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sábado, 4 dezembro, 2021

Otimismo para fechamento de 2020 na indústria

Apesar do faturamento ainda negativo, com queda de 1,9% no acumulado do ano, investimentos começam a sair do papel

Em todo o Brasil, o setor produtivo precisou realizar ajustes rápidos em linhas de produção para atender ao crescimento da demanda, consequente da preocupação com o desabastecimento. E os momentos de incerteza e perspectivas bastantes ruins não foram poucos.

Mas os números do final do ano já confirmam uma reação da indústria. O mais recente Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgado em novembro, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi de 62,9 pontos, o que representa um crescimento de 1,1 ponto em relação a outubro deste ano.

Desde agosto, o índice registra valores acima dos 50 pontos, e agora se aproxima do pico antes da pandemia, quando atingiu 64,7 pontos, em fevereiro. E as expectativas seguem otimistas, até porque os Indicadores Industriais, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostram a força da atividade industrial no mês de setembro, que registraram aumento na quantidade de horas trabalhadas na produção pelo quinto mês consecutivo e a

Utilização da Capacidade Instalada (UCI) de 79,4%, índice que mede o quanto os equipamentos e os trabalhadores das empresas estão ocupados na produção em relação ao máximo do que pode ser produzido por um longo período sem dificuldades. A pesquisa é feita em parceria com 12 federações estaduais, em estados que respondem por mais de 90% da produção nacional.

De acordo com a pesquisa, o faturamento aumentou 5,2% em setembro e, após cinco altas consecutivas, é o maior desde outubro de 2015. Ele também supera o registrado em setembro de 2019 em 12,6%. Apesar da grande variação na análise mensal, o faturamento ainda é negativo na comparação do acumulado de janeiro a setembro. E registra queda de 1,9% no acumulado do ano.

“Foi uma recuperação mais forte do que o esperado, mas não significa que o Brasil vai voltar a crescer mais de 2% ao ano, como precisa, para o padrão de vida do brasileiro se igualar ao dos países desenvolvidos,” explica o gerente-executivo de Economia da CNI, Renato da Fonseca.

Segundo ele, a indústria conseguiu se recuperar, mas ainda tem alguns problemas nas cadeias produtivas, por falta de insumos, e enfrenta dificuldades como o alto custo de energia, devido aos encargos sobre a conta de luz, e um alto custo tributário pela complexidade do sistema tributário nacional.

“O grande desafio é voltar a agenda de competitividade, principalmente a da reforma tributária, para que o Brasil tenha realmente uma indústria competitiva e volte a crescer mais de 2% ao ano, para o bem de sua população”, diz Fonseca.

Acumulado do ano

Em outubro de 2020, a produção industrial cresceu 1,1% frente a setembro, na série com ajuste sazonal, após altas em maio (8,7%), junho (9,6%), julho (8,6%), agosto (3,4%) e setembro (2,8%). Em seis meses de alta, o crescimento acumulado foi de 39,0%, eliminando a perda de 27,1% que havia sido acumulada entre março e abril, levando a produção industrial ao nível mais baixo da série. Mesmo com o desempenho positivo nos últimos meses, o setor industrial ainda se encontra 14,9% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011. Segundo dados do IBGE.

Em relação a outubro de 2019 (série sem ajuste sazonal), a indústria avançou 0,3%, após crescer 3,7% em setembro último, quando interrompeu dez meses de resultados negativos seguidos nessa comparação. Com isso, o setor acumula perda de 6,3% no ano e queda de 5,6% em 12 meses, uma perda ligeiramente mais intensa do que a acumulada nos 12 meses até setembro (-5,5%).

A influência positiva mais relevante em relação ao mês anterior foi a de veículos automotores, reboques e carrocerias (4,7%). Esse setor acumulou expansão de 1.075,8% em seis meses consecutivos de crescimento na produção, mas ainda assim se encontra 9,1% abaixo do patamar de fevereiro.

