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quarta-feira, 1 abril, 2020

Já dizia o grande cientista Albert Einstein

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“Insanidade é continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes” – Albert Einstein

O grande cientista e físico alemão Albert Einstein um dia pronunciou a seguinte frase: “insanidade é continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. No Brasil, convivemos diariamente com manifestações de pessoas indignadas nas redes sociais, inconformadas com o estado de coisas a que chegamos.

No campo político, se revoltam com quem tem cargos eletivos, mas ao mesmo tempo fomentam soluções via “salvadores da pátria”. Nesta toada, já tivemos eleitos presidentes Jânio Quadros, Collor e Lula, para ficarmos só com a parte mais recente da história. O resultado é que um renunciou, o outro foi impedido e o terceiro, após eleger a sua “gerenta” e que também foi impedida, acabou condenado e brevemente será preso.

Na Saúde, área da minha dedicação profissional, as pessoas se mostram insatisfeitas com a qualidade dos serviços públicos prestados, mas são incapazes de mudar a sua visão em relação ao melhor modelo de atendimento. Há um preconceito enorme da população em relação à denominada “privatização”. Parece que preferem manter um atendimento caótico por parte do estado sob o rótulo de que é “público”, a aceitar que a iniciativa privada assuma o papel de prestar um serviço de qualidade, só porque supostamente estará em busca do lucro.

Da mesma forma que não entendo como milhões de brasileiros vão às ruas dias seguidos festejarem o carnaval ao som de Pablo Vittar e Anitta – a ponto de conseguirem subverter o jornalismo da Globonews, obrigado a decretar o fim da crise no Brasil e no mundo nos dias da festança popular – não consigo entender porque a população fica ressabiada com a possibilidade de poder receber um atendimento de boa qualidade, só por imaginar que por trás daquele atendimento, existe um interesse empresarial.

Ora, isto é uma bobagem sem paralelo e explica de maneira cabal o nosso estágio de subdesenvolvimento. Explica o tanto que somos manipulados por camadas corporativistas que, a favor de suas ideologias e privilégios, disseminam ideias falsas no seio de uma população alienada e pueril.

Como exemplo, atualmente vemos burocratas e entidades de servidores públicos espalharem o medo e o terror entre os pobres aposentados contra uma reforma previdenciária necessária aos cofres do país, mas que reduz as mamatas desta minoria privilegiada.

Do outro lado, vemos sindicatos, judiciário e advogados trabalhistas lutarem desesperadamente contra a consolidação de uma reforma que aproxima o Brasil do século XX (Isto mesmo, para o século XXI ainda precisamos de outra reforma) e aumenta as possibilidades de relações mais flexíveis e com melhor remuneração aos trabalhadores indefesos, mas que reduz de forma substancial o poder, os ganhos e os privilégios destas corporações.

Especificamente na saúde, sanitaristas, que no seu passado de estudantes foram enfeitiçados pelo “Manifesto comunista”, almejam para nós o mesmo padrão de desenvolvimento atingido por Cuba e Venezuela, com a defesa ardorosa de que a saúde do indivíduo é patrimônio do Estado e que só ele é capaz de preservar a integridade e a nobreza do atendimento.

Portanto, o Brasil é um país refém de falsos paradigmas, cuja parte mais pobre e indefesa da população sofre com a precariedade das suas condições de vida, mas que manipulada pelas elites políticas e econômicas, sobrevive com as migalhas do pão fornecido pelo estado e com o circo oriundo das suas raízes culturais. Na outra ponta da pirâmide, a minoria endinheirada se alimenta das benesses de um sistema tributário regressivo e dos privilégios conquistados através do aparelhamento do estado pelas corporações. No meio de tudo isto, está o pobre do trabalhador e o infeliz do empreendedor, ambos geradores e contribuintes da riqueza que alimenta os vampiros e os urubus.

Para se ter mais clareza neste debate, no último Congresso Médico e Jurídico, realizado na cidade de Vitória-ES, em setembro/2017, apresentei um estudo onde concluo que na região metropolitana da Grande Vitória-ES, os gastos realizados pelos entes federados no ano de 2016 seriam suficientes para proporcionar à população “SUS dependente” um atendimento de qualidade pela iniciativa privada, com uma redução de custos da ordem de 20%. A síntese deste estudo poderá ser observada nos quadros abaixo

Gastos públicos
Fonte: Revista do Municípios / Estudo do Autor

Se há economicidade comprovada em números de que o atendimento proporcionado pelo estado é mais oneroso do que o atendimento oferecido pela iniciativa privada, a questão que fica é saber se o atendimento de um é realmente de melhor qualidade do que o do outro. Um bom indicativo disto é saber porque cerca de 50 milhões de brasileiros aceitam pagar onerosos planos de saúde privados, se no momento que necessitarem de atendimento tem a sua disposição uma rede extensa de hospitais públicos, gratuitamente garantidos pela nossa constituição cidadã. Desafio os nossos foliões segurados a correr este risco e de quebra economizar uma boa grana. Alguém está a fim de entrar nesta brincadeira?


Benoni Antonio Santos, economista, especializado em Administração de Serviços de Saúde,  sócio-diretor na empresa MBA Consult S/S LTDA.

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