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sábado, 28 março, 2020

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No próximo dia 23 de maio, vamos comemorar 480 anos. Nesse mesmo dia, em 1535, os portugueses, comandados por Vasco Fernandes Coutinho, chegaram a Vila Velha

Historiador e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Luiz Cláudio Moises Ribeiro destaca as peculiaridades de nossa formação. “A Vila do Espírito Santo é uma das primeiras fundadas no Brasil, no lugar onde hoje é a cidade de Vila Velha. Quase 15 anos mais tarde, foi transferida para Vitória, por suas condições favoráveis. A Baía de Vitória era ideal para fundar uma povoação, pois reunia local para abrigar navios, proteger-se de ataques inimigos, encontrar comida e água em abundância.

Outras duas peculiaridades históricas são apontadas pelo professor. “Apesar de não termos abrigado elites tão poderosas, como as do Rio de Janeiro, da Bahia e de Pernambuco, inicialmente, conseguimos nos preservar, diferentemente de localidades como Porto Seguro, Ilhéus e Paraíba do Sul. Além disso, aqui foi um dos primeiros locais no Brasil em que se instalaram grandes moinhos para a produção de cana-de-açúcar. Por volta de 1595, já tínhamos uma produção muito grande, distribuída entre 10 ou 12 moinhos, comandados por empreendedores portugueses que queriam fazer a América”, relata Ribeiro.

O professor lembra ainda que a brutalidade com que os índios foram dizimados se deu em maior grau no Rio de Janeiro, na Bahia, em Pernambuco e em São Paulo. Aqui no Estado, desde 1549, com a presença de missionários jesuítas como Anchieta, as investidas feitas para o interior visavam muito mais a convencer os índios a abandonar a vida “errante” e viver em aldeias sob a liderança espiritual dos jesuítas – segundo esse religiosos, “para deixarem de ser gentios e selvagens e se tornarem civilizados e cristãos súditos do rei de Portugal”.

Muitas são as histórias acerca da resistência dos botocudos, chamados de Aymorés pelos portugueses. “Eles não falavam a língua tupi-guarani, e seus pajés repudiavam o contato com o branco, o aprendizado do Deus do branco. Então, os botocudos aproveitavam a existência de muitos rios, de mata fechada e de montanhas e se afastavam dos portugueses. Tivemos muitas mortes em consequência do contato com o branco, por meio de doenças, pois os índios não tinham defesa biológica para as enfermidades.”

A partir de 1580, Portugal passa a ser governado pelo rei da Espanha, em guerra com a Holanda, que em 1621, começa a atacar as possessões espanholas. Quatro anos depois, corsários holandeses chegam a Vitória. Só não contavam que uma corajosa jovem de 22 anos iria expulsá-los com água quente.

Nos primeiros 200 anos, a economia local foi baseada na produção de açúcar, tabaco e madeiras nobres – jacarandá, peroba e pau-brasil – para exportação, além de madeiras para consumo e pesca. Homens de maior poder podiam ainda vender alguns índios como escravos em Portugal. O ouro descoberto em Minas Gerais, por volta de 1693, deixou o Espírito Santo isolado durante quase 100 anos.

imigrantes

O Espírito Santo abriga uma das maiores colônias italianas do Brasil. A primeira expedição para cá foi batizada com o sobrenome do seu idealizador, Pietro Tabacchi, já em terras capixabas desde o início da década de 1850. Proprietário de uma fazenda no município de Santa Cruz (atual Aracruz), Tabacchi percebeu o interesse do Brasil pela mão de obra do Velho Mundo e decidiu oferecer terras aos imigrantes em troca do direito de derrubar 3,5 mil jacarandás para exportação.

Em 21 de maio comemora-se o Dia Nacional do Imigrante Italiano, data que se refere à chegada em 1874 da Expedição Tabacchi, com 388 camponeses – trentinos e vênetos – a bordo do navio à vela “La Sofia”, que desembarcou na capital. E hoje, há uma estreita relação entre capixabas e italianos.

Os alemães também fazem parte de nossa colonização e marcam presença em terras capixabas desde 1847. Temos agora o maior número de pomeranos do Brasil. Para expulsar os botocudos que permaneciam no maciço central do Espírito Santo, D. Pedro II enviou um grupo de 163 imigrantes para fundar a colônia de Santa Isabel.