Outras contribuições positivas relevantes para a indústria vieram de Metalurgia (3,1%), Produtos farmoquímicos e farmacêuticos (4,5%), Máquinas e equipamentos (2,2%), Produtos de metal (2,8%), Couro, artigos para viagem e calçados (5,7%), Produtos de minerais não-metálicos (2,3%), Confecção de artigos do vestuário e acessórios (5,0%) e Produtos de borracha e de material plástico (2,1%). Essas atividades já haviam registrado avanços em setembro.

Por outro lado, entre as onze atividades que tiveram queda, assinalaram os principais impactos negativos no mês os Produtos alimentícios (-2,8%), que tiveram interrompidos três meses de altas seguidas (expansão de 4,3%), e as Indústrias extrativas (-2,4%), que registraram o segundo mês seguido de queda, acumulando perda de 7,0%. Outros decréscimos relevantes vieram de Coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,2%), de Produtos do fumo (-18,7%) e de Outros produtos químicos (-2,3%).

Setor siderúrgico melhora projeções

O Instituto Aço Brasil informou em outubro que a produção total de aço bruto este ano deverá ser de 30.498 milhões de toneladas, volume 6,4% menor do que o registrado em 2019. Estima-se ainda que o período seja encerrado com queda de 3,1% em vendas internas, atingindo 18.223 milhões de toneladas.

Os volumes de exportações e importações também foram revisados para 1,44 milhão de toneladas (US$ 5.580 milhões) e 1.819 milhões de toneladas (US$ 1.943 milhões). Embora a avaliação tenha melhorado desde a última projeção feita pelo instituto, em julho, ambos os índices continuam apresentando perspectiva considerável de queda, em relação a 2019, de 10,7% e 23,1%, respectivamente.

Ainda segundo o instituto, a crise sanitária baixou para 45% o nível de operações do setor, que atualmente funciona com 63% de sua capacidade, a mesma de janeiro deste ano. Para 2021, a expectativa é de que chegue a 75%.

“Em 2020, pela primeira vez neste século, o mundo todo foi atingido por um desafio inesperado. Acredito que, com espírito coletivo prevalecendo, é possível encontrar formas de superar este cenário pandêmico e seus efeitos na sociedade e na economia. Inovamos como nunca e aprendemos muitas lições no processo” afirma Erick Torres, vice-presidente de Operações de Aços Planos da ArcelorMittal Brasil.

Torres destaca ainda os benefícios alcançados por meio da tecnologia. “Preservamos nossa conexão com as pessoas, mesmo que à distância e, dia a dia, construímos, dialogamos e entendemos como deve ser a vida a partir de agora, com cada vez mais compaixão ao próximo. Para o próximo ano, certamente estamos mais preparados que ontem e, mantendo as ações de prevenção e cuidando uns dos outros, venceremos esta luta.”

Papel e Celulose

Na contramão da crise ocasionada pela pandemia de Covid-19, que fez o consumo de energia despencar entre março e abril, o setor de Papel e Celulose seguiu a todo vapor, sendo o único dentre os 11 principais setores da economia acompanhados pelo Índice Comerc que oscilou dentro da margem histórica. Em outubro, o setor registrou alta de 11,04% no consumo de energia em relação a setembro, maior alta desde fevereiro de 2019; na comparação com o mesmo período do ano anterior, o consumo foi 9,38% maior.

Contramão | O setor de Papel & Celulose foi o único dentre os 11 principais setores da economia acompanhados pelo Índice Comerc que oscilou dentro da margem histórica

Espirito Santo

Em setembro, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI-ES) registrou 60,5 pontos, uma alta de 3,1 pontos em relação a agosto. É importante notar que pela primeira vez, a confiança volta ao nível pré-pandemia, com o quarto aumento consecutivo do indicador, que atingiu o seu maior valor desde fevereiro (62,7 pontos). Os dados foram divulgados pelo Instituto de Desenvolvimento Educacional e Industrial do Espírito Santo (Ideies), em outubro.

