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quarta-feira, 1 abril, 2020

Pátria amada… salve, salve?

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Em muitos países, a bandeira é a representação de uma nação soberana. E no Brasil, nossa pátria amada?

*Por Aline Pagotto 

Pátria amada … O brasileiro é patriota? Respeitamos nossa bandeira? O que ela representa?

“Independência ou morte!” A clássica frase atribuída a Dom Pedro I, no dia 7 de setembro de 1822, às margens do Rio Ipiranga, libertou o Brasil da colônia portuguesa. E logo após um dos episódios mais importantes da nossa história foram criados três símbolos. Para representar o Império sirgiram: a bandeira, o selo nacional e o brasão de armas.

Ao longo do tempo, foram oficializados 13 modelos de bandeira. O símbolo que conhecemos hoje nasceu em 1889, quatro dias após a Proclamação da República, liderada pelo marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do país.

Estamos prestes a comemorar mais um Dia da Independência do Brasil, mas o brasileiro conhece o verdadeiro sentido em celebrar essa data? Cravada em nossa bandeira, a frase “Ordem e Progresso” simboliza o positivismo e o respeito de uma nação com seu povo. Mas onde está o respeito do povo brasileiro, por exemplo, quando vai às ruas para manifestar seu descontentamento com o governo e, em momentos de fúria, rasga e queima nossa bandeira? Queimar a bandeira nacional já foi crime inafiançável.

O Decreto-Lei nº 898, de 1969, tratava como delito o ato de “destruir ou ultrajar a bandeira, emblemas ou símbolos nacionais, quando expostos em lugar público”, com pena de prisão de 2 a 4 anos. O texto foi revogado com o advento da Lei de Segurança Nacional de 1978, que, por sua vez, foi revogada pela Lei nº 7.170/1983.
“O artigo 35 da Lei nº 5.700/1971, em vigor atualmente, não trata como crime (sujeito à prisão), mas como contravenção o ato de destruir ou ultrajar a bandeira, emblemas ou símbolos nacionais, quando expostos em lugar público. E para esses casos, há pagamento de multa”, disse a advogada do escritório Pinto & Modenesi Advogados Associados, Luiza Simões.

Tradições da pátria amada

A utilização da bandeira em eventos esportivos se tornou uma tradição e estimula um sentimento de patriotismo que emociona tanto os atletas quanto o público presente e também quem acompanha pela TV ou outras plataformas. Ao ser ela hasteada juntamente com a execução do Hino Nacional no momento da entrega de medalha, por exemplo, o peito ufanista do brasileiro se enche de orgulho. Em manifestações políticas também é comum vermos a bandeira nacional em vários tamanhos e formatos.

A relação com a bandeira varia de país para país. Enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, ela tem total destaque, no Brasil isso não acontece, destaca o consultor em marketing político e diretor executivo da República Marketing Político, Darlan Campos.
“A maneira como o brasileiro e o norte-americano se relacionam, em via de regra, com suas bandeiras é diferente.

Nos EUA, a tradição democrática é grande, o que faz com que a construção e a consolidação dos símbolos nacionais sejam bem mais profundas do que aqui. Vale lembrar que as transições de regimes políticos no Brasil aconteceram em crises graves. Com isso, a República buscou consolidar um símbolo que representasse a nação, mas não houve participação popular”, pontuou Darlan.

Manifestações

Desde 2013, milhões de brasileiros vão às ruas se manifestar sobre várias causas. Em períodos de eleições presidenciais ou transição de governos, o país se divide em direita e esquerda, e acabam acontecendo muitos protestos. Pessoas vão às ruas “vestidas” com a bandeira do Brasil para demonstrar um patriotismo que por vezes se perde quando entram em cena outros sentimentos ou os próprios interesses.

A historiadora Renata Beatriz destaca que “ao utilizar a bandeira em protestos deveríamos questionar: de qual Brasil estamos falando? Acredito que, mais do que condenar o uso da bandeira, precisamos fazer boas perguntas sobre o que ela significa e quais relações isso tem conosco como povo”.

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