contexto que estamos vivendo, sendo, inclusive, saudável até certo ponto, pois indica a presença de afeto, vínculo e responsabilização frente à garantia da integridade física e da saúde não só de crianças e adolescentes, mas de todos aqueles que convivem na mesma casa”, afirma a psicóloga.

“Todo medo tem sua serventia, mas que ele sirva de conselheiro, não de carrasco. Ou seja: nossas preocupações e inseguranças nos alertam para uma tomada de decisão mais assertiva, consciente e consequentemente mais segura, avaliando tudo o que está ao redor”, finaliza.

O que diz o secretário de educação do ES.

Recebo com certa naturalidade essa resposta dos responsáveis, uma vez que no cenário atual não é de se admirar que pandemia gere ainda muito temor nas famílias, afirma o secretário

A ES Brasil ouviu o titular da pasta, Vitor de Angelo, sobre o posicionamento da secretaria de educação em relação a volta as aulas presenciais no Estado. Confira a entrevista:

Já existe uma data definida ou existe a possibilidade de mudança ou adiamento?Com relação a data definida ela não existe. A gente está se planejando, sempre junto às autoridades de saúde, estudando a dinâmica da pandemia para voltar as aulas presenciais quando houver segurança para isso.

Os dados apresentados na pesquisa, ratificam outros levantamentos feitos no Brasil e em outros países. Como a secretaria esta se preparando para lidar com o temor de mães e responsáveis, em retomar as aulas presenciais?
Recebo com certa naturalidade essa resposta dos responsáveis, uma vez que no cenário atual não é de se admirar que pandemia gere ainda muito temor nas famílias, afinal morrem por dia no Brasil mais de mil pessoas. A gente vive um cenário um pouco diferente no Espírito Santo com uma estabilidade, viés de queda em alguns momentos, mas também um cenário que enseja muita cautela. Vamos lidar sempre como temos lidado. Com muito respeito, com muita transparência, porque acho que essa postura de respeito, de transparência, além do próprio aguardar no tempo, de um contexto favorável à volta em que tenhamos uma segurança sanitária para isso, por si só se encarregará de arrefecer esse medo das mães, dos pais e dos responsáveis.

Haverão ações específicas para tentar diminuir esse medo?
Não digo ações específicas. Eu acho que fazer um planejamento transparente, uma comunicação efetiva, sempre respeitando a posição das famílias, mas também sempre trazendo um olhar seguro sobre está sendo feito pelo governo. Ninguém aqui está brincando com os alunos, nós estamos nos planejando para oferecer aos alunos um direito fundamental a eles, que é o direto da aprendizagem sem comprometer outro direito também fundamental que o direito à vida. Então quando houver segurança para equacionar esses dois direitos voltaremos e até que isso ocorra nós sempre dialogaremos com muito respeito e muita transparência com todos os setores envolvidos no caso aqui os responsáveis exatamente como uma ação, não sei se específico ou não, para diminuir esse medo.

Experiências em outros lugares do mundo, mostram que o retorno as aulas não foi uma boa estratégia e tiveram que recuar na decisão. A secretaria esta acompanhando essas evoluções em outras regiões?
Sem dúvida alguma. O nosso planejamento se pauta, como não podia deixar de ser, pelas experiências nacionais e sobretudo internacionais, haja vista que em outros países as aulas já voltaram. Na verdade, não é que não foi uma boa estratégia, se não tivesse sido eles teriam fechado as escolas definitivamente. Mas, como toda estratégia, ela precisou ser pontualmente aprimorada.O fechamento já era previsto como uma ação pontual e contingencial em algumas escolas, então nisso também não houve surpresa. Não me parece que houve uma conclusão de ter sido uma má ideia retornar às aulas, do contrário, como eu disse,  as escolas teriam sido fechadas definitivamente. Eu cito aqui o exemplo da França que na primeira semana 70 escolas fecharam, de um total de 40.000, mas não temos notícias de que as aulas foram interrompidas depois disso mostrando um recuo, pelo contrário.

Se não houver o retorno às aulas, qual o plano “b” para preencher a lacuna da ausência das aulas presenciais.
Na verdade o programa escolar, no caso da rede estadual. A rede estadual tem trabalhado com atividades remotas, as atividades pedagógicas não presenciais, seja com mediação de tecnologia ou não. Essas atividades fazem parte do programa escolar e ele existirá mesmo quando e se as aulas voltarem presencialmente, porque como elas serão em regime de rodízio, nós precisaremos alternar atividades presenciais com atividades remotas, mas caso não seja possível voltar presencialmente ainda este ano, no cenário hipotético aqui colocado e dado que já temos uma data de encerramento para o ano letivo 2020, permaneceremos até 23 de dezembro, quando encerramos o ano de 2020, com as atividades do escola remotamente.

A pandemia Covid-19 é um evento único e sem precedentes históricos, existe um plano para recuperar o tempo perdido, dos conteúdos não ensinados?
Na verdade, se me permite e muito respeitosamente, discordo da ideia de tempo perdido. É fato que há prejuízos de aprendizagem e ninguém nega isso, até porque não tem nem como esconder, mas é um tempo de muita reinvenção, de muitas mudanças para o bem, para o melhor, é um tempo de discussão dos assuntos efetivamente importantes na educação brasileira e nesse sentido não é mesmo, em minha opinião, um tempo perdido. Agora lógico, como eu disse, há perdas, há perda de aprendizagem. Então nós já temos feito e faremos ainda mais ações para buscar contornar essas perdas, por exemplo, a junção do ano 20 com 21, do ponto de vista curricular. A definição de componentes curriculares essenciais sem os quais o aluno não poderia avançar de um ano para o outro. A adoção de um ciclo bianual 20 21 com promoção apenas o final do ciclo para que a gente não venha a punir de uma maneira perversa o aluno que já tendo sido prejudicado pela pandemia, venha a ser ainda culpabilizado pelo seu próprio desempenho escolar, às vezes numa situação que fugiu completamente ao seu controle. E para o ano que vem, reforço escolar com certeza, juntando alunos segundo o nível de aprendizagem para que a gente possa fazer ações específicas de correção pedagógica. Enfim são algumas medidas que poderíamos citar para contornar essas perdas pedagógicas que existem, é fato, como eu disse, mas sem que elas tornem o ano de 2020, um ano, um tempo perdido.

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