Mineração

Chegar ao final de 2009 com otimismo no setor de mineração era tarefa tida como loucura em janeiro. A diminuição das exportações de minério de ferro, sobretudo para o enorme mercado asiático, forçou uma pisada no freio e um novo planejamento dos investimentos por parte até das maiores empresas do planeta, que precisaram colocar na ponta do lápis seus custos operacionais. Uma das mais atingidas pela crise internacional foi a Vale, que chegou a reduzir a sua produção em 30 milhões de toneladas de minério (cerca de 10% da produção), demitir 1,3 mil funcionários e dar férias coletivas para outros 5,5 mil colaboradores.

O lucro líquido da empresa no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2008, ficou negativo, ainda que a queda não tenha sido tão grande: R$ 3,151 bi contra R$ 3,182 bilhões, respectivamente. Já a receita operacional bruta da Vale ficou em R$ 13,18 bi entre janeiro e março, queda de 9,4% sobre o primeiro trimestre do ano anterior (R$ 14,54 bilhões).

Se não eram os resultados dos sonhos, a empresa se apressou em mostrar que também não estava configurado um pesadelo. Vieram o segundo e terceiro trimestres, e a situação continuou nivelada por baixo. No segundo, mesmo com aumento nas exportações, a receita operacional da mineradora foi 6,2% inferior ao primeiro trimestre, e o lucro operacional, 42,1% menor. A maior queda aconteceu no lucro líquido: US$ 790 milhões. Em maio, o Conselho de Administração da mineradora aprovou a revisão do orçamento de investimentos de 2009 para U$ 9,035 bilhões (contra U$ 14,235 bilhões anunciados em outubro do ano anterior). O orçamento destacou U$ 6,961 bilhões para crescimento orgânico (sendo U$ 5,930 bi em projetos e U$ 1,031 bilhões em pesquisas); e outros U$ 2,074 bilhões na manutenção operacional.

Já no terceiro trimestre, o lucro líquido foi de R$ 3 bilhões. No acumulado do ano até então, o lucro caiu em alarmantes 60%, em comparação aos nove primeiros meses de 2008 (R$ 7,620 bi contra R$ 18,839 bilhões, respectivamente). Por conta da queda na demanda mundial por aço, o projeto de construção do pólo siderúrgico de Anchieta, no Espírito Santo, em parceria com a chinesa Baosteel, acabou cancelado. Entretanto, meses depois a Vale encontrou uma outra parceira: a ArcelorMittal, que investirá cerca de R$ 5 bilhões na usina, que terá capacidade para produzir anualmente até 5 milhões de toneladas de minério de ferro.

Apesar desse quadro, a mineradora investiu no Espírito Santo, entre janeiro e setembro, U$ 925,8 milhões, gerando com isso, segundo relatório da empresa, 3,2 mil empregos em canteiros de obras como a expansão da linha férrea, a modernização nos portos do Complexo de Tubarão e a construção da oitava usina de pelotização.

Entre as ações implementadas em 2009, o maior destaque ficou com a instalação de cinco wind fence (barreiras de vento) no Complexo de Tubarão, projeto que consumiu recursos da ordem de R$ 500 milhões. Com tecnologia pioneira na América Latina, o wind fence evita a suspensão de particulados provocada pela ação dos ventos.

Outras ações relevantes foram a assinatura de um protocolo de intenções com a Fundação Vale para a implantação, na Serra, da Estação Conhecimento, espaço que ocupará uma área de 40 mil metros e disponibilizará atividades esportivas, capacitação profissional e cursos para adolescentes; o reconhecimento da Reserva Natural Vale, em Linhares com o título de Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA); e a assinatura de convênio com a Arquidiocese de Vitória visando à manutenção e conservação da faixa de Mata Atlântica do entorno do Convento da Penha, Com o acordo, que tem duração de um ano, haverá um maior cuidado com a diversidade biológica de um dos monumentos históricos e religiosos mais antigos e importantes do Espírito Santo.

Na Samarco, produção de níveis pré-crise

Também afetada pela crise, a Samarco Mineradora chegou a anunciar, no final de 2008, a paralisação da produção de duas das suas três plantas de pelotização em Ponta Ubu, Anchieta. No segundo trimestre de 2009, ainda confrontada com as incertezas trazidas pelo panorama econômico-financeiro internacional, a companhia fechou um acordo de licença remunerada (com 50% de redução do salário) com parte de seus quase dois mil colaboradores.

Com a retomada da demanda por pelotas de minério de ferro por mercados importantes – como o asiático, que responde por cerca de 40% do faturamento da empresa – a companhia buscou o mesmo ritmo de produção registrado no primeiro semestre de 2008. Em meio à expectativa da implantação de uma quarta usina, também em Anchieta, a empresa retomou a produção em suas três pelotizadoras e chamou de volta seus empregados.

Controlada pela Vale e pela BHP Billiton, a Samarco que chegou, no auge da crise, a trabalhar com o cenário pessimista de produzir apenas dois terços de sua capacidade, pode fechar o ano de 2009 com produção acima de 17 milhões de toneladas. Em 2008, a produção da Samarco ficou em aproximadamente 16,2 milhões de toneladas, para uma capacidade instalada de 22 milhões de toneladas.

Preocupada com o meio ambiente, a mineradora já começou a discutir com a comunidade os impactos da implantação de uma quarta pelotizadora no sul do Estado. As obras, que incluem outra usina de concentração em Mariana (MG) e o terceiro mineroduto, deverão gerar, somente em terras capixabas, até 5,5 mil postos de trabalho. A intenção da Samarco é que o projeto seja apresentado de forma oficial aos acionistas em dezembro de 2010. O início das obras, que deverão durar 34 meses, ficaria para janeiro de 2011. Se tudo correr como o esperado, a pelotizadora será inaugurada no final de 2013.

Seja eliminando gastos ou fazendo investimentos onde o lucro é potencializado, a crise econômica internacional criou um novo modo de agir por parte do mercado e das empresas. O ano de 2009 foi de aprendizado. Os anos que estão por vir se encarregarão de dizer se erros foram assimilados e corrigidos.

 

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