21.8 C
Vitória
terça-feira, 26 maio, 2020

O perigo das fake news

Leia Também

Espírito Santo registra mais de 10 mil infectados pelo novo coronavírus

Segundo o “Painel Covid”, administrado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), destes 5.167 já estão curados.

Associação das academias não reconhece normas para reabertura no Estado

Por meio de nota, a Associação das Academias de Ginástica do Estado (Acages) disse que "não reconhece" a divulgação das novas normas.

Secretários de Saúde apontam diretrizes adotadas pelo ES no enfrentamento à Covid-19

O distanciamento social é uma das medidas fortemente defendidas pelo secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, e pelo subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin.

Prefeitura de Vila Velha lança site com vagas de emprego

A página “Trabalha Vila Velha”, que estará disponível no portal da Prefeitura de Vila Velha, é uma ferramenta fundamental neste momento de crise econômica provocada pelo novo coronavírus.

Redes sociais ajudam na repercussão de boatos e formam bolhas ideológicas  entre pessoas com o mesmo pensamento

Em ano de eleição, um dos assuntos que mais têm chamado atenção por poder interferir no resultado do pleito é o fenômeno das fake news. O significado é simples: são notícias falsas disseminadas na internet, principalmente por meio das redes sociais.

Apesar de estar em alta, informações falsas e boatos sempre fizeram parte do universo dessa rede. Por isso, resta aos usuários ter a percepção do que é ou não é confiável no mundo digital. Com títulos chamativos e informações intencionalmente alteradas e difundidas em memes, os conteúdos são produzidos para se espalhar e acabam influenciando, inclusive, as decisões políticas.

Dois casos de amplitude mundial se tornam destaque quando o assunto são fake news. Em março, a imprensa internacional noticiou o caso da empresa britânica de consultoria Cambridge Analytica, que explorou indevidamente dados de mais de 85 milhões de usuários do Facebook. A eleição de Donald Trump pode ter sido manipulada pela companhia. O segundo episódio refere-se ao resultado da votação pela saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit, que pode ter sofrido interferência da atuação da consultoria.

Realidade nacional

Após o forte embate entre “coxinhas” e “mortadelas” para ver quem conseguia disseminar mais mentiras nas redes, o Brasil assistiu a mais um caso de fake news, impulsionado pela repercussão do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ), alvejada com nove tiros em 14 de março. Uma séria de boatos foi espalhada associando o nome dela à atuação do narcotráfico e também das milícias. Em uma das muitas “notícias inventadas”, talvez a mais compartilhada tenha sido a foto de uma mulher sentada no colo de um homem, na qual se afirmava ser Marielle e o traficante Marcinho VP. A mulher de cabelos cacheados não é a vereadora, e o rapaz que aparece na foto também não é nenhum dos dois criminosos conhecidos como Marcinho VP.

Em seguida, vieram a paralisação dos caminhoneiros e mais uma “enxurrada” de inverdades nas redes sociais. Posts e vídeos compartilhado milhões de vezes, em defesa de diferentes interesses e ou ideologias.

No Espírito Santo, dois casos chamaram atenção na guerra das falsas notícias. Em fevereiro de 2017 durante a greve da Polícia Militar, os capixabas receberam imagens, vídeos e áudios que informavam falsos crimes e conseguiram “desenhar” uma situação ainda mais grave do que a registrada. Já em 2018, o servidor Evandro Boldrine foi exonerado do governo estadual por espalhar informações de uma falsa pesquisa que mostrava um ranking da corrida pelo Palácio Anchieta.

O que diz a lei?

“A legislação não prevê a punição para aquela associação de pessoas ou pessoa jurídica que produz notícias falsas em massa” – Renan Sales Vanderlei, advogado.

A legislação brasileira prevê punição para algumas condutas relacionadas a notícias falsas ou manipuladas, como destaca o advogado Renan Sales Vanderlei, especializado no tema. “Os crimes contra honra – calúnia, injúria e difamação –, quando praticados pela internet, podem ser rotulados como fake news. Para que se tenha uma das modalidades dos delitos contra honra, é necessário que a conduta ofenda a honra subjetiva de alguém, impute falsamente a alguém fato definido como crime ou atribua a alguém fato ofensivo à sua reputação. Logo, em resumo, se a notícia, embora falsa, não ofender, macular e agredir terceiros, não vejo hipótese de crime contra honra”, explicou.

O advogado ressaltou que a prática de crimes contra honra utilizando um meio que facilite a divulgação possui agravante prevista no Código Penal. Isso significa que ofender alguém, por meio de notícias falsas na internet, além de configurar um dos crimes contra honra, implica aumento de pena conforme o conteúdo do artigo 141 do Código Penal.

