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sábado, 16 outubro, 2021

Supermercados, construção civil, alimentos e celulose vão impulsionar economia em 2021

Empresários e especialistas apostam em crescimento econômico, mesmo com a Covid-19 em alta

Especialistas e representantes dos segmentos ouvidos pela ES Brasil acreditam que alguns setores vão liderar a guinada rumo ao crescimento. Além do cenário global favorável, foram analisados os resultados dos dois últimos trimestres de 2020, em que houve a abertura gradual das atividades e a recuperação em “V” da economia, após queda de 12,8% entre o primeiro e o segundo trimestres.

O PIB capixaba cresceu 9,8% entre julho e setembro e 4,4% de outubro a dezembro, segundo o Instituto de Desenvolvimento Educacional e Industrial do Espírito Santo (Ideies). Os segmentos que vão liderar a retomada este ano são: supermercados, materiais de construção, produção e exportação de papel e celulose, fabricação de alimentos, construção civil, mineração e metalurgia.

“Nos últimos três meses de 2020, a indústria de transformação performou bem em relação ao trimestre anterior, com a fabricação de celulose. Tendo em vista o crescimento mundial, certamente esse segmento é uma aposta neste ano. A fabricação e a venda de alimentos, que se sustentaram em parte graças ao auxílio emergencial, também devem alcançar bons índices. A metalurgia, que não vinha performando bem, deve aquecer com a volta da Samarco”, avaliou Marcelo Saintive, economista-chefe da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) e diretor-executivo do Ideies.

O novo “boom” de commodities esperado este ano, com a perspectiva de crescimento econômico dos principais parceiros comerciais do Espírito Santo, China e Estados Unidos, é mais um fator de confiança.

“A economia capixaba tem um dos maiores graus de abertura do Brasil ao mercado externo. Se as commodities continuarem com alta nos preços e o câmbio seguir em bom patamar para exportações, isso tende a impulsionar o crescimento do estado”, destacou o economista do Bandes e membro do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES) Claudeci Pereira Neto.

A redução dos juros imobiliários para compra de imóveis e a expansão das reformas domésticas em 2020 devem impactar a construção civil e a venda de materiais. A indústria registrou 40,1% de crescimento no último trimestre de 2020 sobre os três meses anteriores, segundo o Indicador de Atividade Econômica da Findes.

Produção de arábica e pimenta-do-reino cresce, conilon cai

A produção agrícola capixaba, medida pelo IBGE, registrou alguns destaques no volume de produção. O mais notável é o café arábica, que aumentou em +51,0% em relação a 2019. Esse resultado, segundo o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), foi influenciado pela bienalidade positiva (produtividade alta ou baixa de uma safra causada pelas variações naturais da planta). A pimenta-do-reino cresceu a produção em 7,9%, favorecida pelo aumento do rendimento, clima favorável e mudas altamente produtivas. E a expectativa é de alta neste ano, por causa da baixa oferta mundial e da alta demanda dos países asiáticos.

Já o café conilon, principal item da agricultura capixaba, registrou queda de 12,2% na produção. Clima desfavorável e insumos mais caros são alguns dos motivos. “Houve elevação dos custos dos insumos, pois alguns fertilizantes são importados e, com o real desvalorizado frente ao dólar, ficaram mais caros”, explicou o diretor de Integração e Projetos Especiais do IJSN, Pablo Lira.

Apesar disso, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo, Júlio Rocha, aposta em alguns produtos para 2021. “As especiarias, principalmente a pimenta-do-reino, estão no auge dos preços, e o aumento da demanda asiática por carnes de boi e de frango também vai beneficiar as exportações”, destacou.

Expectativa é de crescimento econômico em 2021

A economia brasileira deve crescer 3,22% este ano, segundo o Relatório Focus do dia 22 de março, contribuindo para o crescimento global de 4% a 5%, projetado pelo Banco Mundial. China e Estados Unidos, principais parceiros comerciais do Espírito Santo, devem crescer 8,1% e 5,1%, respectivamente, segundo o FMI, e isso traz boas expectativas, já que em 2020 houve retração de 3,5%% na economia americana e crescimento de apenas 2,3% na economia chinesa, o mais baixo desde 1976.

“Quando o mundo passa por uma crise, o Espírito Santo sofre retração com maior intensidade, porém quando a economia aquece o estado tende a crescer mais fortemente que o Brasil”, observou o coordenador de Estudos Econômicos do Instituto Jones, Antônio Ricardo Freislebem da Rocha.

O Espírito Santo negocia com chineses e americanos itens como rochas trabalhadas (mármore e granito), celulose e minério de ferro. A exportação do minério de ferro sofreu no último ano retração de 43% sobre 2019. “Houve redução mundial na demanda, por causa da pandemia. Mas o estado já enfrentava queda nas mineradoras em função dos eventos de 2015 (acidente da Samarco em Mariana) e de 2019 (acidente da Vale em Brumadinho), que resultaram em queda expressiva na indústria extrativa, além da crise político-econômica de 2014 a 2016”, ponderou Antônio da Rocha.

A volta definitiva da economia aos eixos, no entanto, só acontecerá quando a vacinação contra a Covid-19 for massificada. “Não há outro caminho”, avaliou o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Desenvolvimento Econômico, Tyago Hoffmann.

