Sede do Saldanha será doada para Sesc-ES

O Sesc-ES poderá implantar no local o Museu da Colonização e da Imigração do Espírito Santo, além de realizar obras de restauração da edificação (Fotografia - Carlos Antolini)

O prefeito de Vitória, Luciano Rezende, assina, nesta terça-feira (4), a lei municipal que autoriza a doação da antiga sede do Clube de Regatas Saldanha da Gama, situado em Forte São João, ao Serviço Social do Comércio no Espírito Santo (Sesc-ES)

A solenidade está marcada para as 9h, no próprio Saldanha da Ganha, e contará com a presença do presidente de Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Espírito Santo (Fecomércio-ES), José Lino Sepulcri, e do superintendente do Sesc-ES, Gutman Uchoa de Mendonça, além de convidados.

Com a assinatura do documento, o Sesc-ES, órgão ligado à Fecomércio-ES, poderá implantar no local o Museu da Colonização e da Imigração do Espírito Santo, além de realizar obras de restauração da edificação.

“Com a doação, o objetivo é transformar aquela edificação histórica numa importante atração cultural para a cidade, assim como foi realizado com o Teatro Glória”, destacou o presidente da Fecomércio-ES, José Lino Sepulcri, enfatizando ainda a importância da parceria com a Prefeitura de Vitória para efetivação do projeto.

Ainda de acordo com Sepulcri, os próximos passos após a doação da edificação são fazer a transferência do imóvel e iniciar e elaboração do projeto de recuperação, preservando a sua arquitetura, que é tombada como patrimônio histórico.

“Como uma inovação, estudamos colocar um elevador panorâmico com vista para a baía de Vitória, dando mais atratividade turística ao imóvel. Esperamos que, em dois anos, as obras propostas estejam concluídas”, apontou o presidente da Fecomércio-ES.

Aquisição

A Prefeitura de Vitória adquiriu a antiga sede do Clube Saldanha em 2006, por R$ 2,1 milhões. A edificação possui 2,5 mil metros quadrados. O clube atualmente funciona em espaço próprio (12 mil metros quadrados) ao lado da edificação, que vai do ginásio até a garagem de remo. A muralha é tombada a nível estadual como de interesse histórico.

Durante a primeira etapa de melhorias realizadas para abrigar, em 2010, a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semesp), foram descobertas paredes que podem datar do século XVIII, feitas com conchas, na parte interna do prédio.

A edificação já recebeu visitas ilustres, como o príncipe Dom Pedro de Orleans e Bragança (família real brasileira) e do presidente da República João B. Figueiredo. Nas grandes festas, apresentaram-se Gal Costa, Maysa, Cauby Peixoto, Luiz Gonzaga, Emilinha Borba, Dorival Caymi, entre outros.

(Fotografia – Carlos Antolini)
História

O Forte São João – atualmente conhecido como Saldanha da Gama – foi construído, no início do século XVIII, para ser uma fortaleza e proteger a ilha de Vitória de invasões estrangeiras. Depois, funcionou como cassino e foi, durante décadas, sede de um tradicional clube de regatas da cidade – o que lhe valeu o nome pelo qual é conhecido até hoje.

Tudo começou em 1592, quando o pirata inglês Thomas Cavendish se aproximou com sua esquadra da ilha de Vitória, depois de um saque bem-sucedido a Santos, Estado de São Paulo.

Para se defenderem dos invasores, os habitantes da Vila de Vitória improvisaram, com madeira, pedras, areia, dois fortes na baía: um na base do Morro do Penedo e outro no Morro do Vigia. Depois da expulsão dos piratas, o forte do Penedo foi gradativamente desativado. Já a construção erguida do outro lado da baía foi mantida e deu origem ao Forte São João.

O prédio foi oficialmente comprado pelo Clube de Regatas Saldanha da Gama em 1931. Para empreender mais uma reforma na edificação, em 1934 contratou-se André Carloni, renomado construtor da época. A construção ganhou um passadiço e nova sacada. O salão foi ampliado e a fachada, modificada. Na década de 40, o prédio já contava com cinco pavimentos, incluindo o térreo e as duas torres.

O pátio, que antes abrigava brinquedos, como um carrossel, passou a ser espaço aberto à prática de esportes, festas e solenidades. No local, jogavam-se basquete e futebol e também batizavam-se os barcos de remo, esporte que era orgulho do clube.

Quando foi oficialmente comprado pelo Clube de Regatas Saldanha da Gama, em 1931, o prédio do antigo Forte São João ainda estava às margens da baía e esportes como o remo, a natação e o polo aquático eram muito praticados pelos atletas do clube.

Uma piscina flutuante era montada na baía com a ajuda de barcos e bóias, que demarcavam as margens, para a disputa das provas de natação e jogos de pólo aquático.

A intensa prática de esportes levou atletas do clube a se destacarem estadual e nacionalmente. O mais brilhante da história do Saldanha da Gama foi o desportista Wilson Freitas que, remando, levou a tradição do Saldanha para fora do Espírito Santo. Em sua homenagem, seu nome foi dado ao ginásio que o clube construiu ao lado do antigo forte e seu túmulo foi decorado com a escultura de um barco de remo.

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