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sábado, 4 dezembro, 2021

O sono por trás das máscaras

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O brasileiro nunca dormiu tão mal. Pesquisa divulgada pelo Instituto do Sono, 66,8% dos brasileiros passam por alguma dificuldade para dormir

Durante a pandemia nos escondemos das agressões externas pelo vírus com as máscaras. Da mesma maneira escondemos nossos medos, nossas perdas através da racionalidade. É exatamente no momento de inconsciência, que ocorre durante o sono, momento que estamos em estado inconsciente temporário e reversível, que as máscaras caem e deixamos aparecer coisas aparentemente bem guardadas, como as perdas, o medo e a incerteza do que está por vir. É exatamente durante o sono ou na tentativa de retardá-lo que somos desmascarados e deixamos aparecer os “guardados”.

O brasileiro nunca dormiu tão mal. De acordo com pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto do Sono, 66,8% dos brasileiros passam por alguma dificuldade para dormir. O levantamento ouviu 1.600 pessoas de 24 Estados no Brasil, que responderam a um questionário virtual. Além disso, 59,4% das pessoas acordam mais vezes durante a noite.

As preocupações decorrentes da pandemia, a perda de amigos, familiares, mudança de rotina. A insônia com predisposição à ansiedade, depressão e ideações suicidas são reflexos do inevitável confronto que temos quando a inconsciência assume seu espaço. Nesse momento devemos dar toda a atenção ao sono. As manifestações no sono precedem a maioria das doenças psíquicas, sinalizando que algo vai mal e precisa ser resolvido. Seja com comportamentos anormais durante o sono, seja pela resistência a ceder ao sono, temos nas queixas relacionadas a uma noite mal dormida, uma janela para visualizar o sofrimento e abordá-lo precocemente. Intervindo e evitando outros males de maior impacto, como as doenças que podem ocasionar-se por conta da falta de sono, como depressão, diabetes, hipertensão, entre outras.

A insônia gera um efeito de estresse que faz com que o corpo aumente a produção de adrenalina e cortisol e essas substâncias diminuem a ação do sistema imunológico, sendo assim fica aberto o caminho, também, para complicações cardíacas e digestivas.

Outro problema bastante comum é a apneia do sono, que acomete 33% da população adulta e é caracterizada pela interrupção da respiração por 10 segundos ou mais durante o sono. Ronco, engasgos noturnos, acordar com a boca seca são alguns dos sinais da apneia do sono. Como esse é um distúrbio que piora com a idade, os idosos devem ficar atentos.

Algumas sugestões para quem precisa dormir melhor, ainda por conta de hábitos da pandemia: Desligue a televisão, ficar acompanhando as notícias o dia inteiro aumenta a ansiedade, o que prejudica a qualidade do sono; mantenha uma rotina de exercícios físicos mesmo em casa; mantenha seus hábitos de sono; continue indo dormir e acordando nos mesmos horários; antes de dormir faça atividades prazerosas: leia um livro, beba um chá, desconecte-se da tecnologia, dedique-se a um hobby, escute uma música, relaxe! Atividades que relaxam a mente e diminuem a ansiedade, como meditação e yoga também são indicadas.

Jéssica  Polese é formada em medicina pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e especialista em Pneumologia e Tisologia pelo Hospital Julia Kubitschek/MG. Presidente da Associação Brasileira do Sono – regional ES. Professora de Pneumologia da Universidade Federal do Espírito Santo.

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