Carlos Lindemberg uma trajetória de estadista

“O jornal não determina ou limita consequências, mas integra o processo político do princípio ao fim, e a este se mantém ligado em seus desdobramentos”. Foi certamente comungando com essa colocação de Emanoel Barreto que Carlos Lindenberg assumiu em 1949 o controle acionário do jornal A Gazeta, órgão de imprensa que circula em Vitória desde 1928.

Ex-governador do Estado, apontado como um dos grandes estadistas capixabas, Carlos Fernando Monteiro Lindemberg trouxe em sua personalidade os genes do homem do campo, correto, sóbrio, amante da terra e do seu povo, capaz de se emocionar com o hasteamento da Bandeira do Estado e crer no lema de que trabalho e confiança são expressões que se integram e se completam.

Nosso personagem nasceu em janeiro de 1899, na Fazenda Monte Líbano, em Cachoeiro do Itapemirim. Cumpridos os primeiros anos de estudo primário na escola pública municipal local e o secundário em Vitória, retornou à cidade natal para cursar o ginasial no Colégio Diocesano do Verbo Divino. Acometido por grave enfermidade, afastou-se do ensino temporariamente desta instituição de ensino para, restabelecida sua saúde, ingressar no Colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói. Abandonou a Escola de Medicina, área que sentia ser sua vocação maior, já cursando o segundo ano, por não ter condições de se manter no Rio de Janeiro.

A alternativa foi a Faculdade de Direito, uma decisão que iria se refletir, mais tarde, na atividade política que o levaria a ocupar o Governo do Estado. Formou-se aos 22 anos de idade, quando, simultaneamente com os estudos, exercia função de escriturário na Secretaria da Fazenda estadual. A primeira incursão de Carlos Lindenberg na política levou-o a disputar a Prefeitura de Cachoeiro pelo Partido Republicano. Não venceu as eleições, mas ganhou experiência necessária para suas futuras e vitoriosas incursões nas lides da política capixaba. Assuntos de família o levaram, no entanto, a retornar à administração da fazenda de sua origem em Cachoeiro.

Já advogado, atuou como promotor de Justiça ad hoc na comarca, mas a linha de sua vida o encaminharia novamente para Vitória, que seria afinal sua destinação maior.
Foi aqui que Carlos Lindemberg mostrou outra face de seu talento, como homem de negócios. Montou, com dois sócios, na capital, a Casa Comercial Duarte, Fundão & Companhia,
especialista em ferragens.

Mas essa iniciativa seria apenas o desdobramento de um roteiro para sua grande realização pessoal. Aos 27 anos, casou-se no Rio de Janeiro com Antonieta Pacheco de Queirós, vida familiar interrompida quatro anos depois com o falecimento da esposa. Com a experiência de já haver exercido a presidência da Junta Comercial, assumiu algum tempo depois a vice-presidência da Associação Comercial de Vitória, ocasião em que participou da criação do PSD – Partido Social Democrático no Espírito Santo. Chegara, afinal, ao estágio maior de sua vida, que era servir ao Estado. Vendeu sua cota na empresa de comércio, candidatou-se e elegeu-se deputado federal, em 1935.


Convocado pelo interventor, capitão João Funaro Bley, renunciou ao mandato para assumir as secretarias da Fazenda e da Agricultura, Terras e Obras. O chamamento da terra que marcou sua infância levou-o novamente, e paralelamente, a retornar à sua origem familiar. Já casado em segundas núpcias com a senhora Maria Antonieta Pacheco de Queiroz, irmã de sua primeira esposa, Carlos Lindemberg homenageou suas três filhas ao denominar de “Três Marias” a fazenda Lagoa das Palmas, que comprara no município de Linhares.
Esse novo episódio, porém, foi como um parêntese aberto em sua vida. Deixando a Secretaria de Estado, voltou a exercer advocacia em Vitória, assumindo posto na Junta de Conciliação e Julgamento, recém-instalada na capital.

Retornando à atividade política, elegeu-se deputado federal para o período legislativo 1946-1947. A partir dessa volta, foi uma questão de tempo sua eleição para governador do Espírito Santo. Sua fecunda gestão (1947-1951) reconduziu-o ao Palácio Anchieta para novo período de governo (1959-1962). Fez seu sucessor e se elegeu senador para dois mandatos sucessivos pela coligação PSD-PTB . Cumprido seu papel de condutor de ideias que levaram o Espírito Santo a um período de afirmação social e econômica, Carlos Lindemberg ensarilhou armas e passou a dedicar-se a um novo campo de batalha, com a mesma e importante missão de iluminar consciências e prepará-las para o futuro que via com otimismo: o exercício da presidência do Conselho da Ufes – Universidade Federal do Espírito Santo.

O legado deixado pelo nosso homenageado é extenso e profícuo nas várias frentes de ação em que se empenhou. O jornal do nosso cotidiano, “A Gazeta”, por ele adquirido em 1949, faz parte hoje do maior complexo de órgãos de comunicação do Estado. Desdobrou-se no tempo e está inserido num grupo empresarial com dois jornais diários, nove emissoras de rádio, quatro emissoras de televisão, uma empresa de marketing promocional, um portal on-line, e um portal de notícias. O homem que marcou profundamente com seu trabalho, suas ideias e seus ideais a história do nosso Estado recebeu o tributo que lhe é devido por parte do Legislativo municipal com a denominação dada a uma das nossas mais importantes vias urbanas de Vila Velha: Avenida Carlos Lindemberg.

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