Ano de recordes e otimismo com retomada do crescimento

O complexo industrial da ArcelorMittal Tubarão responde por 13% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado (Fotografia - Divulgação)

Apesar de impactado por problemas como a greve dos caminhoneiros, setor registrou avanços em produção, vendas e embarques para o exterior

O ano de 2018 começou bem para o setor de mineração e siderurgia no Brasil, com expectativa de retomada do crescimento, mas problemas pontuais, como a greve dos caminhoneiros, em maio, afetaram algumas empresas.

Apesar da crise, o otimismo marcou o período na ArcelorMittal. O presidente da companhia, Benjamin Baptista Filho, disse que a siderúrgica acredita no país e continua investindo. “Crise é também época de oportunidades”, cravou, referindo-se à compra do Grupo Votorantim pela multinacional.

Durante visita à sede do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, o gestor salientou que a unidade de Tubarão continua trabalhando a todo vapor, pois há vantagens geográficas para competir no mercado internacional.

Com 5,3 mil empregados diretos e 4 mil indiretos, o complexo industrial responde por 13% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado e anunciou este ano investimentos na área de meio ambiente. São R$ 574 milhões divididos para uma quarta bateria na coqueria, no valor de R$ 522 milhões, e para um novo sistema de despoeiramento do basculamento da escória do KR, orçado em R$ 51,3 milhões.

Além disso, a multinacional está concluindo aportes financeiros destinados ao enclausuramento de suas torres de transferências de matéria-prima (R$ 3,2 milhões) e a um novo filtro de mangas na coqueria heat recovery (R$ 2,4 milhões), como parte do Termo de Compromisso Ambiental Preliminar (TCAP) assinado com órgãos públicos no fim de 2017.

Lucro

No fim de outubro, a ArcelorMittal divulgou a obtenção de um lucro líquido de US$ 899 milhões no terceiro trimestre de 2018, menor que o ganho de US$ 1,21 bilhão do mesmo período de 2017. A queda foi motivada por “despesas relacionadas à aquisição da italiana Ilva e variações cambiais desfavoráveis”. Já as vendas expandiram-se para US$ 18,52 bilhões, acima dos US$ 17,64 bilhões de igual intervalo de 2017.

No país, a produção de aço bruto da companhia subiu 1,4% no terceiro trimestre do ano, chegando a 3,2 milhões de toneladas (Mt), acima dos 3,1 Mt do segundo trimestre. As exportações de aço elevaram-se 9,4%, para 3,1 Mt, contra 2,8 Mt do trimestre anterior. O impulso foi dado pela melhora na demanda e por maiores volumes de vendas externas em produtos planos e longos. Já no segundo trimestre, essas transações com o exterior foram impactadas negativamente pela greve dos caminhoneiros.

A Vale acumulou um lucro líquido de R$ 13,51 bilhões entre o quarto trimestre de 2017 e o terceiro trimestre de 2018 – Foto: Divulgação

As vendas no terceiro trimestre caíram no Brasil (-4%), ficando em US$ 2,1 bilhões, pouco abaixo dos US$ 2,2 bilhões dos três meses anteriores. Nesse caso, o impacto foi da menor média de preços e da hiperinflação na Argentina, compensados em parte pelo aumento dos embarques de aço. Mesmo assim, a empresa registrou lucro operacional de US$ 374 milhões, acima dos US$ 369 milhões do trimestre anterior e ainda maior do que os US$ 128 milhões do mesmo período de 2017.

Recorde

O desempenho até o terceiro trimestre – incluindo recordes de produção e aumento das vendas – mostra que o crescimento está se consolidando e deve continuar em 2019. Para a Vale, esse avanço já resultou em recorde histórico de produção no terceiro trimestre, com 104,9 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro contra 96,8 Mt no trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período de 2017, o salto foi de 10,3%. Com isso, a Vale ultrapassou pela primeira vez a marca de 100 Mt por trimestre e já estima fornecimento de 390 Mt em 2018 e de 400 Mt anuais a partir de 2019.

A empresa também bateu recorde de vendas de minério de ferro e pelotas, chegando a 98,2 Mt no terceiro trimestre, um resultado 4,7 Mt acima do recorde anterior, que ocorreu no último trimestre do ano passado. O mix de vendas tem melhorado consistentemente sobretudo como resultado dos ramp-ups (aceleração da produção) do complexo minerador S11D, no Pará, e das pelotizadoras 1 e 2 de Tubarão, no Espírito Santo.