Animado com o sucesso da primeira empreitada, o regente permitiu que novos grupos fossem assentados, surgindo assim Santa Leopoldina em 1857, com imigrantes de Prússia, Saxônia, Hessen, Baden e Baviera, além de outras regiões da Alemanha. Também chegaram famílias de Luxembugo, da Áustria (Tirol), da Holanda e da Suíça, entre outras. Hoje estima-se a presença de mais de 250 mil descendentes de imigrantes alemães.

No município serrano de Santa Maria de Jetibá, colonizado por imigrantes que vieram da Pomerânia, entre o nordeste da Alemanha e o noroeste da Polônia, grande parte das escolas ensina a língua pomerana, praticamente extinta na Europa.

E foi lá também que o professor Hilderson Jacob fez o “Aprenda Pomerano”, primeiro aplicativo do mundo que traduz a língua para diversos outros idiomas.

E se o assunto é imigração, os libaneses estão presentes. Diferentemente dos europeus, que se dirigiram para o interior e fundaram propriedades agrícolas, os libaneses que buscavam o Espírito Santo em consequência da 1ª Guerra Mundial dedicaram-se ao comércio – lojas de tecidos, armarinhos, armazéns de secos e molhados – e às pequenas indústrias. E hoje se destacam em diferentes setores da economia capixaba.

Outra diferença é que, embora também tenha trabalhado muito, a maioria dos imigrantes europeus recebeu apoio de seus países e chegou ao Estado com a garantia de alguns hectares de terra, enquanto libaneses, turcos e sírios vieram sem qualquer segurança institucional.

Muitas foram as influências dos libaneses por aqui, mas, além do comércio, o destaque dessa contribuição está na culinária, bastante admirada pelo capixaba.

Muito da história da imigração de italianos, alemães e libaneses no Estado está registrado em documentos guardados pelo Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, onde é possível encontrar relatos fascinantes.

Convento e Festa da Penha

O Convento da Penha, cartão-postal do Estado e um dos santuários religiosos mais antigos do Brasil, atrai mais de 3 milhões de turistas por ano. Situado em um penhasco, a 154 metros de altitude, no município de Vila Velha, começou a ser construído em 1558, a mando do frei Pedro Palácios.

Realizada oito dias após o Domingo de Páscoa, a Festa da Penha reúne cerca de 2 milhões de pessoas e é hoje a terceira maior de cunho religioso católico no país, atrás somente das homenagens à Padroeira do Brasil, em Aparecida, São Paulo, e do Círio de Nazaré, em Belém, no Pará.

Nossa Senhora da Penha foi proclamada padroeira capixaba pelo papa Urbano VIII em 23 de março de 1630. Mas a aprovação do Vaticano veio apenas em 27 de novembro de 1912.

Folclore

A riqueza de nossas expressões culturais é ainda maior que a diversidade populacional. As representações folclóricas, entre danças, folguedos, festas populares e artesanatos, reúnem mais de 280 grupos, segundo dados do Atlas do Folclore Capixaba.

A troca de experiências entre povos de origens distintas resultou em um mosaico de hábitos e costumes, formando uma identidade cultural peculiar. E foi dessa miscigenação que surgiram manifestações como a Folia de Reis, festejo de origem portuguesa para celebrar o culto católico do Natal, ou o jongo, de matriz africana, que aqui chegou por meio dos negros escravos e se mantém presente nos municípios de São Mateus e Conceição da Barra, ao norte, e de Cachoeiro de Itapemirim, Anchieta e Presidente Kennedy, ao sul.

Temos ainda o alardo, dança dramática dos folguedos de cristãos e mouros, executada nos municípios de Conceição da Barra (Itaúnas), São Mateus e Muruciri, na região norte; o Boi Pintadinho, mantido em Muqui, Guaçuí, Alegre, Divino de São Lourenço, Ibatiba, Mimoso do Sul e São José do Calçado; e as pastorinhas, que após a missa cantam pelas ruas, embaladas pelo som do bandolim, anunciando a boa-nova da chegada de Jesus.

Faz parte do folclore local ainda a força dos temas anuais escolhidos pelos guerreiros do Ticumbi, ao norte capixaba, realizado há mais de 200 anos ao som dos ganzás (pandeiros e chocalhos de lata) e da viola. O Estado reúne ainda centenas de grupos de capoeira, com milhares de praticantes.

O capixaba é um povo hospitaleiro, que gosta tanto de festejar a vida que inventou ritmos próprios. As bandas de congo são a mais importante manifestação da cultura popular do Estado, que reúne mais de 65 grupos, com coreografias próprias, num ritmo marcado por tambores e pela casaca.

