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quarta-feira, 5 agosto, 2020

Mais de 821 milhões de pessoas passaram fome em 2018

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Segundo a ONU, a subalimentação atinge 2,5% da população no Brasil

Uma a cada 10 pessoas, em todo o planeta, passou fome no ano passado. Essa foi a conclusão apontada no levantamento feito pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O número totaliza 821,6 milhões de pessoas. Se consideradas as pessoas em condição “moderada” de insegurança alimentar, o total chega a 2 bilhões ou 26,4% da população mundial.

Conforme o documento Estado da Insegurança Alimentar e Nutricional no Mundo, desde 2015, a taxa de prevalência de desnutrição em todo mundo parou de cair e manteve-se em 11%.

“A PREVALÊNCIA DA INSEGURANÇA ALIMENTAR MODERADA OU GRAVE É BASEADA NA ESCALA DE EXPERIÊNCIA DE INSEGURANÇA ALIMENTAR. ESSE INDICADOR VAI ALÉM DA FOME E FORNECE UMA ESTIMATIVA DO NÚMERO DE PESSOAS SEM ACESSO ESTÁVEL A ALIMENTOS NUTRITIVOS E SUFICIENTES DURANTE TODO O ANO”, DIZ O RELATÓRIO.

O estudo destaca a gravidade da situação infantil. É o caso dos 20,5 milhões de bebês que nasceram abaixo do peso (um em cada sete nascidos); dos 148,9 milhões de crianças menores de 5 anos com estatura baixa para a idade (21,9%); e dos 49,5 milhões menores de 5 anos com peso baixo em relação à altura (7,3%).

SEGUNDO O LEVANTAMENTO, CERCA DE 2 BILHÕES OU 26,4% DA POPULAÇÃO MUNDIAL FORAM PASSARAM FOME EM 2018

CONTINENTES

Segundo o relatório, no ano passado, a Ásia (especialmente o sul do continente) teve o maior número absoluto de pessoas com fome: 513,9 milhões no total. Na África, 256,1 milhões de indivíduos estavam nessa situação e na América Latina e no Caribe, 42,5 milhões.

Em termos proporcionais, a situação é mais grave no lado oriental da África, onde uma de cada três pessoas (30,8%) está subnutrida. A ONU aponta como causas os conflitos locais, fenômenos climáticos e a retração econômica.

“JUNTOS, A ÁFRICA E A ÁSIA TÊM A MAIOR PARCELA DE TODAS AS FORMAS DE DESNUTRIÇÃO, SENDO RESPONSÁVEIS POR MAIS DE NOVE ENTRE 10 CRIANÇAS COM ATRASO NO CRESCIMENTO E MAIS DE NOVE ENTRE 10 CRIANÇAS COM DEBILITAÇÃO EM TODO O MUNDO”, ASSINALA A NOTA DA ONU.

DESTAQUE POSITIVO

Apesar de identificar fome, a nota da ONU faz destaque positivo entre os países lusófonos (falantes da língua portuguesa), em especial do Brasil.

“Nos últimos 12 anos, vamos dizer, a prevalência da subalimentação em Angola caiu pela metade, de 55% para 25% da população e em Moçambique também, a prevalência da subalimentação caiu no mesmo período, de 37% para 28%. Ou seja, em ambos os países, a tendência é positiva, porém, a situação continua preocupante. Em Cabo Verde e no Brasil, a situação é melhor. Em Cabo Verde, a fome atingiu 13% da população e menos de 2,5% da população no Brasil”, descreve o relatório.

O documento foi lançado por cinco agências da ONU: a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO); a Organização Mundial da Saúde (OMS); a Agência da ONU para Refugiados (Acnur); o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef); o Programa Mundial de Alimentação (PMA; e o Escritório das Nações Unidas de Assistência Humanitária (Ocha).

Além dos problemas de fome e desnutrição, o relatório da ONU aponta para o problema de obesidade. “Em 2018, a estimativa é de que 40 milhões de crianças menores de 5 anos estavam acima do peso”, diz a nota da ONU.

*Da redação com informações da Agência Brasil.

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