Além disso, após cinco meses abaixo da linha divisória dos 50 pontos, em setembro o índice de condições atuais atingiu 53,1 pontos e, com isso, os industriais capixabas passaram a ter uma percepção de melhora das condições de negócio.

O sentimento de recuperação da economia e o retorno gradual de suas atividades fizeram com que os empresários industriais capixabas demonstrassem, também, maior otimismo para os próximos seis meses. O índice de expectativas apresentou o quinto aumento consecutivo, marcando 64,2 pontos.

A presidente da Findes, Cris Samorini, comemorou o resultado. “Na semana em que apresentamos Indicador de Atividades Econômicas (IAE), com o retrato do segundo trimestre, vemos agora a confirmação do que dissemos. Havia indicação de queda de 12,3% no PIB capixaba, mas a gente tinha alertado que os sinais já eram de recuperação”.
Ela destaca que a pesquisa sobre a confiança do industrial capixaba confirma a existência de um otimismo realista. “Os investimentos estão saindo do papel. Vimos a Garoto que acaba de anunciar R$ 200 milhões em expansão e modernização da unidade em Vila Velha, com foco em indústria 4.0.

A Karavan adquiriu os poços de petróleo do Polo Cricaré. A Cacique e a Britânia estão fazendo investimentos importantes em Linhares.

Há novos marcos legais para o gás, avançando no Congresso Nacional e no Espírito Santo, o que vai baratear o custo para a indústria e favorecer novos negócios. A Findes vai atuar junto com o governo estadual na regulamentação da lei estadual, aprovada pela Assembleia Legislativa. Os sinais de retomada são claros e o Espírito Santo sai na frente”,
enumerou Samorini.

O diretor executivo do Ideies, Marcelo Saintive, observou: “A grosso modo, o Índice de Confiança Empresarial reflete a maneira pela qual os empresários avaliam as condições atuais de negócio e as expectativas para os próximos seis meses. O interessante do resultado de setembro é que o indicador não apenas revelou um otimismo mais disseminado em relação ao futuro próximo como também mostrou que, após cinco meses de avaliação negativa, esse foi o primeiro mês após o início da pandemia em que os industriais capixabas revelaram uma percepção de melhora em relação às condições atuais de negócios”.

Saintive destacou ainda que esse sentimento de melhora está alinhado ao início da retomada econômica apontada pelos recentes resultados das pesquisas mensais setoriais do IBGE para o Espírito Santo. “Os resultados mostraram um crescimento de 28,3% da produção industrial na passagem de junho para julho e um aumento de 5,2% no volume de vendas do comércio varejista ampliado que, com esse resultado, superou o seu nível de atividade pré-pandemia”.

Plano de desenvolvimento

A presidente da Findes e o governador Renato Casagrande lançaram em novembro o Plano Espírito Santo – Convivência Consciente, um conjunto de ações envolvendo o poder público e o setor produtivo para promover o desenvolvimento econômico e reduzir os impactos da pandemia de Covid-19.

O plano prevê R$ 32,9 bilhões em investimentos dos governos estadual e federal e do setor privado, até o final de 2022. A estimativa é de que sejam criadas mais de 100 mil vagas de emprego.

“Chegamos a nove meses de gestão com esse desafio e precisamos aprender a conviver com a pandemia. Nossa orientação tem sido sempre debater com todos os setores para mitigar os impactos à sociedade capixaba. Para isso, criamos este Plano, em que temos a previsão de gerar 100 mil empregos para que possamos enfrentar esse ano de 2021, que também será de convivência com a pandemia, pois ainda não existe um plano de imunização nacional por parte do governo federal”, lembrou o governador.

Cris Samorini lembrou que um plano estruturado voltado ao desenvolvimento é uma reivindicação antiga da indústria. “Estamos trabalhando juntos há muitos meses. Temos mantido um ótimo diálogo com o governo.

O momento é favorável: há quatro meses seguidos o Índice de Confiança do Empresário Industrial demonstra que o empresário está otimista. Mesmo na pandemia, temos visto o anúncio de novos investimentos”, finalizou a presidente da Findes.

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