Como o assunto está em alta e gera polêmica, os parlamentares já se movimentam para dar uma resposta à sociedade, o que pode gerar até mesmo uma nova legislação. Para Renan Sales, diversas condutas praticadas relacionadas ao fenômeno fake news já possuem a devida atenção da legislação. Como exemplo, ele destaca, além dos crimes contra honra previstos no Código Penal, algumas condutas delituosas contidas no Código Eleitoral.

Porém, o especialista entende que é preciso inovar e acompanhar as mudanças. “A legislação não prevê a punição para aquela associação de pessoas ou pessoa jurídica que produz notícias falsas em massa”, apontou o advogado, referindo-se a grupos que, de forma organizada, se unem “com o único e espúrio propósito de confeccionar e divulgar notícias falsas” pela internet. “Esse tipo de conduta deveria ser previsto pela legislação penal, com severas sanções”, considerou.


Fábio Gouveia fala com exclusividade à ES Brasil sobre o assunto.

Todos falam muito de fake news atualmente. Esse fenômeno realmente é recente?
Os boatos sempre existiram na história da humanidade e não nasceram com o WhatsApp e a internet. O assunto ganhou muita repercussão com a eleição do Trump e com o Brexit. Há uma tendência de inversão muito grande na forma como as pessoas se comunicam hoje, muito mais pautada pela emoção do que pela razão. É uma disseminação de informações às vezes motivada apenas por um título chamativo e passional.

Fábio Gouvela

Como as redes sociais contribuem para a disseminação de fake news?
O principal motivo é a própria questão da tecnologia. Estamos conectados pelo telefone celular, um dispositivo com grande capacidade de mobilidade e bem popularizado. Porém, há uma limitação: as pessoas têm menos capacidade de leitura de grandes textos. As informações chegam aos smartphones com a característica gráfica muito chamativa, valorizando título e imagem. Além disso, as redes sociais formam as chamadas bolhas ideológicas. Os algoritmos dos sites são feitos para que usuários não tenham contato com quem “pensa diferente”. Dessa forma, amplia-se a intolerância.

Na Ufes, você coordena o Labic. Há pesquisa realizada sobre o tema no local?
O mais recente estudo foi sobre o comportamento nas redes num momento após o assassinato da vereadora Marielle Franco. Passamos a coletar hashtags associadas ao que estava circulando depois do crime e percebemos um comportamento muito forte de solidariedade nos dois primeiros dias. No momento seguinte, tiveram início os ataques de grupos ligados à direita, que começaram a criar notícias descontextualizadas, inclusive associando a vereadora a traficantes. Isso ganhou tanta força na rede que algumas personalidades, como uma desembargadora do Rio de Janeiro, deputados e militantes do Movimento Brasil Livre (MBL), acabaram republicando com muita força. Também foi identificada a atuação de perfis teleguiados.


Leia mais:

Parecer sobre fake news aprovado em conselho do Congresso Nacional
Facebook testa recurso de alerta para perfis fakes

Continua após a publicidade

ES Brasil Digital

esbrasil_176
Continua após publicidade

Fique por dentro

Com crise, mercado financeiro projeta rombo fiscal recorde este ano

Dados divulgados nesta segunda-feira, 25, pelo Banco Central mostram que a expectativa de déficit primário do setor público para o ano subiu de 7,80% para 8,00% do Produto Interno Bruto (PIB).

Bolsonaro sanciona Nova Embratur e veta incentivos fiscais para setor do turismo

O presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei que cria a "Nova Embratur", com vetos a incentivos fiscais voltados para o setor do turismo.

Projeção do PIB de 2020 passa de -5,12% para -5,89%, aponta Focus

No Focus divulgado nesta segunda-feira, 25, a projeção para a produção industrial de 2020 seguiu em baixa de 3,68%. Há um mês, estava em baixa de 2,35%

Na pandemia, consumidores priorizam pagamento de despesas básicas, diz pesquisa

A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus tem feito consumidores brasileiros priorizarem o pagamento das despesas domésticas mais básicas.

Vida Capixaba

Robô virtual de Vila Velha oferta cursos gratuitos pelo Whatsapp

O primeiro curso divulgado é o “Empreenda Vila Velha Digital”, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Semdec).

Medidas de distanciamento social podem durar até 2022, segundo pesquisa

De acordo com a pesquisa, caso não haja alguma vacina ou um tratamento aprimorado até 2022, medidas de distanciamento social prolongadas ou intercaladas deverão ser tomadas.

Nova avenida Vitória: 75% das obras estão concluídas

As obras começaram há sete meses e contempla a reabilitação e reurbanização da malha viária, além da implantação de ciclovia e trabalho de microdrenagem.

Prefeitura da Serra reduzirá salários de prefeito e secretários durante a pandemia

A intenção é que seja reduzido na folha de pagamento 30% dos salários do prefeito Audifax Barcelos e da vice-prefeita Marcia Lamas, e 10% dos salários dos secretários.
Continua após publicidade