22.1 C
Vitória
domingo, 23 janeiro, 2022

O antecipado 2022

Mais Artigos

O difícil 2021 chega ao final mergulhado no processo sucessório do próximo ano

O difícil 2021 chega ao final mergulhado no processo sucessório do próximo ano. O posicionamento do presidente Jair Bolsonaro (PL) antecipou a feroz disputa sucessória que se desenha no horizonte, e o retorno do ex-presidente Lula (PT) ao jogo político acirrou ainda mais os ânimos. Por fim, a chamada “terceira via” realiza seus testes, mas ainda sem ganhar tração.

Afinal, o que esperar desse antecipado 2022?

No âmbito do governo, Bolsonaro e seu entorno estão há tempos focados no processo (re)eleitoral. O titular do Planalto arrancou as últimas máscaras que restavam e, sem constrangimento algum, colocou-se na disputa sucessória. Não por acaso, suas principais políticas são diretamente voltadas para conquistar eleitores que, em tese, votariam em outro candidato – Lula em especial.

Nessa linha, o Auxílio Brasil, o Bolsa Família repaginado e “vitaminado”, tem posição central na ação governista. Com a implantação do programa, Bolsonaro coloca uma marca pessoal e tenta atingir parcela da população que, a princípio, não votaria nele – a região Nordeste é o principal alvo. Resta saber se o eleitor fará a conexão entre o Auxílio Brasil e o Planalto.

Para além desse programa, o Vale Gás, a prorrogação da desoneração da folha de pagamento para dezessete setores da economia e reajustes salariais para setores do funcionalismo também estão no rol da atuação do atual mandatário, que joga de maneira aberta.

No campo ideológico, nota-se uma reaproximação de Bolsonaro com o chamado núcleo duro de seu eleitorado, o chamado “bolsonarista raiz”, que defende uma agenda mais conservadora nos costumes. Nesse sentido, a indicação de um vice evangélico na chapa presidencial faz muito sentido. As conversas estão em curso, com a participação ativa do pragmático Centrão.

No lado da oposição de esquerda, Lula segue liderando com folga a disputa, de acordo com as pesquisas eleitorais. Essa situação por ora confortável tende a mudar a partir de março, quando as pré-candidaturas estarão mais próximas da definição. A partir desse momento, o petista será mais e mais questionado por seus adversários, que lembrarão dos problemas de sua gestão e da ex-presidente Dilma – mensalão e petrolão serão fantasmas a assombrar PT e aliados, assim como o discurso contra a agenda tradicional da esquerda.

No campo da terceira via, o objetivo imediato é encontrar um nome minimamente consistente até o carnaval. Até o momento, o potenciais candidatos não comoveram minimamente o eleitorado – vide o desempenho pífio, nas pesquisas, de João Dória (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Luiz Henrique Mandetta (DEM), Simone Tebet (MDB) e Rodrigo Pacheco (PSD), entre outros. O quadro é dramático para o grupo.

Como “salvação” para a terceira via, surge a opção Sérgio Moro (Podemos). Uma opção, diga-se, sem garantia alguma de que tenha êxito. O ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro é um estreante na política partidária e tem contra si parcela significativa do mundo político. Sua controversa atuação no combate à corrupção não é bem vista por muitas lideranças partidárias. Além disso, é um alvo fácil para seus adversários, dos bolsonaristas (“traidor”) aos petistas (“agiu ilegalmente para derrubar o PT”). No limite, Moro será cobrado por seus atos – “eu sei o que você fez no verão passado”.

Enfim, 2022 teve início efetivo em meados de 2021. Na política, o novo ano será pródigo em emoções.

André Pereira César é Cientista Político e sócio da Hold Assessoria Legislativa.

Continua após publicidade

Fique por dentro

Vida Capixaba