Tenho 40 anos: devo fazer intercambio?

(Fotografia - Shutterstock)

Aumento dessa faixa etária chama a atenção do comportamento dos viajantes

A lógica social dos anos 80/90, na maioria dos países, era trabalhar na mesma empresa até se aposentar, ter filhos, comprar uma casa e troca de carro todo ano. Os adultos conheciam no máximo as cidades próximas a eles e concediam tempo para viajar apenas nos feriados e férias. Porém, essa dinâmica social está se alterando. A lógica do trabalho mudou e as pessoas investem o seu capital mais em experiências do que em produtos. Realizar um intercâmbio em qualquer momento da vida já está sendo considerado por muitos.

No nosso país, 365 mil viajantes aderiram a essa modalidade em 2018. Desses, 17,7% tinham 40 anos ou mais. Os dados são da pesquisa Selo Belta, que é o levantamento anual que ocorre desde o ano 2016 e analisa o comportamento do viajante intercambista divulgado pela Associação de Agências de Intercâmbio.

“Estamos falando de um aumento significativo dessa faixa etária. Em 2017, foram 15,1%. Outro dado interessante é que 62% das pessoas que embarcaram eram mulheres e estavam viajando sozinhas. É uma independência inspiradora”, comemora Maura Leão, presidente da Belta.

O número de intercambistas também aumentou de 2017 para 2018. Foi de 302 mil estudantes para 365 mil estudantes. Gerando uma movimentação financeira de US$ 1,2 bilhão de dólares. “Mesmo em um ano de crise , os brasileiros não deixaram de investir na sua educação e também em conhecer novos lugares. A maioria, dessa faixa etária, opta por fazer o curso de idioma. Porém, sempre combinam com algum outro curso como culinária, fotografia, entre outros”, evidencia Allan Mitelmao, diretor da Belta.

O que chama atenção também na pesquisa Selo Belta 2018 é o tempo dedicado para o intercâmbio: aumentou a escolha pelo período de 30 dias. Em 2017, 28,6% correspondia a esse tempo de duração, já em 2018 foi para 32,3%. Isso acontece porque essa faixa etária, 40 anos ou mais, optam por ter mais conforto durante a estadia. Por este tempo de viagem é possível ficar em um hotel ou mesmo alugar um apartamento por meio do Airbnb.

” Claro que isso não impede que esse intercambista fique em casas de família ou mesmo em residência estudantil. Tudo vai depender muito do perfil dele. Há cursos inclusive que só aceitam a faixa etária de 40+. Assim, vale uma pesquisa detalhada de qual modalidade ele quer optar e claro olhar a lista das agências Selo Belta para não ter surpresas desagradáveis na aquisição do pacote”, orienta Maura Leão, presidente da associação.


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