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segunda-feira, 29 novembro, 2021

“Dei autonomia aos ministros, não soberania”, diz Bolsonaro

Em pronunciamento, presidente justificou que os ministros precisam estar junto com ele senão não deveriam estar no “comando”

Por Aline Pagotto

Após pronunciamento do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, o presidente Jair Bolsonaro foi a público falar sobre as demissões do juiz e do ex-diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo, publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (24).

Bolsonaro convocou todos os ministros para participar de seu pronunciamento. Em sua fala, ele diz não ter mágoas de Moro, mas que ele não o desejava como presidente da República. “Tomei café da manhã com alguns parlamentares, e lhes disse que a partir das 11 horas da manhã eles conheceriam a pessoa que tem compromisso consigo mesmo e com o ego. Ele não me quer sentado à cadeira da presidência. Logo após, ele marcou uma coletiva de imprensa”, disse.

Segundo o presidente, o ex-ministro marcou uma coletiva para falar coisas que não tem fundamento. “Eu lamento. Nós que estamos na linha de frente temos algo melhor para falar do que a nossa biografia. Aqui tem ministros que “apanham” todos os dias, mas lutam contra uma doutrinação de décadas e que mostram que a educação do Brasil nunca esteve tão mal. Por exemplo, o diploma hoje passou a ser um objeto figurativo.”, destacou.

Sobre os conflitos, Bolsonaro disse que é muito difícil a convivência com pessoas que pensam diferente. “Eu sempre fui do diálogo. Você não vai encontrar nenhum ministro meu que diga o contrário. Mas o meu compromisso é com o Brasil e com a democracia”, disse em pronunciamento.

O presidente afirmou que nessa quinta-feira (23) conversou com Moro sobre um novo nome para ocupar a diretoria geral da PF, mas não houve diálogo.  Além disso, se mostrou decepcionado com a atitude do ex-juiz da Operação Lava-Jato.

“Ontem, esperava em conjunto com o sr. ministro encontrar um nome para ocupar a PF, apesar dessa ser uma prerrogativa do presidente da República. Estou decepcionado e não esperava essa atitude. Não são verdadeiras as insinuações de que eu tinha interesse em saber sobre as investigações. Ele sabe que nunca o procurei para saber sobre as ações que estavam investigações, não como interferência, mas como apelo para saber sobre meu filho “04” e o porteiro. Ontem e eu conversei com o Dr. Valeixo e ele concordou com a exoneração. Desculpe, senhor ministro, o senhor não me chamará de mentiroso.”, finalizou Bolsonaro.

Impressões

Essa pode ser considerada uma tentativa do presidente se proteger, segundo o historiador, professor universitário e consultor de Marketing Político, Darlan Campos. “Ele usou uma estratégia comum que muitos políticos usam para se proteger em períodos de crise, tentando mostrar a ideia de unidade. Falou sobre vários temas, buscando atacar o Sérgio Moro, não diretamente, mas desqualificando algumas ações, tentando passar imagem de uma pessoa simples. Também confirmou algumas teses do ex-ministro e abre processos de justificativa, com um discurso vazio e perdido, mas em uma tentativa de confronto”, disse ele.

Já o cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo, Rodrigo Prando, destaca que o presidente tentou se mostrar como vítima do ex-ministro Sérgio Moro que anseia, sob a perspectiva de Bolsonaro, a cadeira da presidência.

“Foi um discurso desconexo, apresentando a família, colocando questões pessoais, entre outras. Ele esqueceu que o Moro é juiz e que entrou em um embate com o ex-presidente Lula, e mesmo assim o levou à prisão. Quando Bolsonaro o atacou, logo ele respondeu pelo Twiiter. Em síntese, isso é indicativo de que a coisa está ficando muito séria. Bolsonaro tinha como seguir o discurso das três páginas, mas ele preferiu seguir o simbolismo com toda a sua equipe por trás, que significa que está enfraquecido e acoado. Isso ficou claro em seu discurso”, finalizou.

Veja o pronunciamento de Jair Bolsonaro na íntegra:

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