O estado atual da política

André Pereira César é cientista político da Hold Assessoria Legislativa (Fotografia - Marcelo Yamashita)

O que podemos dizer nos 100 primeiros dias de governo do Jair Bolsonaro?

Mais do que a demissão do ministro da Educação Ricardo Vélez, precificada desde a semana passada, chamou a atenção a nomeação do economista Abraham Weintraub para a pasta. A decisão deixa claro o rumo escolhido pelo presidente Bolsonaro.

Em meio às negociações para a votação da proposta de reforma da Previdência, Bolsonaro, em tese, poderia ter oferecido o comando da Educação para alguma bancada robusta do Congresso Nacional. Ao contrário, nomeou alguém já de dentro do Planalto, uma decisão que agrega pouquíssimo no plano político.

Indo além, a presença de Weintraub no comando da Educação deve reforçar os desentendimentos entre os olavistas, grupo ao qual o novo ministro pertence, e os militares. A tensão deve aumentar.

O movimento de Bolsonaro reforça a percepção de que, sob a nova administração, o presidencialismo de coalizão vive um momento de crise. Ao bypassar os partidos e suas lideranças, o presidente tende a se isolar com um pequeno grupo de apoiadores. A análise de qualquer proposta mais delicada politicamente, como a Previdência, fica em risco nesse cenário.

Não é a oposição quem age contra os interesses do Planalto, mas sim o próprio presidente e seus mais íntimos apoiadores.

Na atual toada, Bolsonaro ficará mais e mais à direita da mediana do parlamento. Esse descompasso com os congressistas, somado à perda de popularidade segundo atestam as mais recentes pesquisas de opinião pública, leva o presidente a um terreno pantanoso, onde o imponderável predomina.

O Congresso Nacional, por seu turno, segue avançando em uma agenda própria. Esse é um problema para o governo, que fica com poucos instrumentos para conter a famosa “agenda de bondades” do Legislativo – agenda essa, como se sabe, em geral negativa para o grupo de plantão no poder.

Enfim, Bolsonaro segue criando problemas para si. Não é a oposição quem age contra os interesses do Planalto, mas sim o próprio presidente e seus mais íntimos apoiadores. Sem uma mudança de rumo, com revisão ampla da estratégia política, as possibilidades de uma debacle serão reais.


André Pereira César é cientista político da Hold Assessoria Legislativa

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