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quarta-feira, 24 abril, 2024

Navegar é Preciso: As Ondas de Inovação

Ondas Schumpeterianas estão chegando aos nossos mares também e, com elas, investimentos para o nosso Brasil

Por Antonio Marcus Carvalho

É de um russo, o economista Kondratiev, a Teoria dos Ciclos Longos. Resumidamente, a teoria sustenta que a economia se comporta em ciclos: ora expansionistas, ora recessivos. Essa ideia foi brilhantemente aproveitada pelo economista Schumpeter para construir sua tese da Destruição Criativa. Em seu trabalho, ele criou as “ondas de inovações”, com ciclos menores, de ondas menos longas, sustentadas pela inovação e pela empresariedade (capacidade da empresa de estabelecer políticas de retenção de talentos).

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Coincidentemente, foi um russo, Putin, quem recentemente deu início à invasão da Ucrânia e com isso provocou uma expectativa de rompimento da paz de uma aliança regional, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a qual saiu em defesa retórica do país invadido, apesar de este não ser membro da Otan. Articulando o Ocidente, provocou severas sanções militares, comerciais e financeiras, extrapolando essa decisão ao mundo das artes e da literatura — algo que foi denominado por muitos intelectuais como uma convocação à “russofobia”.

Mas o que afetou a vida das pessoas, em todo o mundo, foram as sanções financeiras e econômicas. Ativos foram congelados e seu uso, proibido. Bancos russos foram impedidos de se relacionarem com o Ocidente, salvo raras exceções, imprescindíveis ao próprio Ocidente. O dólar e o euro se valorizaram e, com eles, uma implacável e ascendente inflação assolou a Europa, os Estados Unidos e vários países do mundo. Recessão e empobrecimento se avizinham.

Não bastasse esse abrupto corte nas transações financeiras, veio a proibição de comercialização dos produtos russos. Petróleo, gás, cereais e outros produtos agrícolas, por redução de oferta, começaram a ficar escassos nos mercados e criaram a inflação dos pobres, dos alimentos básicos. Mas, poderá haver prosperidade. O Brasil, por exemplo, tem boas janelas de oportunidade. Quinto maior destino comercial do mundo, uma das dez maiores economias, com riquíssima fronteira de produção agrícola e mineral e boa gestão fiscal, tem fatores críticos de sucesso para os próximos anos.

Com um enorme estoque de liquidez e um apetite por mercados promissores, o investimento direto do estrangeiro pode se direcionar para o Brasil. Democrático, com um nível de governança pública digital competitivo e inédito, forte capacidade de geração de energia limpa, forte propósito de incentivo à iniciativa privada nas áreas de saneamento, ferrovias, rodovias e comunicações, o país pode seguir o caminho trilhado pela Ásia, visto que já tem investimento estratégico contratado para os próximos 20 anos. E nossa B3 tem ótimas opções de investimento em energia limpa, mobilidade urbana, rodovias, conectividade digital, infraestrutura logística, saneamento básico e telemedicina

O mundo está se reconfigurando: home office, conectividade digital, startups, inéditas cadeias de valor (ESG), segurança alimentar e outros destaques se agigantam. Na Ásia, Bangladesh chama a atenção ao crescer expressivamente. Muitos hão de lembrar do famoso Concerto para Bangladesh, organizado em 1970 pelo beatle George Harrison. Teve como objetivo reunir artistas famosos e angariar fundos para ajudar o povo que passava fome e sede naquele país. Hoje, o que mais cresce na Ásia, e recebe investimentos expressivos. Ondas Schumpeterianas estão chegando aos nossos mares também e, com elas, investimentos para o nosso Brasil.

Antonio Marcus Carvalho Machado é economista (Ufes) e mestre em Administração (UFMG).

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