Você precisa de um coach?

Saiba quais são as habilidades deste profissional que se destaca cada vez mais no mercado e os cuidados necessários na hora da contratação

Se há algo que definitivamente está na moda no Brasil é o coaching. E se antes os especialistas em método de formação de desenvolvimento pessoal eram demandados apenas para alavancar a performance profissional, atualmente eles auxiliam em processo de emagrecimento, relacionamentos familiares, empoderamento e até no desenvolvimento de sensualidade e autoestima.

Embora em outros países, há muito tempo, já seja comum a contratação desses serviços, especialmente para o desenvolvimento de lideranças, apenas de poucos anos para cá a profissão se popularizou no Brasil. Com a tamanha intensidade da demanda, entretanto, pessoas têm depositando nesses orientadores, de forma equivocada, a responsabilidade por mudanças significativas em suas vidas. E o maior erro está justamente em achar que o coach vai fazer milagres, quando na verdade o cliente é quem deve tomar suas próprias decisões.

“O coach tem as ferramentas para possibilitar a caminhada em busca de respostas, mas é necessário, acima de tudo, que o coachee esteja aberto e pronto para promover a mudança em sua vida” Gislene Ataíde

Quando a universitária Luiza da Silva Rocha decidiu ingressar na faculdade de Pedagogia, uma das suas primeiras ações foi recorrer a um coach para identificar habilidades e competências e traçar o caminho a seguir dentro do leque de opções que o curso oferece. Assim como ela, muitas pessoas em todo o mundo buscam auxílio para definir ou transformar suas vidas no âmbito profissional e também pessoal.

Afinal, que figura é essa que ganha cada vez mais destaque no mercado? Segundo a Federação Brasileira de Coaching Integral Sistêmico (Febracis), o coach atua desenvolvendo as habilidades humanas, trabalhando com ferramentas e técnicas eficazes, que fazem com que o coachee (cliente) desenvolva o autoconhecimento e neutralize suas limitações para alcançar o sucesso pessoal e/ou profissional.

“Nós, coaches profissionais, sabemos dos limites éticos. Portanto, não atendemos pessoas com traumas, transtornos, depressão ou vícios” Gillian Follador, credenciada pela International Coach Federation e especialista em Gestão Estratégica de Pessoas

Nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, a cultura de coaching está implantada há mais tempo, por isso existem mais organizações e pessoas envolvidas com essa metodologia. “São mercados mais maduros. Nós, da América Latina, ainda passamos por um cenário confuso, mas, apesar disso, no Brasil, grandes empresas já contratam coaching para auxiliar nos processos de gestão das mudanças”, declara Gilian Follador, credenciada pela International Coach Federation e especialista em Gestão Estratégica de Pessoas. Entre os resultados do trabalho, ela aponta a otimização de performance individual e de equipes, expansão de oportunidade de carreira, aumento na autoestima e autoconfiança, melhoria na gestão de negócios e equilíbrio em áreas da vida.

Quando contratar um coach?

 Antes de mais nada, é importante entender que o coaching não é mentoria, muito menos terapia. “Enquanto um mentor é procurado para ‘pegar na mão do seu cliente’ e apresentar o caminho, o coach acredita que o coachee tem as respostas dentro dele. Mentor precisa ser especialista naquela determinada área de atuação que está sendo solicitado, e coach precisa ser especialista em coaching”, diferencia Gilian Follador.

A especialista alerta para a necessidade de se educar o mercado. “Nós, coaches profissionais, sabemos dos limites éticos. Portanto, não atendemos pessoas com traumas, transtornos, depressão ou vícios. Coaching é para quem quer desenvolver competências/comportamentos, assumir protagonismo e alcançar metas com tempo predeterminado.”

Gilian explica que já na primeira conversa o objetivo é compreender se o que a pessoa busca é realmente um “caso de coaching”. Muitos profissionais, acrescenta, atuam em parceria com psicólogos. “O objetivo final é que a pessoa alcance o que deseja, tendo suporte de forma transparente, ética e responsável. É algo além de ganhar dinheiro e fazer marketing”, destaca.

O coaching também tem como base algumas ferramentas da administração e da filosofia, entre elas provocações com perguntas poderosas, para reflexão sobre a demanda do coachee, aponta Gislene Ataíde: “É um trabalho de autoconhecimento e autorresponsabilização do cliente, que alcança resultados após mudança de comportamento sentido ao estado desejado”. Entendido isso, vale reiterar que o serviço só terá efeito positivo se indivíduo estiver preparado para esse processo de mudança.

