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segunda-feira, 15 DE julho DE 2024

3 projetos da iniciativa privada para garantir recursos hídricos para todos

Empresas como a Suzano e a ArcelorMittal implementam medidas e criam projetos para manter a disponibilidade dos recursos hídricos

Por Kikina Sessa

Assim como o Governo do Espírito Santo, a iniciativa privada também implementa medidas que visam a manter a disponibilidade dos recursos hídricos. Não são poucas as ações em andamento. Uma delas é da Suzano, a maior produtora mundial de celulose e referência global na fabricação de bioprodutos desenvolvidos a partir de árvores plantadas de eucalipto.

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Além de reduzir o consumo de água em suas operações, a Suzano atua em uma outra frente, buscando ampliar a disponibilidade hídrica em todas as bacias hidrográficas situadas em suas áreas de atuação no Brasil. Para isso, mantém um programa de restauração ambiental que busca recuperar e enriquecer áreas com o plantio de espécies nativas ou com a restauração da vegetação nativa.

“Esse é um processo que contribui para ampliar a cobertura florestal e, consequentemente, proteger nascentes e mananciais hídricos”, observa o coordenador de Meio Ambiente Florestal da Suzano, Diomar Biasutti. Ele acrescenta que, com isso, a empresa já restaurou mais de 24 mil hectares de áreas florestais no Espírito Santo, em Minas Gerais e no sul da Bahia. Foram aproximadamente 9,4 mil hectares no Espírito Santo, 11,3 mil hectares na Bahia e 4 mil hectares em Minas Gerais, enriquecendo áreas de Reserva Legal (RLs) e Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Além disso, a Suzano mantém as Reservas Naturais do Patrimônio da União (RPPNs) Recanto das Antas, Mutum Preto e Restinga de Aracruz, localizadas no norte do Estado, que somam mais de 2.400 hectares de áreas protegidas, contribuindo com a preservação de mananciais hídricos e com a biodiversidade.

A ampliação da disponibilidade hídrica envolve ainda outras atividades, como orientação e assistência a pequenos produtores rurais vizinhos às operações florestais da empresa na implementação de práticas agrícolas sustentáveis, o que ajuda a preservar os recursos hídricos. Com a soma dessas ações, a Suzano pretende reduzir a captação de água para seus processos em 15% até o ano 2030 e ampliar a disponibilidade hídrica nas bacias hidrográficas situadas nas regiões onde opera.

Projeto Nascentes

Outro exemplo que vem da iniciativa privada é o Projeto Nascentes, desenvolvido pela ArcelorMittal Tubarão com uma ampla rede de parceiros visando a preservar as nascentes na bacia do rio Santa Maria. Esse projeto recebeu do Ministério do Desenvolvimento Regional o “Selo Aliança pelas Águas Brasileiras”, um reconhecimento do governo federal que destaca os cuidados com as bacias hidrográficas do país, valorizando a contribuição desses projetos para a preservação dos recursos hídricos nacionais e para o desenvolvimento sustentável.

O Nascentes é fruto de uma parceria com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a Fundação de Desenvolvimento Agropecuário do Espírito Santo (Fundagres), o Ministério Público do Estado do Espírito Santo, o Comitê de Bacias Hidrográficas e a Prefeitura Municipal de Santa Leopoldina.

Utilizando técnicas de cercamento associadas a pesquisas com modelos de recomposição agroflorestal da cobertura verde do local, o projeto inclui regeneração natural da flora e ações ambientais educativas com os produtores rurais da região. Em três anos de atuação, foram monitoradas 52 nascentes, sendo que 37 apresentaram necessidade de cercamento para sua conservação.

Cachoeira das Andorinhas no município de Santa Leopoldina - Foto: Fabricio Lima/Next Editorial
Cachoeira das Andorinhas no município de Santa Leopoldina – Foto: Fabricio Lima/Next Editorial

Sociedade se mobiliza em prol das águas

Após a estiagem que castigou o Espírito Santo em 2017, um grupo de pessoas de Cachoeiro de Itapemirim decidiu que precisava se unir e fazer alguma coisa para garantir os recursos hídricos. Daí surgiu em 2018 o Instituto Pacto pelas Águas Capixabas (Ipac).

Nesse curto período, muita coisa já foi feita, começando pela produção de 98 mil mudas de espécies nativas da Mata Atlântica.

Cerca de 20 mil mudas por ano são cultivadas no viveiro em Jerônimo Monteiro, em parceria com diversos atores, incluindo cooperativas e a Universidade Federal do ES (Ufes).

As mudas produzidas pelo Ipac abastecem os produtores inscritos no Reflorestar, do governo do Estado. Elas não são vendidas e sim trocadas por cestas básicas (50 mudas por uma cesta), que são doadas para entidades filantrópicas da região, explicou o diretor técnico e voluntário do Ipac, José Arnaldo de Alencar.

Outro projeto com participação do Ipac é o Microbacia Linda Aurora, uma iniciativa da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Atílio Vivacqua. O foco é recuperar e proteger áreas de preservação permanente, nascentes e conservar e preservar o solo e as áreas de recarga hídrica das propriedades rurais. Resultado: oito propriedades rurais participantes, 17 nascentes protegidas, quatro áreas de mata ciliar em processo de recuperação e 15.010 árvores plantadas.

Já o Águas de Santa Marta é uma iniciativa conjunta com a Escola Família Agrícola de Belo Monte, em Mimoso do Sul. Após um diagnóstico ambiental e social da comunidade de Santa Marta, as articulações para execução do projeto foram iniciadas.

O projeto prevê cuidar inicialmente de 137 nascentes, cercando-as e protegendo-as, e instalar 120 fossas biodigestoras para coleta e tratamento do esgoto de todas as casas da microbacia do córrego Santa Marta, que deságua no rio Muqui do Sul, que abastece a cidade. E, ainda, isolar 11 quilômetros de áreas de preservação permanente e 10 áreas de sistemas agroflorestais.

*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil 222, de julho de 2024. Leia a edição completa do Anuário Verde sobre águas aqui

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