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domingo, 16 maio, 2021

Mulher Superando o Medo: projeto social coleciona conquistas

Em um ano, resultados do projeto confirmam que uma única oportunidade pode fazer toda a diferença na vida de uma mulher.

Histórias de superação são sempre muito bem-vindas, especialmente em um ano marcado por tantos desafios, dificuldades e mudanças impostas de forma nada agradável. Em meio a esse cenário, o projeto Mulher Superando o Medo conseguiu reunir uma centena de guerreiras que puderam descobrir seu verdadeiro valor, conquistar o aumento da autoestima e a independência financeira, mesmo com todo o isolamento colocado pela pandemia.

Mulher Superando o Medo

Moradora do bairro Jabaeté, em Vila Velha, Aleida Caroline Ventorin Pereira, 31 anos, conta sobre as mudanças que alcançou com o projeto. “Aprendi a me respeitar, me aceitar, me valorizar. Mulher Superando o Medo me ensinou a lidar com minhas finanças, cuidar do meu dinheiro e entender o que é e como fazer um investimento. No projeto, descobri o que realmente quero fazer da minha vida. Todo o aprendizado e as decisões que consegui tomar foram muito bons pra mim e pra minha família. Só tenho a agradecer”.

A costureira Madalena Maria, aos 62 anos, procurou o curso para se organizar melhor. “Me chamou muito atenção a união e a humildade das profissionais que nos capacitaram. Aprendi a me valorizar e a valorizar mais o meu trabalho. Já coloquei em prática a questão da organização, dos horários, gastos e como guardar dinheiro. O plano agora é evoluir”.

“Depois desse curso, descobri que sou uma verdadeira economista. Foi muito bom conhecer pessoas novas e, nessa convivência, fui motivada pelos depoimentos de outras amigas, me sentindo mais próxima delas e mais instruída. Adorei o dindindômetro! No dia a dia me ajuda bastante. Não tinha muita noção do que fazer com as finanças. Nunca sobrava, nunca tinha, estava sempre apertada. Aprendi que a gente pode economizar e sonhar um pouco mais. O aplicativo também é muito bom. Vou buscar o melhor caminho”, conta Adriana Gonçalves, 45 anos, faxineira e artesã

Como funciona

Este ano, estão sendo assistidas 100 mulheres, distribuídas em 08 bairros de Vila Velha, incluindo uma turma formada somente por surdas. O atendimento às mulheres é dividido em cinco aulas. O primeiro passo é identificar os perfis de cada uma, as necessidades psicossociais e apresentar a elas todos os mecanismos de defesa e proteção disponíveis gratuitamente. Em seguida, elas são encaminhadas aos parceiros de saúde física e mental – o Centro de Atendimento à Vida (CAV) e para o Centro de Referência Especializado em Atendimento à Mulher Vítima de Violência em Vila Velha (Cranvive).

Uma das ações do projeto está focada na educação financeira, que inclui aulas de economia doméstica e empreendedorismo, além da atuação de parceiros que fornecem equipamentos e insumos necessários à abertura de pequenos negócios e a disponibilização do aplicativo App de funcionalidades, a fim de proporcionar motivação, proteção e controle e planejamento financeiro.

“O projeto já nasce com o conceito 4.0. Entregamos a elas o direito de uso de um aplicativo financeiro, que podemos chamar de amigo da mulher. Além de terem acesso ao controle de finanças de forma prática, quando abrem o aplicativo, recebem mensagens motivadoras e contam com o botão do disque 180, caso precisem fazer alguma denúncia”, destaca a economista Isabel Berlinck, idealizadora do projeto.

Foco central

Mulher Superando o Medo tem como foco central o socorro às mulheres vítimas de violência doméstica. No ano passado, 33 mulheres foram assassinadas no Espírito Santo – mais de dois casos por mês. A maioria delas, vítima dos maridos (33%) ou companheiros (21%). O projeto – uma iniciativa da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Comvides), do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, em parceria com o Instituto Win e o Rotary Club – vem se destacando na busca por transformar essa realidade.

Hermínia Azoury
A juiza Hermínia Azoury, da Comvides. Foto: Cloves Louzada

A juíza Hermínia Azoury, que dirige a Comvides destaca que muitas mulheres, pelo fato de não apanharem, acabam não entendendo que são vítimas. “Temos muito casos de violência velada, de mulheres constantemente insultadas, humilhadas e ameaçadas, mulheres que seus companheiros deixavam sem nenhum dinheiro, que foram proibidas de trabalhar e nem se davam conta de que eram vítimas de violência”.

Os resultados apareceram. “No encerramento de cada turma os relatos impressionam. Essas mulheres descobrem que têm valor, passam a entender sua capacidade e a não aceitar mais aquela violência. Aprendem a cuidar e gerar recursos. Os resultados têm sido fantásticos. Espero que em 2021 possamos atender ainda mais mulheres”.

Destaque no curso

Existe um elemento no curso que, inicialmente, as alunas não gostam dele, mas depois descobrem o quanto é essencial para resolver grande parte dos problemas: o dindindômetro. O “rapaizinho” aí é mecanismo criado pela economista Isabel Berlinck pra facilitar o entendiemento das alunas sobre planejamento financeiro, como manter o equilíbrio entre receitas e despesas.

E ele virou mesmo o queridinho das alunas. As meninas da turma de surdas, fez questão de posar ao lado do dindindômetro, mostrando finalizando o gesto que representa a expressão: “todas por uma”.

O dindindômetro virou atração do curso. Foto: Cloves Louzada

Agenda 2030

E vale ainda apontar que Mulher Superando o Medo contribui com agenda 2030, comprometido com os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS). Das 17 metas apontadas, sete são atendidas: erradicação da pobreza; saúde e bem-estar; igualdade de gênero; trabalho decente e crescimento econômico; indústria, inovação e infraestrutura; redução das desigualdades; paz, justiça e instituições eficazes.

Na tarde desta sexta-feira, tem início a última turma de 2020, dessa vez no bairro Santa Rita, em Vila velha, no espaço cedido pela Igreja de Deus no Brasil. E, certamente, novas histórias de transformação virão.

Parceiros e Doações

Você pode participar dessa mudança de diferentes formas. Pode doar qualquer quantia para a compra de equipamentos e insumos necessários à abertura de pequenos negócios, pode oferecer uma oportunidade de trabalho para as meninas e também pode ajudar a divulgar o programa. Confira em @mulhersuperandomedo

São parceiros do projeto: Rotary Club Vitoria – Mata da Praia; Rotary Club Vila Velha – Praia da Costa; Rotary Club Taipei – Taiwan; Rotary Club Ituzaingo Moronas – Uruguai; Rotary Club Greater Kuala Lumpur; e Fundação Rotária. O projeto conta ainda com apoio da Prefeitura de Vila Velha, Hebrom Social, Fundação Carmem Lúcia, Combc, Instituto Recanto de Vida, Raizen Terapia Capilar, Paigel Terapia Sistêmica, Tânia Ribeiro, Mariah Cosméticos, Portal das Cópias, Missão Praia da Costa,  Igreja Santa Rita e Igreja de Deus no Brasil.

Esses parceiros participam de diferentes formas, incluindo a disponibilização da estrutura, oferta de cursos profissionalizantes, terapias, tratamentos de beleza, doação de cestas básicas e fornecimento de cartão de visitas às novas empreendedoras.

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