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sábado, 27 fevereiro, 2021

Rússia anuncia registro de vacina sem mostrar estudos; Paraná prevê produção

Na terça, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que precisa avaliar os dados da pesquisa antes de tomar posição

Por Gonçalo Junior (AE)

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse na terça-feira, 11, ter registrado a primeira vacina contra a covid-19, após menos de dois meses de testes em humanos. Isso abre caminho para a imunização em massa da população local, ainda que a fase final de ensaios clínicos não tenha sido concluída. A ausência de estudos publicados sobre o imunizante e o ritmo acelerado dos testes têm motivado desconfiança da comunidade científica. Na terça, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que precisa avaliar os dados da pesquisa antes de tomar posição. Já o governo do Paraná vai assinar acordo com Moscou para testar, produzir e distribuir a vacina russa.

Na TV estatal, Putin afirmou que a vacina, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, é segura e que até mesmo foi administrada em uma de suas filhas. “Funciona de modo muito eficaz, cria forte imunidade e, repito, passou em todos os testes necessários.” A Rússia diz que a pesquisa está na fase 3, última e mais importante para desenvolver vacinas, para atestar segurança e eficácia. Não divulgou, porém, estudos em revistas científicas sobre resultados. Na Rússia, é possível registrar imunizantes após a 1ª rodada de testes, com pequenos grupos.

Putin espera que o país comece a produzir a vacina em larga escala em breve. A imunização deve começar em outubro. Profissionais de saúde russos que tratam pacientes com a covid-19 terão a chance de se voluntariar para serem os primeiros, juntamente com professores, disse uma fonte à agência Reuters mês passado.

O nome do imunizante será Sputnik V, referência ao 1º satélite orbital, lançado pela União Soviética em 1957, na Guerra Fria, e que deu início à corrida espacial. Para a Rússia, liderar a corrida das vacinas é um caminho para maior influência geopolítica e não depender de potências ocidentais. Em julho, autoridades de segurança dos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá acusaram hackers ligados a um serviço de inteligência russo de tentar roubar informações, o que foi negado pelo governo Putin.

Jarbas Barbosa, diretor-assistente da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da OMS, disse que só poderão recomendar um produto após pré-qualificação, que demanda analisar dados dos testes.

No Brasil

O governo do Paraná anunciou acordo com o governo russo para fabricar a Sputnik V. O acordo prevê que o Estado realize testes, produza e distribua a vacina. O embaixador da Rússia no Brasil, Sergey Akopov, tem encontro agendado hoje com o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD). A expectativa é de que o encontro formalize a parceria para a produção da vacina.

Após a assinatura do acordo, o próximo passo é o compartilhamento do protocolo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para liberar as próximas fases. O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), do governo estadual, deve ser um dos polos de produção e distribuição para a América Latina. A Anvisa disse ontem que ainda não havia recebido pedidos de autorização de pesquisa ou registro. Afirmou ainda que não pode prever o tempo necessário para dar o aval e frisou “foco na segurança e eficácia”.

“Não vamos avançar se não tivermos anuência dos órgãos reguladores, como a Anvisa e a Comissão Nacional de Ética e Pesquisa. Ainda é uma fase inicial”, disse ao Estadão o biólogo Jorge Augusto Callado Afonso, diretor-presidente do Tecpar.

O convênio deve prever testes da fase 3 em paranaenses. Caso a tenha aval da Anvisa, o Paraná estará autorizado a produzir e distribuir a vacina em seu território, o que daria vantagem na transferência de tecnologia. O convênio permite ainda que o Estado saia na frente em eventual campanha de vacinação. O modelo é semelhante ao da parceria entre o Instituto Butantã, em São Paulo, e a empresa chinesa Sinovac Biotech, cuja vacina também está na fase três de testagem.

Callado mostra cautela sobre eventuais campanhas de imunização no País. “A comunidade científica no Brasil cita o período do 2º semestre de 2021 como prazo responsável. Antes disso, está arriscando muito.” (Com Milibi Arruda, Mateus Vargas e agências internacionais).

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