Coaching nas empresas

No Espírito Santo, muitas empresas já apostam na metodologia em busca de melhores resultados. Na Viação Águia Branca, por exemplo, o propósito é ajudar no desenvolvimento do colaborador que precisa alavancar resultados imediatos. “Resistir às mudanças é um comportamento normal do ser humano, mas elas são essenciais ao progresso. Para isso, contratar um coach é fundamental, uma vez que ele possui competências para apoiar na busca por transformações”, declara Vanessa Nascimento, da área de Recursos Humanos.

Segundo ela, os impactos positivos esperados são: melhorias comportamentais e de relacionamento interpessoal, administração do tempo, resultados, superação de desafios, conhecimento de si, foco e autoconfiança, entre outros desafios pessoais e profissionais. “Para contratar um coach, verificamos: orçamento da empresa x preço, experiência de atendimento em outras organizações e suas competências. E o coach precisa ter conexão com o coachee”, diz.

A FortLev também investe no processo visando ao desenvolvimento. “Recorremos à atuação de um coach porque acreditamos que as questões trazidas por alguns empregados necessitam de tratativa diferenciada, com foco no autoconhecimento e no desenvolvimento habilidades específicas, além do tratamento de limitações de forma individualizada. Devido ao alto investimento da ferramenta, centralizamos a ação na liderança”, revela Lívia Costa, da área de Recursos Humanos. Para a contratação, foram buscadas indicações de parceiros e alinhadas as expectativas. “Apostamos em uma coach que trouxe preocupações muito grandes no cuidado com pessoas, na forma de se comunicar e de estabelecer conexões com seus coachees”, informou.

Cuidados na contratação

 Dados da Associação Internacional de Coaches Profissionais (AICP) apontam que existem cerca de 20 mil coaches no Brasil, chegando a 200 mil no mundo. Com tantas possibilidades, é fundamental garantir que o contratado esteja de fato apto a exercer o ofício. E o primeiro passo é questioná-lo sobre se segue um código de ética, se pratica as diretrizes de uma escola de formação e se integra uma associação profissional. “O mercado ficou confuso, porque tem muitas escolas ensinando ferramentas em cursos de curta duração. É óbvio que não existe profissional que se forma em uma semana. Coaching é para quem está disposto a se aperfeiçoar constantemente e para quem tem uma profunda responsabilidade e ética com o desenvolvimento humano”, alerta Gilian Follador.

Profissional liberal na área de beleza, Juliana Alcântara ficou muito insatisfeita com o resultado do trabalho realizado por sua coach. “Eu a conheci dentro da igreja. Muitos colegas estavam investindo no processo, e decidi ir também, já que passava por um momento delicado, em busca de respostas. Foi uma decepção total, pois ficou evidente a preocupação central dela em receber seus honorários; não me colocou em primeiro lugar.” Após três atendimentos, a cliente saiu do processo com dívida financeira, sem resolver as questões propostas e descrente de apostar novamente.  “Sei que há coaches excelentes no mercado, mas ainda não tenho a confiança de iniciar um trabalho com ninguém.”

Para se livrar de situações como essas, Gislene Ataíde reforça ser fundamental uma boa conexão entre orientador e orientado, para que a confiança e o compromisso de ambas as partes sejam cultivados. “Evite criar expectativas, busque ter mais clareza das próprias intenções, justamente para afastar frustrações futuras. É preciso maturidade e coragem em reconhecer e saber lidar com suas vulnerabilidades”, recomenda.

Números

Embora não haja dados atualizados sobre o mercado de coaching no Brasil e no Espírito Santo, ES Brasil fez um levantamento com algumas entidades para melhor entender o setor, que cresce a cada dia.

Na Internacional Coach Federation, associação presente em 145 países do mundo, o número de associados saltou de 7.912 (dado de 2004) para os atuais 36.848. Em abril deste ano, o total no Brasil era de 626. Já a Associação Brasileira dos Profissionais de Coaching (AbrapCoaching) conta com 213 membros.

Quanto à formação, a Federação Brasileira de Coaching Integral Sistêmico (Febracis) capacitou mais de 12 mil profissionais, mais de 500 deles no Espírito Santo. A Escola Brasileira de Coaching (EbraCoaching), ao longo de 15 anos de atuação no Espírito Santo, Rio de Janeiro e Bahia, habilitou 90 turmas, com média de 15 alunos cada. Pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), são mais de 50 mil qualificados.

Na avaliação de Marcos Martins de Oliveira, diretor executivo do Instituto Advento e diretor de Projetos Globais da AbrapCoaching, a falta de estatísticas atualizadas e consolidadas se deve a uma série de fatores, entre os quais a ilegalidade por parte dos autointitulados coachs, que não têm nenhuma certificação. Outro complicador é o não entendimento por parte da maioria dos coachs da importância de pertencer a uma entidade representativa. “Para que possamos fortalecer o mercado e permitir um panorama atualizado do setor, esses especialistas devem estar vinculados a uma associação conceituada e consolidada”, adverte.

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