Na Vila de Regência, em Linhares, há mais de 60 anos é realizada a Festa do Caboclo Bernardo (Bernardo José dos Santos), filho mais ilustre daquela terra, condecorado pela Princesa Isabel em 1887 como herói nacional, por salvar de naufrágio 128 homens do navio Imperial Marinheiro. Bandas de congo, reis de boi e ticumbi se reúnem para celebrar o herói

Só se fala por aqui

“Pocô” e “massa” são duas gírias logo conhecidas por quem chega ao Estado. Em qualquer lugar do mundo, o vidro estoura, mas aqui ele “poca”. Assim também acontece com algo que é muito bom: fulano pocou na prova, na corrida, na argumentação… E a mãe também vai ameaçar de “pocar” o filho num rompante de raiva, assim como na despedida não vamos embora, e sim “pocamos fora”.

E quando a coisa pocou no sentido positivo, é porque é “massa”. Para facilitar o entendimento, quem tem o privilégio de conhecer nosso Estado e aproveitar um belo verão, o carnaval ou ainda um festival de inverno nas montanhas volta para casa com certeza de que o capixaba e o Espírito Santo são muito “massa”.

Mas também existem peculiaridades linguísticas por aqui. O motorista não para no semáforo, e sim no sinal. E os passageiros “saltam” do ônibus. As coisas não estragam e as pessoas não têm crise de estresse: ambas dão “um tilte”. A lagartixa é taruíra, o pão francês é pão de sal, e ninguém aqui sente agonia, mas sim “gastura”. “Injuriado” é a palavra para definir uma alta dose de irritabilidade, e “como vai?” por essas bandas é “qual é?” mesmo, assim como um simples “não” se torna “é ruim, hein”.

Se for muito grande, é “chapoca”, e enquanto em Minas Gerais, a interjeição predominante é “uai”, por aqui só se fala “iá”, que pode representar surpresa, admiração, indignação e tantos outros sentimentos. Depende da entonação.

E na seara da sedução, o capixaba vai “pro rock” – que pode ser ao som de reggae pagode, sertanejo ou eletrônico – e, se não estiver “palha”, ele vai “pegar” alguém.

Paneleiras

Nas habilidosas mãos das paneleiras de Goiabeiras, em Vitória, o material extraído do solo do Vale do Mulembá é transformado em um dos principais ícones da cultura capixaba: a famosa panela de barro. O trabalho, totalmente artesanal e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), atrai milhares de capixabas e turistas todos os anos ao Galpão das Paneleiras de Goiabeiras, que não pode ficar de fora da lista de lugares a serem conhecidos.
Lá, além de panelas dos mais variados tamanhos e preços, encontram-se travessas, potes e outras peças de barro para comprar.
Tradição artesanal dominada pelas mulheres, a panela de barro é a única maneira de garantir o delicioso sabor da moqueca capixaba e também que o prato seja servido ainda borbulhando pelo calor.

Moqueca capixaba

Se você perguntar qual o prato típico do Espírito Santo, 100% turistas que já estiveram por aqui vão responder: a moqueca capixaba. A grandiosidade do carinho e do folclore com o prato é tamanha que resultou em uma competição com a Bahia que ganhou a mídia nacional. A gente enche mesmo a boca para falar que – com todo respeito aos demais estados – “moqueca só capixaba, o resto é peixada”.

Feita com azeite, alho, sal, tomate, cebola, colorau, coentro e peixe, a iguaria cai sempre nas graças de quem chega ao Estado.

“A moqueca representa entre 75% e 80% da venda dos dois restaurantes. Entre os turistas, dificilmente há um que abre mão de experimentar”, garante o chef Ricardo Bodevan, sócio-proprietário dos restaurantes Atlântica, que nos explicou direitinho como fazer uma tradicional moqueca capixaba.

Ele ainda enfatiza: “Se for fazer em casa, não acrescente nenhum ingrediente, porque pode até ficar gostoso, mas não será moqueca capixaba. O máximo permitido é colocar camarão ao molho. E ela fica perfeita quando acompanhada de arroz, pirão e moqueca de banana-da-terra”, ensina.

Torta capixaba

Na Sexta-Feira Santa, a torta capixaba é prato praticamente obrigatório na mesa de famílias do Espírito Santo. Criada há mais de 400 anos, é fruto das tradições das vilas de pescadores, sob influência das culturas portuguesa, indígena e africana. A torta é considerada o prato mais nobre da culinária capixaba.
De preparo bem mais trabalhoso que a moqueca, ela exige vários ingredientes: cebola, alho, azeite doce, azeitona, limão, coentro, cebolinha verde, tomate, palmito natural, siri, caranguejo, badejo e bacalhau, previamente cozidos e desfiados, além de camarão, ostra e sururu cozidos.
A tradição de preparar a torta ganhou mais força em Vitória, principalmente na Ilha das Caieiras, devido à proximidade com o mar e com o mangue. Lá é realizado o Festival da Torta Capixaba, durante o feriado da Semana Santa, com destaque para as delícias preparadas pelas desfiadeiras de siri da região.

