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quarta-feira, 24 abril, 2024

Vasco Coutinho, um donatário polêmico

Vasco Coutinho iniciou aqui a construção de uma extensão do império português, que deu o nome de Espirito Santo, nome que se mantém até hoje

Por Manoel Goes Neto

Alguns pesquisadores e historiadores defendem que Vasco Fernandes Coutinho, primeiro
donatário da capitania do Espirito Santo, morreu na miséria e abandonado. Que lhe faltou um simples lençol para cobrir o seu corpo. Que era viciado em mascar o fumo, hábito aprendido com os indígenas, chegando a ser excomungado pelo bispo Sardinha. Esquecem os que mantem esta versão que não havia necessidade de lençol algum. “O calor dos trópicos era muito grande para o fidalgo europeu, e com certeza ele aprendera também, com os índios, a dormir em redes. Uma versão muitas vezes repetidas acaba virando verdade. E depois para se desmentir, passados séculos, fica muito difícil. Algumas vezes, até impossível. Mas assim é a história ou estória da maioria dos fatos e personagens históricos.

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A versão de fracassado cai por terra quando questionamos: “se o donatário Vasco Coutinho
iniciou aqui a construção de uma extensão do império português, que deu o nome de Espírito Santo, nome que se mantém até hoje, e mais, ficando em poder da sua família e herdeiros por 140 anos, como teria sido Coutinho um fracassado?”

Teve toda sorte de dificuldades, como ocorreu em quase todas as capitanias do Brasil, à
exceção das capitanias de São Vicente – SP e Pernambuco, nos primeiros 200 anos. Mesmo assim Vasco Coutinho realizou bastante, fez acordos com os índios do Espírito Santo, conseguindo até converter alguns à fé cristã, fundou os primeiro engenhos de açúcar, construiu duas vilas, a Vila Velha e a Vila da Vitória, hoje a capital Vitória. Viajou mais de uma vez a Portugal buscar recursos e colonos para a sua capitania.

Viúvo, conviveu com Ana Vaz, com quem teve o filho de mesmo nome, que lhe sucedeu após a sua morte em 1561. Viveu os seus últimos dias na Praia da Costa, em sua Fazenda da Costa, onde temos o Monte Moreno e a Praia do Ribeiro. A Casa Grande ficava ao lado de onde hoje temos a residência oficial do governador do estado. Ruínas encontradas confirmam esta localização. Foi sepultado o capitão Vasco Fernandes Coutinho, na Igrejinha do Rosário, na Prainha, que ele construiu.

A história capixaba é muito digna de comemorações em 23 de maio, nos seus 486 anos de
muita luta e superações, data da chegada da comitiva do fidalgo Vasco Fernandes Coutinho na hoje Prainha, em Vila Velha. Nunca é demais lembrar a etimologia da palavra “comemorar”, que muitos estudiosos pesquisadores insistem em criticar, confundindo com “festejar”. Comemorar é uma palavra de origem latina – commemorare – que significa recordar, rever, trazer à memória, recordar coletivamente. E para fortalecermos a nossa identidade capixaba, temos que trazer à memória coletiva a nossa ancestralidade, origens e cultura histórica, com muitas vitórias e superações, orgulho e pertencimento de sermos capixabas.

 

Manoel Goes Neto é escritor e subsecretário de cultura de Vila Velha.

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