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segunda-feira, 17 maio, 2021

Vale é a empresa mais valiosa da América Latina

Valor de mercado na semana passada estava próximo de R$ 600 bilhões na B3, a Bolsa paulista

(AE)

A Vale atingiu na semana passada um feito histórico, ao cravar um valor de mercado próximo de R$ 600 bilhões na B3, a Bolsa paulista, consolidando a posição de empresa mais valiosa da América Latina. Beneficiada pela explosão do preço do minério de ferro, seu produto carro-chefe, a empresa brasileira aparece quase R$ 120 bilhões à frente do gigante do e-commerce argentino Mercado Livre, segundo ranking da consultoria Economática. Em um ano, as ações da Vale mais do que dobraram de valor – com alta de 160%. E não devem parar por aí. Na avaliação de analistas, há espaço para novos ganhos.

Atualmente, o preço das ações da Vale está em torno de R$ 110, ainda longe do chamado preço-alvo de até R$ 158 projetado pelo mercado para o fim deste ano. Essa projeção considera as perspectivas futuras de ganho de receita da empresa, com base num cenário de cotações do minério de ferro ainda em elevação.

Se a conta se confirmar, os papéis da Vale na B3 teriam ainda potencial para avançar até 43% no ano, levando seu valor de mercado total para cerca de R$ 858 bilhões (a preços de hoje). Entre as instituições que apostam em novas valorizações, estão o JP Morgan (preço-alvo de R$ 158) e as corretoras Ágora e XP, com R$ 133 e R$ 122, respectivamente.

Esses números aparecem depois de a empresa se ver envolvida em dois casos de rompimento de barragens – Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019 -, que deixaram centenas de mortos e prejuízo ambiental ainda difícil de mensurar. Só no caso de Brumadinho, a Vale fechou acordo na Justiça de Minas Gerais para pagar indenização ao poder público de R$ 37,68 bilhões. A cifra não inclui ações individuais. Os dois episódios também mexeram com a confiança de investidores estrangeiros que têm se pautado pela agenda ESG (sigla em inglês para ações nas áreas ambiental, social e de governança).

“A Vale ainda está percorrendo esse caminho para retomar a confiança de alguns investidores mais focados em ESG”, afirmou o analista do setor de mineração do Itaú BBA, Daniel Sasson. Depois da apresentação do balanço da empresa no 1.º trimestre – com lucro líquido de US$ 5,546 bilhões, alta de 2.220% sobre o mesmo período de 2020 -, Sasson está revisando suas estimativas para as ações da empresa na Bolsa.

“Temos espaço para revisão para cima por conta desse desempenho forte do preço do minério, que vem surpreendendo o mercado, pela magnitude e longevidade”, afirmou ele. A atratividade da ação da companhia também está amparada em pagamento de gordos dividendos a seus acionistas, visto que a empresa tem forte geração de caixa e sem previsão de grandes investimentos.

A explicação para a alta expressiva na Bolsa tem relação direta com o preço do minério de ferro, que desde o ano passado vem em curva ascendente. Em abril, o preço médio da commodity chegou a US$ 189 a tonelada, se aproximando do pico histórico de 2008 (US$ 196). E a leitura dos analistas é que o preço do insumo deve se manter por um período mais longo em patamares elevados, já que o cenário de oferta mais restrita e demanda em alta – puxada pela China – deve persistir.

O analista de mineração e siderurgia da XP, Yuri Pereira, comenta que, além desses fatores, o volume de produção da Vale foi afetado no início do ano por conta de chuvas e paradas de manutenção, algo que fez com que a mineradora entregasse um volume menor do que o previsto, diminuindo ainda mais a oferta.

Do lado da demanda, o analista lembra que a China, maior destino da produção mundial de minério de ferro, vem crescendo e tem aumentado a busca pelo insumo na esteira de estímulos governamentais do gigante asiático. Ainda na sua opinião, a Vale tem tido sucesso em fortalecer sua estrutura ESG, e não está com o foco, neste momento, em ampliar produção. “O foco da Vale está em arrumar a casa.”

Para o analista de pesquisa da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, o valor da Vale depende de algumas variáveis, tal como seu volume de produção e avanço na agenda ESG, algo que pode ajudá-la a reduzir a distância de seu preço em relação ao das mineradoras australianas.

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