A produção de pelotas da Vale no terceiro trimestre deste ano ficou 8,1% acima dos três meses anteriores – Foto: Divulgação
Pelotas

A produção de pelotas da Vale alcançou recorde trimestral de 13,9 milhões de toneladas, ficando 8,1% e 8,7% acima do trimestre anterior e do terceiro trimestre de 2017, respectivamente.

O resultado se deve, principalmente, à retomada das plantas de pelotização de Tubarão 1 e 2 e aos efeitos da parada de manutenção, no segundo trimestre, da planta de Tubarão 4. A unidade de pelotização de São Luís retomou suas operações em setembro, contribuindo para a estimativa de produção da Vale de 55 Mt neste ano.

*No terceiro trimestre de 2018 – Fonte: Vale

Considerando somente o desempenho das oito plantas de Tubarão, houve recorde trimestral de 8,7 Mt no terceiro trimestre – uma alta de 10% em relação ao segundo trimestre deste ano e de 13,3% em confronto com o mesmo trimestre de 2017. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o montante chega a 24,4 Mt, ou 6,7% a mais do que no mesmo período do ano passado.

A companhia acumulou um lucro líquido de R$ 13,51 bilhões em 12 meses, entre o quarto trimestre de 2017 e o terceiro trimestre de 2018. O resultado foi 23,55% inferior ao apurado na soma dos quatro trimestres do ano anterior, de R$ 17,67 bilhões. Já a receita líquida subiu 16,88% entre o acumulado do último ano, de R$ 108,53 bilhões, e o acumulado dos últimos 12 meses, de R$ 126,86 bilhões.

O diretor-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, afirmou que essas cifras mostram a mudança estrutural nos mercados de minério de ferro e aço chineses. O executivo destacou a valorização do minério de ferro de alta qualidade e a participação da empresa na nova era mundial de produção do aço. “Este momento coincide com a perda de capacidade e qualidade das minas australianas, o que traz como consequência uma diferença de preço de quase US$ 56 entre o minério de baixa e de alta qualidade”, afirmou.

Segundo Schvartsman, isso beneficia a Vale, que tem aumentado a participação do minério de alta qualidade em seu portfólio e investido na blendagem. “Estamos transformando a Vale em uma empresa muito previsível, entregando desempenho operacional sólido, maior realização de preços, menores custos e alocação de capital rigorosa”, disse.

A Samarco depende da conclusão do Licenciamento Operacional Corretivo (LOC) do Complexo de Germano para voltar a produzir – Foto: Samarco
Samarco

Parte do otimismo da Vale também se deve à expectativa de retorno das operações da Samarco no início de 2020, ainda com capacidade reduzida, mas incrementando a produção ao longo dos anos. Tudo dependendo da obtenção das licenças necessárias para a retomada.

Segundo Schvartsman, a confiança vem, primeiro, da assinatura de Termos de Transação e de Ajustamento de Conduta (TTACs) com órgãos públicos pela Samarco, pela Vale e pela BHP Billiton, que agora “sabem onde estão pisando, o que dá outro grau de confiança para que a gente se mova à frente”. Em segundo lugar, ele lembra que o conselho da Samarco aprovou o início das obras da nova barragem de Alegria Sul e que foi obtida, à mesma época, a licença para a construção. “Por esses motivos, nós teremos até o fim do ano as condições físicas para possamos pleitear a licença de operação, que, se concedida, permitirá o início das operações no início de 2020”, justificou.

Neste ano, foram firmadas tratativas com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que evoluíram para um Termo de Compromisso firmado no fim de setembro, em Belo Horizonte. O documento prevê a contratação de auditoria independente para acompanhar a implantação do Sistema de Disposição de Rejeitos Cava Alegria Sul, atestando a segurança técnica e ambiental da cava.

Para voltar a produzir, a Samarco depende ainda da conclusão do Licenciamento Operacional Corretivo (LOC) do Complexo de Germano. Conforme o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do LOC, a companhia deverá implantar a filtragem de rejeito arenoso, que equivale a 80% dos resíduos gerados após o beneficiamento do minério de ferro, e o adensamento de lama, que são os outros 20%.

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