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terça-feira, 27 julho, 2021

Tensão entre familiares de PMs e população

 

Após PM declarar que estava impedida de fazer o patrulhamento, população foi para a porta de quarteis exigir que familiares liberassem a volta dos policiais às ruas

A ida dos primeiros 250 homens do Exército para as ruas foi aplaudida pela população, mas não o suficiente nem para acabar com a onda de assaltos e crimes que começou desde a última sexta-feira (4), em consequência da falta de policiamento nas ruas do Espírito Santo, apesar de ter sido registrado número menor de ocorrências, e nem para acalmar a população, que foi para a frente de quartéis exigir que familiares liberassem os portões e policiais voltassem às ruas.

A tensão foi maior em frente aos quartéis de Guarapari e no Comando Central da PM, em Maruípe, Vitória, onde foi necessária até mesmo a presença do Exército para evitar o confronto. Os familiares de PMs se mantiveram irredutíveis e, nos dois locais, contaram com um cordão de isolamento de proteção feito por policiais que estavam de folga. O comércio permaneceu fechado na Grande Vitória e os poucos estabelecimentos que abriram, contrataram segurança particular.

Também foram registrados 20 roubos de veículos e centenas de arrombamentos e saques em lojas, o que tem trazido muito prejuízo aos lojistas. Segundo o presidente da Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio), José Lino Sepulcri, o prejuízo é ainda incalculável. “São mais de 300 lojas saqueadas, algumas totalmente destruídas, tanto na Grande Vitória, quanto em Cachoeiro de Itaperimim, Colatina, Nova Venécia, Guarapari. Um levantamento por alto aponta quase R$ 100 mil de prejuízos somente com as portas fechadas em todo Estado e mais R$ 20 milhões com as mercadorias roubadas e o que foi quebrado nas lojas. A maioria de nosso comércio é  formado por micro e pequenos empresários que não têm nem condições de acertar esses estragos e repor as mercadorias”, explicou Lino Sepulcri.

 

Os bancos e as unidades de saúde também permaneceram fechados e as aulas form suspensas tanto na rede pública quanto privada. Os ônibus não circularam pela manhã, com algumas exceções. E por volta das 17 horas, os terminais já estavam vazios, o que dificultou muito a vola para casa dos trabalhadores que não tiveram opção de ficar em casa.

Isso porque, de acordo com dados extraoficiais, já são 71 assassinatos no Espírito Santo desde o inicio da paralisação da Polícia Militar, o que também tem causado um outro problema: o Departamento Médico Legal (DML) de Vitória está superlotado, segundo o presidente do Associação dos Investigadores da Polícia Civil do Espírito Santo (Assinpol), Junior Fialho. Na tarde desta segunda-feira (6) havia 12 corpos nas geladeiras e 16 no chão. Os policiais ameaçaram proibir a entrada de novos corpos, mas um acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa (Sesp) resultou em uma força-tarefa para liberação dos corpos.

 

O secretário de Segurança André Garcia, durante todo o dia, reiterou que não haverá negociação enquanto a situação da ruas não for normalizada. Os familiares reivindicam reajuste salarial, pagamento de auxílio alimentação, periculosidade, insalubridade, adicional noturno e a valorização dos policiais, mas a Justiça do Espírito Santo declarou ilegal o movimento dos familiares dos policiais militares, que estão acampados em frente a 11 batalhões da Polícia Militar em mais de 30 cidades do Estado e determinou a multa de R$ 100 mil reais por dia às associações que representam a categoria.

Já a Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Espírito Santo continua afirmando que não tem relação com o movimento embora autoridades chamem o protesto de “greve velada” dos policiais. “A associação não tem nada a ver com o movimento [de mulheres de cabos e soldados]”, reafirma o cabo Thiago Bicalho, do 7º Batalhão da Polícia Militar do Estado e diretor Social e de Relações Públicas da associação.

Batalhão de São Mateus

De acordo com ele, os familiares se revoltaram com a falta de atenção à PM por parte das autoridades. “Os policiais capixabas estão há sete anos sem aumento e, há três, não se repõe no salário a perda pela inflação. Há um descaso total com a Polícia Militar”, afirmou.

As autoridades garantem que os policiais estarão na rua a partir desta noite, uma vez que foi dada a ordem de irem direto aos seus postos, a pé, sem se dirigirem aos quartéis. Uma série de áudios e vídeos tem sido divulgada garantindo que os policiais iriam se aquartelar. Outros dizendo que os policias só aceitariam conversar com o Governo, diante da troca do Secretário de Segurança.. Mas ainda não conseguimos confirmação sobre a veracidade dessas informações.

Batalhão do Ibes, em Vila Velha 

Forças Federais

A Força Nacional foi acionada para ajudar na segurança dos municípios. Na noite desta segunda-feira, 250 homens do Exército já foram para as ruas e até amanhã, a expectativa é para que 1200 homens, sendo 1000 das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica) e 200 da Força Nacional, estejam nas ruas, principalmente em Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica. A previsão do Ministério da Defesa é de que os militares fiquem no Estado até o próximo dia 16 de fevereiro.

Retorno

O governador licenciado, Paulo Hartung, retornou ao Estado nesta terça-feira (07) após passar, na última sexta-feira, por intervenção cirúrgica para retirada de um tumor localizado na bexiga, no Hospital Sìrio Libanês, em São Paulo. Por recomendação médica, segue em repouso e César Colnago se mantem na função de governador em exercício. Hartung realizará uma entrevista coletiva de imprensa, nesta quarta-feira (8), as 9 horas, no Palácio Anchieta.

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