Governo capixaba mantém plano para gerar 100 mil empregos até 2022

O plano de investimentos de R$ 32,9 bilhões lançado em novembro passado pelo governo capixaba para gerar 100 mil empregos até 2022 não vai sofrer alterações por causa da pandemia. É o que garante o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Desenvolvimento Econômico, Tyago Hoffmann. “Não pretendemos, nesse momento, paralisar o plano de investimentos. Temos um grupo de trabalho que está trabalhando nesse sentido”.

Chamado de Plano Espírito Santo-Convivência Consciente, o pacote, criado em parceria com a Federação das Indústrias do Espírito Santo, prevê a realização de obras de infraestrutura pelo poder público e projetos da iniciativa privada. “É uma política anticíclica, que permite gerar renda, empregos e impostos, amenizando a crise”, disse o secretário.
Além de investimentos públicos e privados, o plano contém outros seis eixos: geração de emprego e renda; monitoramento dos impactos na economia; desburocratização; crédito e financiamento; inovação e tecnologia; e medidas tributárias.

“O Espírito Santo tem vantagens em relação a outros estados na atração de investimentos. Temos um quadro fiscal equilibrado, temos capital humano de nível muito elevado e uma sinergia entre o governo e os atores institucionais na busca pela melhoria do ambiente de negócios”, avaliou Marcelo Saintive, economista-chefe da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) e diretor-executivo do Instituto de Desenvolvimento Educacional e Industrial do Espírito Santo (Ideies).

Socorro às empresas

O agravamento da Covid-19 no Brasil e o aumento da ocupação de leitos de UTI no Espírito Santo fizeram o governo do estado decretar nova quarentena de 14 dias na segunda metade de março no território capixaba. Apenas os serviços essenciais puderam funcionar. Para evitar mais uma queda na economia, com o fechamento do comércio, o governador Renato Casagrande anunciou um pacote de R$ 1,8 bilhão para socorrer empresas. As medidas são um incremento das ações de 2020. O novo pacote prevê, entre outras medidas, R$ 250 milhões em financiamentos a empresas, principalmente pequenos negócios, como bares, restaurantes, hotéis e pousadas, e o setor de eventos.

O secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento, Tyago Hoffmann, defendeu as medidas para controlar o vírus. “Estamos preocupados com a repercussão econômica, mas entendemos as restrições como absolutamente necessárias para não chegarmos ao ponto de faltar leitos para quem precisa”. Hoffmann destacou que a redução das contaminações na quarentena anterior possibilitou a abertura gradual da economia, que reagiu nos dois últimos trimestres do ano.

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo, José Lino Sepulcri, avaliou que, apesar dos bons resultados do comércio em 2020, há empresas que podem não suportar novo fechamento. “O faturamento médio do comércio é de R$ 25 a R$ 30 milhões por dia. Ficar fechado por 14 dias vai gerar um rombo enorme”.

Economias globais vão impactar comércio exterior

O crescimento das economias americana e chinesa em 2021 e o retorno das operações da Samarco, em Anchieta, vão melhorar os resultados do comércio exterior capixaba. Segundo o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), no fechamento de 2020, frente a 2019, o recuo no comércio exterior capixaba foi de 24,64%. “Considerando que os Estados Unidos e a China são os dois dos principais destinos e origens das mercadorias comercializadas pelas empresas do Espírito Santo, todo crescimento apresentado por essas economias trará impactos positivos diretos às nossas operações”, afirmou o presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex), Sidemar Acosta.
Ele acredita que o minério de ferro deve se manter o ‘carro-chefe’ no acumulado de volume e valores exportados. “Atualmente, a commodity representa 22% dos produtos embarcados pelo Estado, o que deve ser intensificado com o retorno das operações da Samarco”.

Outros itens também estão performando bem este ano. “Os produtos de ferro e aço, que correspondem a cerca de 22% das exportações capixabas, apresentaram crescimento de 60% nos dois primeiros meses de 2021, em relação ao mesmo período do ano passado. Já a celulose sempre se destacou na pauta capixaba e no primeiro bimestre de 2021 representou 7,5% das nossas exportações”, relatou Sidemar.

Nova rodada de auxílio promete movimentar comércio

Mesmo em valores, parcelas e público-alvo menores, o auxílio emergencial que começou a ser pago novamente em abril pelo governo federal deve movimentar o comércio e garantir a performance do setor em 2021, assim como no ano anterior. Agora, o auxílio emergencial está limitado a uma pessoa por família. São quatro parcelas de R$ 150, R$ 250 ou R$ 375, que vão variar conforme o perfil do beneficiário. Em 2020, foram cinco parcelas de R$ 600 e, depois, quatro de R$ 300. Na nova rodada, 45,6 milhões serão beneficiados contra 68 milhões em 2020.

O superintendente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), Hélio Schneider, explicou que o auxílio emergencial de 2020 beneficiou não só o segmento supermercadista, mas o comércio capixaba, único setor da economia a ter resultados positivos no ano. “O reflexo foi muito positivo. O consumidor quer comprar, mas não consegue, por isso as novas parcelas do auxílio saíram na hora certa”, destacou Schneider.

O varejo brasileiro se beneficiou com a injeção na economia de quase R$ 300 bilhões, que ajudaram a recuperar os prejuízos dos dois primeiros trimestres do último ano. “O comércio teria crescido menos sem o auxílio emergencial, que agiu como contrapeso na economia. No ano passado, 40% dos domicílios capixabas tinham membros que receberam as parcelas”, destacou o diretor de Integração e Projetos Especiais do IJSN, Pablo Lira.

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