28.1 C
Vitória
quarta-feira, 20 janeiro, 2021

Saiba quais sãos os problemas mais críticos para exportadores

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresenta um raio-x dos problemas enfrentados pelas empresas

As elevadas tarifas cobradas por portos e aeroportos são o principal problema enfrentado por empresas brasileiras que operam no comércio exterior. Essas tarifas são consideradas muito impactantes por 51,8% das empresas exportadoras, numa escala de criticidade que vai de um a cinco.

Na sequência, outros três entraves considerados críticos por uma quantidade elevada de exportadores (41% a 43,4%) são a dificuldade de oferecer preços competitivos, as elevadas taxas cobradas por órgãos anuentes e os elevados custos do transporte doméstico (da empresa até o ponto de despacho das mercadorias). No estudo, esses são os percentuais das empresas que indicaram quatro ou cinco em cada entrave – o que significa que esse entrave “impacta muito” ou que ele é “crítico”, respectivamente.

O diagnóstico consta da pesquisa Desafios à Competitividade das Exportações Brasileiras de 2018, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV). O estudo, o maior feito no Brasil, ouviu 589 empresas exportadoras e apresenta um raio-X dos problemas que os empresários brasileiros enfrentam para poder vender bens e serviços para o exterior.

A baixa efetividade do governo para superar entraves internos à exportação e o alto custo do transporte internacional também aparecem entre os principais problemas. Eles foram apontados como muito críticos por 39,4% e 39% dos exportadores, respectivamente.

Cerca de 36% dos exportadores também consideram crítica a proliferação de leis, normas e regulamentos de forma descentralizada; a existência de leis complexas e conflituosas e pouco efetivas; e as múltiplas interpretações de requisitos legais pelos agentes públicos.

Na avaliação da CNI, os resultados mostram que os principais entraves são relacionados ao transporte e às elevadas tarifas e que há necessidade de forte cooperação entre os setores públicos e privados

“De um lado, o governo precisa enfrentar problemas estruturais do Brasil, por meio de reformas. De outro, as empresas precisam investir em produtividade e inovação”, afirma o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi. “Uma vez que o câmbio está mais favorável às exportações, os problemas estruturais, de produtividade e de inovação se tornam mais visíveis”, diz Abijaodi.

No que diz respeito à cobrança de taxas, o estudo revela que o governo não tem tido a capacidade de fazer uma regulação transparente e de se adequar às normas internacionais. Estudo da CNI divulgado em setembro mostra que a Confederação questiona a legalidade de sete taxas cobradas em operações de comércio exterior. Na maioria dos casos, não há um teto para a cobrança dessas taxas, o que significa um conflito com as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Há uma proliferação de órgãos anuentes, de terminais portuários e de armadores que impõem taxas e tarifas diversas. O governo não tem dado a atenção devida ao assunto e não o tem regula de forma adequada”, afirma o diretor.

No que diz respeito ao custo do transporte, a CNI considera que o quadro é resultado da falta de investimento em infraestrutura e na questão regulatória. Esta última se agravou com a greve dos caminhoneiros e o tabelamento do frete, que encarece ainda mais o transporte.

Perfil

As empresas de micro, pequeno e médio porte são 77,2% dos exportadores brasileiros representados na pesquisa. Segundo o Serviço de Estatística da União Europeia (Eurostat) utilizada como parâmetro, companhias que empregam de 1 a 49 funcionários são consideradas micro e pequenas empresas. As empresas de médio porte possuem entre 50 e 250 empregados, e as grandes empresas têm 250 ou mais funcionários.

Aproximadamente um terço dos exportadores possui um faturamento anual bruto de até R$ 10 milhões e outros 36,3% faturam anualmente entre R$ 10 milhões e R$ 50 milhões.

A maior parte das empresas exportadoras se concentra no Sul e Sudeste do país. Juntas, as duas regiões geográficas abrigam 90,8% dos exportadores, sendo que 58,3% das empresas se localizam nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O levantamento

A pesquisa “Desafios à Competitividade das Exportações Brasileiras” de 2018 ouviu 589 empresas exportadoras entre outubro de 2017 e março de 2018 e apresenta um raio-X dos problemas que os empresários brasileiros enfrentam para poder vender bens e serviços para o exterior. A maioria das empresas atua no comércio exterior há mais de 10 anos, o que revela a persistência dos problemas apontados por elas.

Na edição anterior da pesquisa, publicada em 2016, o custo do transporte figurava como o obstáculo considerado mais crítico pelos empresários, seguido pelas tarifas cobradas por portos e aeroportos e pela baixa eficiência governamental no apoio à superação das barreiras às exportações.

- Publicidade -

Matérias relacionadas

Otimismo para fechamento de 2020 na indústria

Apesar do faturamento ainda negativo, com queda de 1,9% no acumulado do ano, investimentos começam a sair do papel

Rússia anuncia registro de vacina sem mostrar estudos; Paraná prevê produção

Na terça, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que precisa avaliar os dados da pesquisa antes de tomar posição.

Grande explosão causa pânico em Beirute

O ministro da Saúde do Líbano, Hamad Hasssan, disse que mais de 25 pessoas morreram e mais de 2,5 mil ficaram feridas

CNI aponta confiança de empresários em 10 setores industriais

Órgão consultou 2.305 empresas entre 1º a 13 julho. Saiba mais! O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) teve melhora em 29 dos 30...

Sesi oferece curso para gestores sobre retomada de atividades

Objetivo é preparar equipes para volta ao trabalho. Confira! O Serviço Social da Indústria (Sesi) oferece curso gratuito, a partir desta terça-feira (21).  O objetivo é...

CNI: confiança dos empresários da indústria melhora pelo 3ª mês seguido em julho

As expectativas com relação aos próximos seis meses já são otimistas", destacou a CNI, no documento. Confira! Por Eduardo Rodrigues (AE) Após bater no fundo do...

ES Brasil Digital

ESBrasil-184 - Retrospectiva
Continua após publicidade

Fique por dentro

Sicoob inicia 2021 com recordes de movimentações financeiras

Instituição tem atuado para facilitar acesso a produtos e serviços financeiros aos seus mais de 5 milhões de cooperados

Concessão da Codesa: o que muda!

A Federação das Indústrias do Espírito Santo promoveu uma audiência para esclarecer o setor produtivo sobre o processo de desestatização da Codesa, a Companhia Docas do ES

Produção agropecuária de 2020 alcança R$ 871 bilhões

as variáveis determinantes para os resultados estão relacionadas aos preços dos produtos no mercado interno

Balança comercial do agronegócio soma US$ 100,81 bilhões em 2020

esses setores foram responsáveis por 80% das exportações do agronegócio em 2020, contra os 78,9% de participação registrados em 2019

Vida Capixaba

Prêmio de fotografia ‘As belezas que Anchieta viu’

O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) divulgou, nesta terça-feira (19), o resultado do prêmio de fotografia “As belezas que Anchieta viu”

Novas espécies de insetos são descobertas no Espírito Santo

Oito novas espécies de insetos foram descobertas na região norte do Espírito Santo

Festival verão sem aglomeração

O Festival de Verão sem Aglomeração acontece de 18 a 23 de janeiro
Continua após publicidade