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segunda-feira, 13 julho, 2020

Agricultura leva PIB capixaba para acima da média nacional em 2018

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Produção agrícola é a protagonista do Produto Interno Bruno no Espírito Santo

O Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo fechou o ano de 2018 em alta de 2,4%, ainda que o quarto trimestre do ano tenha recuado -0,2% em relação ao terceiro. Nesse mesmo cenário, o Brasil fechou o ano em 1,1%. O dado foi divulgado nesta terça-feira (19) pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considerando os ajustes para sazonalidade.

O setor de agricultura foi o que mais contribuiu para o crescimento da economia estadual, acumulando crescimento de 40,7%. O comércio varejista ampliado (abrange os segmentos veículos, motos e peças; material para construção e varejo restrito) também contribuiu com estatística positiva com ampliação de 13,5%. Na contramão, o setor de serviços apresentou um decréscimo de -1,1% e o da da indústria geral de -0,9.

O diretor-presidente do IJSN, Luiz Paulo Vellozo Lucas, destaca que o Estado recuperar-se economicamente em patamares superiores ao da média brasileira é uma “tendência que veio para ficar”.

“A recessão que se seguiu em 2014 foi a mais profunda e a mais grave da nossa histórica econômica. É uma recuperação lenta que passa por reconquistar confiança dos empreendedores e nas instituições. A agenda de reformas está aí, mas o Espírito Santo está mostrando que está fazendo a sua parte, principalmente o mundo rural”, destacou o economista.

O maior vetor de crescimento apontado pelo estudo foi a produção agrícola de café tipo Conilon (58,3%) e Arábica (26,1%). “Os problemas climáticos preocupam a todos, principalmente em relação ao protagonismo da Agricultura no próximo ano. Devemos ter problemas por causa das temperaturas muito altas”, antecipa o diretor-presidente

O diretor-presidente do IJSN, Luiz Paulo Vellozo Lucas, analisou o resultado do PIB do Estado (Fotografia – Renato Cabrini)

Para o superintendente do Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café (Cetcaf), Frederico de Almeida, a contribuição da produção foi importantíssima, mas cabe ainda bastante crescimento. “Temos um parque instalado para colheita de 500 milhões de sacas/ano e nossa lavrou fechou em cerca de 3,5 milhões em 2018. Ainda estamos em fase de recuperação da crise causada pela seca no Estado e, agora, com essas temperaturas elevadíssimas no campo, a safra de 2019 pode ser comprometida”, revelou.

Ainda no setor agrícola, tiveram desempenho positivo a produção de pimenta-do-reino (77,1%), cacau (57,7%), coco (26,6%), banana (20,5%), mamão (13,5%), cana-de-açúcar (10,4%), tomate (6,6%) e abacaxi (1,1%).

Em termos nominais, o PIB do Espírito Santo no quarto trimestre de 2018 foi de R$ 30,3 bilhões. Já em valores acumulados, o PIB nominal capixaba totalizou R$ 120,8 bilhões no ano de 2018.

Panorama Econômico

O IJSN divulgou, ainda, o Panorama Econômico com o desempenho dos indicadores setoriais registrados para o quarto trimestre de 2018, bem como para o ano de 2018. No documento é apresentada uma análise detalhada dos movimentos econômicos captados pelo PIB trimestral, além de dados da agricultura, indústria, comércio, serviços, comércio exterior, inflação e mercado de trabalho.

O superintendente do Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café (Cetcaf), Frederico de Almeida (Fotografia – Renato Cabrini)

Os dados positivos da agricultura (+40,7%) ainda repercutem a recuperação após a crise hídrica de 2016. As chuvas ao longo do ano de 2017 e de 2018 ajudaram na recuperação das lavouras. Com isso, a maior parte dos principais produtos da agricultura capixaba (café, pimenta-do-reino, cacau, coco e banana) apresentaram crescimento na produção no ano de 2018.

O comércio apresentou variações positivas em todas as bases de comparação, com exceção da comparação com o trimestre anterior. A venda de móveis e eletrodomésticos (+24,5%), juntamente com veículos, motocicletas, partes e peças (+25,2%), apresentaram crescimento significativo em 2018. Por outro lado, material de construção fechou 2018 com pequena alta (+0,8%), reflexo da recuperação ainda lenta desta atividade.

O setor de serviços encerrou 2018 com retração de -1,1% no volume, devido às quedas nos serviços prestados por profissionais, administrativos e complementares (-10,1%) e informação e comunicação (-5,6%). Apesar da redução, o ritmo de queda do setor vem diminuindo lenta e gradualmente, tanto no Brasil como no Estado. Em relação à receita gerada no setor, houve aumento de +1,9% no acumulado de 2018.

Já na indústria, apesar da taxa negativa do ano (-0,9%), houve redução do ritmo de queda da produção industrial, apresentando sinais de uma lenta recuperação no setor.

Em relação ao comércio exterior capixaba, os resultados foram positivos em todas as bases de comparação. A corrente de comércio capixaba atingiu US$ 3,9 bilhões no quarto trimestre de 2018, maior valor desde o terceiro trimestre de 2015, devido principalmente às exportações, que totalizaram US$ 2,7 bilhões no trimestre. No acumulado do ano o Estado exportou US$8,8 bilhões e importou US$5,0 bilhões.

Veja como ficou a inflação no Estado em comparação ao Brasil (Fotografia – Agência Brasil)

Inflação

A inflação acumulada no quarto trimestre de 2018 na região metropolitana da Grande (RMGV) ficou em +0,4%, influenciada principalmente pelo grupo habitação, que caiu -2,0%, ficando igual a média do Brasil. No acumulado do ano, a inflação atingiu 4,2% na RMGV (acima do Brasil), porém, próximo ao centro da meta estabelecida para inflação brasileira no ano, que é de 4,5% ao ano. Influenciaram nessa base de comparação (acumulado em 2018): educação (+6,0%), transportes (+5,9%), alimentação e bebidas (+5,0%) e habitação (+4,9%).

Em relação ao mercado de trabalho, observa-se também um desempenho positivo no emprego formal, com saldo de 17.389 novas postos de empregos no ano de 2018, fortemente influenciado pelos setores Serviços (+9.018), Comércio (+3.663) e Construção Civil (+3.002). Em decorrência desse aumento, o estoque capixaba de empregos celetistas formais no ano de 2018 alcançou o patamar de 720.548 postos de trabalho.

 

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