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quarta-feira, 29 junho, 2022

Razão & Sustentabilidade

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Diante da necessidade da expansão de visão, a solução pode estar na base do pensamento

Por Sidemberg Rodrigues

 Proposto para substituir o antigo modelo mental de desenvolvimento sustentável conhecido como o Triple Bottom Line (tripés econômico, ambiental e social) a Sustentabilidade em Seis Dimensões inspirou inegáveis ganhos em termos de expansão de consciência nas instituições, propondo uma visão tão filosófica quanto pragmática para os três setores da sociedade. Se alguns vieses da vida ficavam invisíveis no antigo modelo, com as dimensões Econômica, Ambiental, Social, Política, Cultural e Espiritual interagindo – e se afetando – a subjetividade ganhou maior concretude, afinal, a vida tem muitos ângulos. Isso facilitou intervenções mais efetivas e a mensuração dos resultados das ações empreendidas.

Especialmente na esfera Social, com a decantação de diversas abordagens para algo que parecia um todo indivisível e impenetrável. Na dimensão Econômica, não apenas a parte da viabilidade financeira evidenciou sua importância para a qualidade de vida já que tudo precisa de investimento, como também se explicitou a necessidade de metodologias, hierarquias e tecnologias para o desenvolvimento econômico funcionar a contento. Na dimensão Ambiental, além de desmatamento, equacionamento do lixo e resíduos em geral, questões da água e de emissões atmosféricas, entre outros, incluiu-se a noção de ‘espacialidade’. Com isso, a perspectiva logística passou a figurar nas análises, assim como a ideia de ‘território geográfico e social’ para se gerir as atuações. Isso também arrefeceu extremismos no debate sobre as duas grandes ‘Ecos’: a ecologia e a economia.

A dimensão Cultural expandiu a importância antropológica das tradições, referências, identidade e raízes, incluindo o ‘pertencimento’ dos povos. A dimensão Espiritual resgatou o foco no sujeito e no autoconhecimento para o bem estar do ‘uno’ diante do ‘múltiplo’ e da ‘totalidade’ (volume x dinamismo x imediatismo x diversidade contemporâneos). Esta dimensão também destaca a integridade, o holismo, o autoconhecimento e a compaixão para o equilíbrio de qualquer visão que se pretenda sustentável, preconizando o aprimoramento – contínuo – do ‘senso moral’.

A dimensão Política, muito mais que focar em aspectos político-partidários que influenciam a vida em sociedade e que por vezes a destroem em nome do individualismo e da ganância, passou a sublinhar a força das relações e representações em geral. Expandiu-se o conceito de política para acepções mais amplas, até porque ela também existe em todas as instituições, influenciando ações, positiva e negativamente. Assim, ficou mais nítido que tudo pode ter um viés de ‘influência relacional’ determinante e imprescindível para que exista maior equilíbrio de forças entre os fluxos decisórios. Afinal, tudo merece existir. Todos são importantes e algo só é realmente bom quando é bom para todos. O pensar coletivo continua a mola mestra do desenvolvimento. Se é que ainda há espaço para uma ‘fórmula civilizatória’, esta deve começar pelo melhor da sustentabilidade: sua racionalidade.

Sidemberg Rodrigues é Professor de Sustentabilidade em cursos MBA, escritor e cineasta

 

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