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domingo, 31 maio, 2020

O “vírus” da xenofobia

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Especialistas estão tentando lidar com a doença, mas não tem recursos para sanar os casos de xenofobia que ela tem trazido consigo

Estamos vivenciando no mundo, mais uma pandemia, Covid-19, o novo Coronavírus, doença infecciosa e transmissível que vem se espalhando muito rapidamente entre as pessoas. Um cenário grave, que vem merecendo toda a atenção e respeito. O que não merece respeito é o preconceito que tem aumentado, exponencialmente, contra os orientais, em especial os chineses, causado por um outro tipo de “vírus” que atende pelo nome de racismo. Especialistas estão tentando lidar com a doença, mas não tem recursos para sanar os casos de xenofobia que ela tem trazido consigo.

Pessoas de ascendência asiática têm recebido agressões verbais e ofensas, nos locais públicos e nas redes sociais, além de piadas relacionadas à uma suposta falta de higiene por parte dessas populações. É fundamental não transformar o coronavírus em um problema racial, ou imaginar que a China seria um “celeiro de doenças”. Não é, e não vale se escudar nesse tipo de argumento para tratar mal aqueles que têm tanto a ver com essa história quanto nós mesmos.

Se é possível dizer que o aparecimento do coronavírus é recente, esse tipo de resposta humana diante de surtos ou epidemias é muito antiga. Várias doenças viraram, inclusive, metáfora negativa. O termo “leproso”, por exemplo, vem de um contexto em que essa doença admoestou boa parte da população e assim criou o estigma. O Bacilo Mycobacterium Leprae, também conhecido popularmente como mal de Lázaro, foi desde o século VI associado ao pecado, à desonra e ao castigo divino

A “Peste Negra”, também conhecida como Peste Bubônica, atingiu toda a Europa no século XIV. A doença era transmitida por ratos e pulgas que estavam, por sua vez, infectados com a bactéria Yersinia Pestis. A pandemia tomou uma proporção jamais vista, até então, por conta dos problemas de saneamento básico, que se tornavam estruturais com o crescimento urbano.

Também a “Cólera”, conhecida desde a Antiguidade, teve sua primeira epidemia global localizada em 1817, e gerou muito preconceito. Sujeito colérico é aquele, até os dias de hoje, considerado muito nervoso. O pior é que esse sintoma nada tem a ver com a doença em si. O vibrião colérico é transmitido por meio da água ou de alimentos contaminados. A cólera teria surgido na Índia e se espalhado pelos demais países durante o século XIX. Por isso, não foram poucas as ações discriminatórias acusando indianos de não terem hábitos de higiene, os quais, diga-se de passagem, europeus e americanos também não possuíam.

A “Tuberculose”, também chamada popularmente – e de forma mais uma vez pejorativa no século XIX – de peste branca, criou uma imensa reação discriminatória contra os indivíduos que contraíam a doença, que deveriam ser apartados do convívio social. Só o que há em comum é a maneira como a humanidade sempre reagiu a elas. Toda vez que não foi possível explicar o infortúnio, entender uma grande mortandade, dar guarida ao medo, e assim por diante, a saída sempre foi culpar ao “outro” e agir com racismo.

Sabemos, porém, que a humanidade é dura e teimosa na hora de aprender. Em geral prefere repetir comportamentos, com o racismo sendo uma das nossas maiores “doenças sociais”. Não há vacina que dê conta de exterminar esse mal. A única saída é a educação, porta segura para a diminuição da ignorância e da intolerância de todo tipo, que tem se alastrado de maneira epidêmica, e assim alarmante, entre nós. Ultimamente é moda tratar de forma racista aos chineses, e culpá-los pelo mal que nos aflige. Discriminar os orientais, em especial os chineses não é piada; é crime inafiançável por racismo.

 

Manoel Goes Neto é presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha e diretor no IHGES

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