O que aguardar para 2020?

Expectativa na economia capixaba cresce a reboque de reformas encampadas pelo governo federal

O ano de 2020 está quase batendo à porta e não tem como pensar as expectativas do empresariado para os 12 meses que virão sem levar em consideração as transformações pelas quais passa a economia nacional, embaladas pela recém-promulgada reforma da Previdência e outras que estão a caminho.

A expectativa para 2019 é que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 0,8%, de acordo com o Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon). Para 2020, a projeção é um pouco maior, mais de 1%, com alguns setores esperançosos de que chegue a 2%. Ainda não é o cenário perfeito, mas mostra tendência de avanço e dá o clima de confiança para a retomada econômica no Estado e no país.

“Então, ao enfrentar esse tema (Previdência) e resolvê-lo como foi feito, vamos recuperar tempo, capacidade de investimento do Estado e confiança no país” – Léo de Castro, presidente da Findes

“A reforma tem esse efeito positivo de mostrar para o mercado que o governo está equilibrando suas contas, que está preocupado com a área previdenciária, que é muito importante. E isso faz com que os empresários se animem, produzam um pouco mais, e a economia se aqueça”, resume o presidente do Corecon, Ricardo Paixão, sobre o ambiente.

A remodelação das normas da Previdência mexe com os ânimos do empresariado pelos seus efeitos indiretos. Basicamente, estabelece idade mínima para aposentadoria, traz mudanças no cálculo do benefício e regras de transição para quem já está no mercado.

A previsão é economizar R$ 800 bilhões em 10 anos. Com recursos em caixa, o que se espera é que sejam investidos, principalmente, em infraestrutura, o que faria o dinheiro circular e, por consequência,
aquecer a economia. Além disso, contas saneadas criam o ambiente para a confiança de investidores externos. Por isso, empresários estão animados com o que vem por aí.

Outras reformas

Mas a mudança na Previdência, sozinha, não carrega a alavancada da economia. Diversos setores do Estado citaram a necessidade de dar vazão às outras reformas já anunciadas ou pelo menos aventadas em Brasília. Especialmente às reformas tributária e administrativa. A primeira, que abrange a reconfiguração fiscal, mexe no Imposto de Renda e corta tributos. Já a segunda atinge diretamente a carreira de servidores públicos. Entre as alterações possíveis está o fim da estabilidade econômica.

“Se o governo conseguir avançar nessas áreas, a tendência é que a economia sofra um crescimento significativo acima de 2%. E aí sim a gente consegue tirá-la desse atoleiro em que se encontra”, afirma Ricardo Paixão.

Setores

Cautela nunca é demais, mas positividade também é o clima que envolve os diversos segmentos capixabas. “O investimento do setor público está praticamente zerado. Faltava a confiança dos investidores e dos empresários no país. Então, ao enfrentar essa pauta (Previdência) e resolvê-la como foi feito, vamos recuperar tempo e capacidade de investimento do Estado, a confiança no país. E com isso voltamos a ter um ambiente de uma perspectiva melhor de desenvolvimento e crescimento. E de investimento privado também”, avalia o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Findes), Léo de Castro.

Ele prefere não fazer projeções sobre o setor em números em 2020. Mas mantém a confiança: “Com a economia retomando o caminho de crescimento, o setor industrial volta a contratar mais e volta a investir”.

E onde há investimento, há possibilidade de emprego também. “Vai onerar menos a folha de pagamento e vai favorecer a geração de empregos. Que diminuam as alíquotas de recolhimento tanto por parte do produtor quanto por parte do empregado, e isso vai ajudar a criar empregos”, acredita o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária (Faes), Júlio Rocha.

No comércio, a visão é positiva. “A expectativa é de otimismo. Até porque todos os empresários estavam à espera de uma definição das reformas previstas para o ano. Infelizmente nós só teremos para este ano a reforma da Previdência”, ressalva o presidente da Federação do Comércio de Bens e Serviços (Fecomércio), José Lino Sepulcri.

“A expectativa é de otimismo. Até porque todos os empresários estavam à espera de uma definição das reformas previstas para o ano” José Lino Sepulcri, presidente da Fecomércio

Mas o dirigente explica também o clima otimista. “Lembrando que, a partir do momento que existe uma definição das reformas previstas, qualquer que seja, existe uma resposta imediata da Bolsa. O dólar cai, a imagem do país torna-se positiva, os investidores externos se avolumam de possíveis investimentos no país.”

Sua aposta para o crescimento do PIB é um tanto mais alta que aquela citada por especialistas, entre 1,8% e 2%. “Sonhamos que sairemos daquele patamar de 1,5% e ultrapassaremos a casa dos 3% do PIB. Sonhamos”, reforça Sepulcri.

Comércio exterior

O comércio exterior capixaba, tanto as exportações quanto as importações, prometem crescimento este ano. As importações no período de janeiro a outubro no Espírito Santo subiram 22% e as exportações, 7%. No Brasil, os dois indicadores ficaram estáveis. Para o próximo ano, a expectativa é de crescimento de 40% nas importações e de 14% nas exportações, puxado sobretudo pela volta da operação da Samarco, segundo o presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado do Espírito Santo (Sindiex), Marcílio Rodrigues Machado.

“A reforma tem esse efeito positivo de mostrar para o mercado que o governo está equilibrando suas contas, que está preocupado com a área previdenciária, que é muito importante. E isso faz com que os empresários se animem, produzam um pouco mais”, Ricardo Paixão, presidente do Corecon

Aumento de demanda por importação é bom sinal econômico, explica ele. “Significa que está sendo demandada compra de bens capitais, máquinas, equipamentos, insumos. Se a gente está importando, isso mostra que a economia está com uma tendência positiva, porque só se exporta quando há perspectiva de vender produto, de colocar produtos no mercado. Mas, em recessão, praticamente não se importa nada, porque não tem ninguém comprando nada.”

Ele cita que a aprovação da reforma trabalhista no último ano e a reforma da Previdência neste exercício influenciaram o resultado e a projeção. “E com a reforma administrativa e tributária, estamos prevendo um futuro muito melhor para os nossos negócios, para a nossa sociedade como um todo”, completa Marcílio.

Economia real

No Espírito Santo, manter as contas saneadas também é fundamental para o clima de retomada. “O Estado vem criando um ambiente de negócios favorável aos empresários. Desde 2018, é nota A no Tesouro Nacional. Isso significa responsabilidade fiscal e permite que o Estado capte recursos com uma taxa mais baixa. Você proporciona mais investimentos em infraestrutura”, afirma o secretário de Estado de Desenvolvimento (Sedes), Marcos Kneip Navarro.

Para Vaner Corrêa Simões Júnior, conselheiro do Corecon, ações do governo nos próximos meses e anos definirão os rumos que as economias local e nacional vão tomar. “O que esperamos é que o poder público faça o dever de casa, equilibrando e voltando a ter capacidade de investimento. Assim, vai investir nele e propiciar que o setor privado também invista. Setores como de alimentação tenderão a crescer, vestuário também. Fora essas empresas de mídia pequena, de aplicativo. Ano que vem é ano da economia real, não de correntista”, conclui.

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