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domingo, 20 setembro, 2020

Erick Musso renuncia à presidência da Assembleia Legislativa

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Em meio a muita polêmica, o deputado liderou na manhã desta quarta-feira (04) um movimento com 22 deputados que, em decisão conjunta, resolveram abdicar da eleição da Mesa Diretora para o biênio 2021-2023.

O deputado Erick Musso (Republicanos) recuou. Decidiu renunciar ao resultado da votação que garantia sua permanência na presidência da Assembléia Legislativa do Espírito Santo até 2023. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (04), após a Justiça Federal estabelecer o prazo de três dias para que o parlamentar se pronunciasse sobre a eleição antecipada da Mesa Diretora realizada no último dia 27.

Em uma “Carta ao Povo do Espírito Santo”, subscrita por 22 deputados estaduais, ele justifica a medida: “para que se resguarde a estabilização e harmonia entre os poderes”.

O deputado estadual Erick Musso vem se destacando no cenário político estadual nos últimos anos. Isso porque, desde 2016, é presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), posição alcançada em seu primeiro mandato como político da Casa.

Nascido em Vitória, ele sempre viveu na cidade de Aracruz, município onde sua família é bastante conhecida no meio público. Seu bisavô, Luiz Theodoro Musso, começou a trajetória do clã sendo vereador e prefeito (1948-1951); seguido pelo seu avô, Heraldo Barbosa Musso, vereador, prefeito por dois mandatos (1977-1982 e 1989-1992) e deputado estadual por três legislaturas (1983-1986; 1987-1988 – quando foi eleito prefeito – e 2003-2007).

Em seu município, Musso foi eleito vereador, em 2012, aos 25 anos, como o candidato mais votado naquela eleição. Foi a Câmara Municipal de Aracruz sua escola como líder do Poder Legislativo, já que mesmo sendo novato, foi escolhido presidente. Em 2014, aos 29 anos, foi eleito para o primeiro mandato no Legislativo estadual, com 14.638 votos. E, em 2018, reeleito com 21.188 votos.

ENTREVISTA

Alguns dias antes da renúncia, o deputado deu uma entrevista exclusiva à ES Brasil falando sobre o que foi feito para “aproximar a Casa da população”.   Analisou o ano de 2019, falou do seu trabalho como presidente da Casa de Leis e o que espera dos próximos períodos eleitorais. Confira!

Foto: Tati Beling

Como avalia o ano político de 2019?

Um ano desafiador. As mudanças no cenário nacional nos impuseram algumas reflexões. A economia precisa de uma retomada para que outras políticas públicas importantes, nas áreas social, de educação e de saúde possam seguir seus rumos adequadamente. Mas os desafios com que nos deparamos não foram obstáculos. Na Assembleia do Espírito Santo, temos feito um excelente trabalho de gestão, gastando menos e fazendo muito, principalmente para a população capixaba, que hoje conta com uma enorme gama de serviços gratuitos oferecidos dentro da Assembleia.

O senhor é o político mais novo que assumiu a presidência da Ales. Qual a responsabilidade de estar à frente do Poder Legislativo?

A partir do momento em que a sociedade me confiou o mandato de deputado e meus colegas parlamentares que depositaram em mim a confiança para a Presidência, eu não poderia frustrar essas expectativas. Tenho me dedicado muito a fazer uma gestão à altura do que esses tempos modernos exigem de homens públicos: eficiente e cada vez mais transparente. Por outro lado, minha pouca idade me oferece algumas vantagens naturais: as boas ideias fluem com mais facilidade e tenho apostado muito nisso para modernizar o serviço público.

Quais os principais entraves que encontrou ao assumir a presidência da Casa?

A Assembleia era uma casa analógica. Superamos esse obstáculo com a implantação de um sistema de rede wi-fi, o que nos deu base para a implantação de outros projetos. O clima organizacional também era ruim, e fomos, aos poucos, melhorando o ambiente de trabalho para que o servidor trabalhasse mais feliz, o que colabora com uma melhor prestação de serviços à sociedade.

Como conciliar a função de presidente da Ales com a de deputado?

Seja em qual função eu estiver, meu trabalho sempre será para honrar a sociedade capixaba, que confia em mim. Mas posso dizer, com segurança, que parte do que temos feito devo muito ao trabalho em equipe: tenho um bom corpo técnico no meu gabinete e também na administração da Casa.

Uma das bandeiras quando iniciou a atuação como presidente da Assembleia foi a modernização da casa. Quais foram as ações nesse sentido?

A minha primeira ação nesse sentido foi implantar um sistema de internet wi-fi, que além de nos colocar em contato com o mundo todo nos possibilitou virtualizar todos os processos dentro do Ales Digital, um programa que, além de extinguir o papel e gerar uma economia de R$ 2 milhões a cada legislatura, confere ainda mais transparência a tudo que é feito na Casa. Nessa toada, estamos terminando um estudo técnico para a implantação da Inteligência Artificial e da Realidade Aumentada, que vão colocar a Assembleia do Espírito Santo, de vez, entre as mais modernas do país e do mundo.

Foto: Tati Beling

Com as medidas de modernização, o cidadão está mais integrado à movimentação do Legislativo?

A criação do Espaço Assembleia Cidadã, em 2018, também na nossa gestão, nos possibilitou colocar o povo dentro da Assembleia. O cidadão tem acesso a Procon, Delegacia do Consumidor, Núcleo da Defensoria Pública, Procuradoria Especial que atende a mulheres vítimas de violência e um posto que emite carteiras de identidade, tudo de forma gratuita. E, em breve, vamos modernizar toda nossa biblioteca, que também fica dentro desse espaço, com a digitalização de obras importantes. Com toda certeza, isso é a verdadeira integração entre representantes públicos e cidadão que a sociedade espera.

E o que estava planejado que não foi possível concluir este ano em termos de avanço na Casa?

No primeiro semestre de 2020, vamos implantar a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, que também vai integrar o Assembleia Cidadã. Afora isso, vamos seguir no processo de modernização da Casa.

O senhor foi presidente da Assembleia quando Paulo Hartung esteve à frente do Executivo e agora, com o governador Renato Casagrande. Quais as principais diferenças entre as duas gestões?

São dois gestores competentes e diferentes em seus modelos, sobretudo comprometidos com o Espírito Santo. Não há que se fazer comparação.

E como é o relacionamento hoje do presidente da Assembleia com o governador Casagrande?

Harmônico e respeitoso.

Foto: Tati Beling

Como um cenário político-social que elegeu Jair Bolsonaro para presidente da República pode se refletir nas eleições de 2020?

Há muita água pra rolar por debaixo dessa ponte. O Brasil está vivendo um momento político diferente do dos últimos anos. Em tempos assim, é preciso ter prudência nos atos de gestão e respeito aos pensamentos divergentes.

Em 2020, teremos a primeira eleição municipal com as regras do financiamento público. O que o senhor espera desse pleito nessa nova configuração?

As campanhas estão ficando cada vez mais baratas e acho isso salutar. É sinal de que as propostas, e não o capital financeiro, devem dar a tônica dos debates políticos. Eu espero que tenhamos bons debates e bons nomes.

O senhor entraria na disputa para ser prefeito de Aracruz?

Não serei candidato nas eleições municipais, mas devo participar apoiando projetos em que acredito.

E para eleição de 2022? O senhor pretende alçar novos voos em maiores escalas?

Eu vejo a política como a maior ferramenta de transformação social que temos. Faço parte de um grupo político e estou à disposição da sociedade capixaba para contribuir, seja em que posição for.

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