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sexta-feira, 18 junho, 2021

Microeconomia das atitudes climáticas

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Equilibrar o meio ambiente é um jogo coletivo

Mesmo sendo um artigo de economia, neste momento, cabe comentar o debate sobre condições climáticas e agenda proposta para enfrentá-la. Como vivemos sob a égide das economias de mercado a questão econômica sempre se interpõe nos projetos dos agentes econômicos. O climático é a bola da vez.

Se seguissem a lógica da alocação eficiente de recursos sugerida pela economia, rapidamente se chegaria ao prognóstico para corrigir o estelionato climático descaradamente praticado pelos agentes econômicos, públicos e privados – no Brasil e no resto do mundo – hoje e no passado.

Mas, sabemos os economistas, que essa lógica frequentemente sucumbe à do interesse político. Principalmente na arena da economia política das relações internacionais – locus de decisão de agendas mundiais – neste momento, definindo obrigação de cada país para reverter o ameaçador cenário climático projetado para os próximos anos.

Sob a lógica alocativa, é desperdício de tempo e de recursos empacar no argumento de que as economias desenvolvidas são as principais responsáveis pelos riscos que enfrentamos hoje, porque degradaram o meio ambiente no passado; por isso não têm reputação para cobrar atitude ecologicamente responsável dos subdesenvolvidos, principalmente os que têm extensa diversidade ambiental.

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Foto: Divulgação

Insistir nisso é andar em círculo – e, também, é conveniente aos que querem ver o circo pegar fogo. É verdade que nos séculos passados houve degradações ao meio ambiente.
Mas, um erro não justifica outro. Porque as gerações passadas erraram, a atual, que também erra, tem que parar de errar, e reverter os efeitos dos erros passados.

É assim que se eliminam entraves. É assim que se comporta uma sociedade civilizada.
Então, precisa haver reconhecimento, de todas as partes, de que é necessário mudar de atitude em relação ao padrão de consumo praticado. Ele é vetor para desequilíbrio ambiental.
Vivemos em uma sociedade treinada para ter compulsão por consumir, mas, despreparada, desinteressada e descompromissada com atitude para minimizar o impacto que o processo de produção dos bens e serviços que consome provoca.

Seus agentes econômicos agem como se a responsabilidade por controlar o efeito estufa fosse exclusiva do Estado. O Chefe de Estado, por sua vez, identifica questão climática exclusivamente nas queimadas da floresta amazônica, negando-a. Tudo errado. Equilibrar o meio ambiente é um jogo coletivo. As atitudes demonstradas pelos agentes econômicos estão mais para omissão do que contribuição – inclusive as do Chefe de Estado. Omissão é uma alocação ineficiente de recursos.

Consumir o necessário é um passo significante desse jogo. Elimina o vício da alocação distorcida; que faz com que se adquira bens além das necessidades; que não serão plenamente utilizados; e para serem produzidos retiram recursos da natureza.

Adicionalmente, é imprescindível que o setor público se habitue a concluir projetos e escolher projetos sustentáveis. É de domínio público seu hábito de abandoná-los inconclusos, desperdiçando recursos e degradando o meio ambiente. Também ajuda parar de ser vassalo de jagunço do patrimonialismo, agir como Estado, para que o Brasil retorne à categoria de Nação perante seus pares.

Arilda Teixeira é economista e professora da Fucape Business School

ES Brasil Digital

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