Ruínas de Queimados serão restauradas até maio de 2019

Foto: Renato Cabrini

A obra será iniciada até novembro e o investimento ultrapassa R$ 1 milhão de reais

A Prefeitura da Serra assinou um acordo de Cooperação Técnica Financeira para a obra de restauração do sítio histórico São José do Queimado nesta sexta-feira (20). O documento, que foi assinado na praça da estátua Chico Prego, em Serra, tem a intenção de transformar o local em um verdadeiro museu a céu aberto.

“Para firmar esse acordo, buscamos o governador Paulo Hartung, mostrando a importância dessa obra. Ele concordou de imediato e sinalizou uma parceria com o Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espírito Santo (Sindicades), que, prontamente concordou com a proposta e isso foi bom para nós”, contou o prefeito da Serra, Audifax Barcelos.

Audifax informou que a obra iniciará em até dois meses e tem a previsão de duração de oito meses. Além disso, serão investidos mais de R$1 milhão nas obras de restruturação. E, para ele, é um evento muito importante em dois aspectos.

Prefeito Audifax assinando o acordo técnico que garante a restauração das ruínas / Foto: Renato Cabrini

“Primeiramente , resgatará a história e a luta dos negros nessa cidade, no Estado e também no Brasil. Além de um aspecto cultural, porque o local vai virar um ponto de turismo.”m afirmou o prefeito.

“A insurreição dos queimados é uma das mais importantes do Brasil e tem um cunho cultural importantíssimo. Vamos valorizar os negros nesta cidade e estamos resgatando isso justamente porque é uma luz do resgate da luta dos escravos que estiveram na nossa cidade e a fundação da Serra passa por essa luta também”, completou.

De acordo com o secretário de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer (Setur), Alessandre Motta, “há 40 anos a sociedade e os órgãos públicos estão tentando resgatar esse patrimônio histórico. Agora será possível também com o apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)”.

O secretário destacou que este é um momento muito importante para a cidade da Serra. “Diante de tudo o que ocorreu no passado, é um momento de evidenciarmos e destacarmos toda a estruturação quanto a revitalização”, afirmou.

O acordo foi assinado na praça da estátua Chico Prego, em Serra-sede. / Foto: Renato Cabrini

Após a assinatura do acordo de cooperação técnica houve apresentações culturais como congo, relatos históricos, capoeira, hip-hop, entre outras.

Obra

Visando a preservação da identidade do patrimônio histórico e cultural, nada será retirado nem construído no local. “Serão feitos ajustes na estrutura, para garantir a sustentação da igreja, permitindo que as pessoas visitem as ruínas em segurança. Queremos que as pessoas sejam orientadas por guias turísticos e conheçam a história do Queimado”, explicou o secretário Alessandre Motta.

O secretário destacou, ainda, que antes de ser autorizado o início da restauração, foram realizadas atividades de prospecção arqueológica em um raio de 700 metros em torno do que restou do templo.

Foto: O templo será restaurado em até oito meses . – Foto: Renato Cabrini

Ele frisou que as obras estão impossibilitadas para a visitação por conta do risco de desabamento das paredes. Depois das obras o acesso será liberado e a visitação será livre. O cemitério, localizado atrás das ruínas também passará por uma obra para auxiliar a visitação.

Queimado

Palco de uma insurreição de escravos liderada pelos heróis Chico Prego, João da Viúva e Elisiário, em 1849, o local foi tombado pelo Conselho Estadual de Cultura em 1993. Está localizado a cerca de 25 quilômetros da capital Vitória. O sítio histórico foi palco do principal movimento contra a escravidão no Espírito Santo: a Insurreição do Queimado.

O movimento tão forte que para contê-lo foram necessários forças vindos do estado do Rio de Janeiro, além de capixabas. Em 19 de março de 1849, escravos da localidade de São José do Queimado, hoje distrito de Queimado, se revoltaram por causa de uma promessa do frei italiano Gregório José Maria de Bene. Se os escravos construíssem a igreja de São José, teriam alforria, mas isso não aconteceu.

Mais de 300 homens, mulheres e até crianças participaram desta rebelião capitaneada por Chico Prego, João da Viúva, Elisiário e muitos outros líderes que articularam seu povo para tomar a liberdade com as próprias mãos.

A insurreição foi um movimento tão forte que para contê-la foram necessárias forças vindas do estado do Rio de Janeiro, além das capixabas.

Os rebelados foram presos e julgados, cinco deles condenados à morte. Um dos líderes da Revolta, Elisiário, escapou da cadeia e refugiou-se nas matas do Morro do Mestre Álvaro e nunca mais foi recapturado. Chico Prego foi capturado e enforcado, em 11 de janeiro de 1850. Hoje, ele nomeia a Lei de Incentivo Cultural do Município.

 

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