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quinta-feira, 21 janeiro, 2021

O ano de 2020 em retrospectiva

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Estudantes e professores foram, todos, obrigados ao ensino à distância, cuja dinâmica é distinta daquela presença na sala de aula, na escola

Por Rodrigo Augusto Prando

Um ano de muitas perdas, contudo, também, de muitos aprendizados 

O ano de 2020 foi, em nossas vidas, talvez, o ano mais complexo e difícil. Logo saímos do carnaval e já em meados de março fomos atingidos pelo coronavírus e a decretação de uma pandemia. A normalidade da vida cotidiana foi suspensa. Tivemos, todos, em maior ou menor grau, nos adaptarmos ao novo normal.

Nas relações sociais, a sociabilidade, o encontro, a festa, o bar, os afetos, enfim, o contato físico e próximo cedeu espaço para o distanciamento social e, para os infectados, quarentena. Choramos pelos milhares de doentes e mortos, ainda sem encerrar o ano já ultrapassamos os 172 mil mortos. Estamos em compasso de espera. Aguardamos, ansiosamente, uma vacina, que, por aqui, foi politizada. Cientificamente, as vacinas, muitas já na fase três, serão um caso de sucesso, pois jamais, em tempo algum, a ciência e os cientistas no mundo todo avançaram tanto em tão pouco tempo, pressionados pelos dados cruéis da realidade pandêmica.  Nas relações de trabalho, muitos tiveram que devolver suas atividades em home office; as empresas com seus escritórios perderam a centralidade, voltamos a trabalhar em casa, junto aos filhos, familiares, animais de estimação e reuniões com a reforma a todo vapor no vizinho. E, num país estruturalmente desigual, a conjuntura de uma crise sanitária, crise econômica e política, revelou que os mais pobres, moradores da periferia, negros são os mais atingidos, sejam no desemprego e até no número de mortes. A desigualdade de renda e de oportunidades foi desnudada e mostrou-se insuportável. Estudantes e professores foram, todos, obrigados ao ensino à distância, cuja dinâmica é distinta daquela presença na sala de aula, na escola como espaço de socialização.

No campo político, nosso desespero foi enorme. Um presidente negacionista, afeito às teorias da conspiração e de fake news não foi capaz, em momento algum, de agir como líder. Foi um chefe, se muito. O Presidente Bolsonaro tratou a pandemia com menoscabo, desprezou a dor e o sofrimento dos brasileiros, demitiu ministros da saúde médicos e, até, quem iria imaginar, defenestrou o Ministro da Justiça, Sérgio Moro. Foram inúmeras as falas e ações do presidente que levaram o tensionamento das instituições políticas, dos atores políticos, especialmente, o Congresso Nacional e o STF. Bolsonaro e os bolsonaristas deixaram claro seu pouco apreço pela democracia e, não raras vezes, clamaram, desejaram, um golpe, uma ruptura. Nas eleições municipais, a resposta do eleitorado foi de se distanciar dos discursos polarizadores, seja do bolsonarismo e, também, do lulopetismo. Ganharam prefeitos com experiência, com moderação e distantes do ódio reinante nas eleições de 2018. No campo do meio ambiente, uma outra tragédia: Amazônia e Pantanal sofreram severos desmatamentos e queimadas e, somado isso, a imagem do Brasil no exterior nunca esteve tão ruim. Inteligência, pragmatismo e senso republicano de responsabilidade foram substituídos pela rasa visão ideológica de mundo, a ponto do Brasil ser um dos únicos países a não cumprimentar o presidente eleito dos EUA, Joe Biden.

O ano de 2020 foi terrível para o mundo todo, mas foi pior aqui. E, ao que tudo indica, a recuperação da economia, a volta à normalidade, será demorada e não sem traumas e agruras. Percebendo a gravidade da pandemia, comentei e até asseverei em minhas palestras, artigos e lives que a meta para 2020 era terminar o ano vivo, empregado e com sanidade mental. Um ano de muitas perdas, contudo, também, de muitos aprendizados. A grande questão é se tudo o que passamos servirá, no futuro, para nos tornar melhores, individual e coletivamente.

Rodrigo Augusto Prando é Professor e Pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp

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