Capixabas de coração

“Eu não sou capixaba, mas me considero um. Vocês que me deem liberdade, mas me considero. Sou casado com uma capixaba, minha família toda mora aqui, e eu quero continuar aqui pelo resto da minha vida.” –  Bruno Schimidt, após a conquista do ouro no vôlei de praia nas Olimpíadas Rio-2016

“Tenho muito carinho pelo Espírito Santo, escolhi viver aqui. Nasci em Salvador (BA), mas foi  no Espírito Santo que tive minha formação teatral e acadêmica. Sou formada pelo Teatro Experimental Capixaba, graduada em História e mestre em Estudos Literários pela Ufes. Só desejo que as autoridades e a iniciativa privada deem à cultura o valor que ela merece.” Suely Bispo, atriz

“Poderia falar de muitas belezas naturais do Espírito Santo e, claro, da verdadeira moqueca. Mas o que mais me atraiu mesmo foi a maneira como fui acolhido pelo povo capixaba. Hoje sou cidadão capixaba, tendo recebido com muito orgulho o título outorgado pela Assembleia Legislativa.” – Waldemar Rocha, presidente da Fenamar

“Sou o que se pode chamar de capixaba por opção e coração. Nasci no interior do Rio de Janeiro, mas vim para cá há 30 anos. Desde então, minha paixão pelo Espírito Santo só tem aumentado. Minha esposa e minhas filhas são capixabas e, mesmo tendo trabalhado por dois anos e meio no Rio de Janeiro, meu coração permaneceu aqui.” Jorge Luiz Ribeiro de Oliveira, vice-presidente de Operações da ArcelorMittal Aços Planos América do Sul

“Reunir tudo em local tão especial, como qualidade de vida, belezas naturais e principalmente oportunidades tão ricas de ajudar as pessoas, me fez um capixaba de alma e coração. Mesmo mantendo o mesmo jeito mineiro de ser, tenho muito orgulho desta magnífica terra e da missão única de viver e aprender muito com todos os capixabas. Já são 20 anos aqui, e espero retribuir sempre, dedicando-me e contribuindo um pouco para o bem da nossa sociedade.” – José Bicalho Júnior, consultor e palestrante.

“Sempre admirei o Estado e o considero um dos mais atraentes e acolhedores que já conheci. Além disso, o Espírito Santo é extremamente rico em suas opções turísticas, tanto na área de lazer quanto no campo dos negócios.”
Celso Duarte, diretor da Vitoriawagen

 

Capixabas da gema

“Represento o Espírito Santo desde sempre (risos), mas no esporte, desde 2004: primeiro no basquete em cadeira de rodas, depois na natação, a partir de 2009 até hoje. E tenho imenso orgulho disso. Em outubro, vou representar nosso Estado no México e a cada competição, agradeço imensamente o carinho do povo capixaba. O Espírito Santo é muito massa.”  – Patrícia Pereira, atleta paralímpica da seleção brasileira

“Sou capixaba com muito orgulho. Repito isso bastante. Temos um dos lugares mais lindos do mundo, clima espetacular, praias e montanhas fenomenais, e nossa gastronomia é maravilhosa. Merecemos mais destaque. Sim, temos definitivamente uma moqueca muito melhor que a baiana (risos), mas somos muito mais que moqueca. Falta união da iniciativa privada e dos empresários com os órgãos públicos.” – Marcus Buaiz, empresário

“Tenho muito orgulho de carregar a bandeira do Espírito Santo por todo o mundo e poder exibi-la após cada Vitória. Só não fiz isso durante as Olimpíadas porque não era permitido. Temos um Estado lindo, com muita gente de bem, trabalhadora, que respeita suas origens e recebe bem o visitante.” Alison Cerutti, o Mamute, medalhista olímpico  de vôlei de praia

“Em todas as oportunidades que tenho de estar em outros estados e países para competições, faço questão de exaltar as qualidades do Espírito Santo e dizer do orgulho que sinto do nosso Estado. Este lugar é maravilhoso.” Natália Gaudio, atleta da equipe brasileira de ginástica rítmica

 

 

 

 

 

 

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