Os Sinais do Mercado de Trabalho

Arilda Teixeira

A reação do mercado de trabalho ainda é muito tímida

Os indicadores da PNAD do quarto trimestre de 2017 despertam esperança e inquietação.
Dentre os dez grupamentos de atividades econômicas, cinco cresceram (indústria; alojamento e alimentação; informação, comunicação, atividade financeira, imobiliária, administrativa; serviços; serviços domésticos); quatro ficaram estáveis (construção; comércio reparação de veículos automotores, motocicletas; Transporte, Armazenagem; Administração Pública); e um caiu (agropecuária).

Os rendimentos médios reais para todas as posições do mercado de trabalho (emprego com carteira, emprego sem carteira, trabalhador doméstico, empregado do setor público, empregador, e por conta própria), e também para os grupamentos de atividades, mantiveram-se constantes em relação a 2016. Mas a massa de rendimentos reais aumentou 3,6%.

Por outro lado, a taxa de desocupação reduziu-se apenas 0,2%, e a taxa de participação na força de trabalho está praticamente no mesmo patamar de 2016 – cerca de 62%.

Então, a reação do mercado de trabalho ainda é muito tímida. Principalmente porque a população em idade para trabalhar aumentou 1,1%, e a força de trabalho aumentou 1,8%.
A queda do desemprego explica-se mais pelos aumentos de vagas sem carteira assinada (5,7%), do trabalho por conta própria (4,8%) e de empregadores (6,4%); do que por abertura de vagas – o emprego com carteira assinada caiu 2%.

A timidez para geração de emprego reflete-se na remuneração da mão de obra. O rendimento médio real das pessoas ocupadas aumentou 1,6%; o dos trabalhadores com carteira assinada, 3,6%; e o dos trabalhadores sem carteira, caiu 1,8%.
O percentual de empregados com carteira assinada em relação à população empregada, caiu de 37,7% em 2016 para 36% em 2017. Em contrapartida, o de empregados sem carteira aumentou de 11,7 para 12%.

Dentre as cinco regiões do País, o Sul apresentou menor taxa de desocupação, 7,7%, igual à de 2016. Em segundo lugar vem Centro-Oeste, 9,4%, contra 10,6% de 2016. Em terceiro, o Norte, 11,3%, contra 17,2% em 2016. Em quarto, o Sudeste, 12,6%, contra 12,3% de 2016. E em quinto, o Nordeste, 13,8% contra 14,4 de 2016.

O Sudeste foi a única região em que a taxa de desocupação aumentou. Dentro dele, as menores taxas foram MG (10,6%) e ES(11,6%), que em 2016 eram, respectivamente, 11,1% e 13,6%. RJ e SP apresentaram taxas, respectivas, de 15,5% e 12,7%. Ambas maiores que as de 2016, respectivamente, 13,4% e 12,4%.

O percentual de empregados com carteira assinada em relação à população ocupada caiu em todas as regiões do País de 2016 para 2017. No Norte de 21,7% para 21,4%; no Nordeste, 26,3% para 25%; no Sudeste, 44,4% para 42,8%; no Sul,de 43,7 para 41,6%; e no Centro-Oeste, de 37,2% para 36,2%.
Em movimento inverso, o percentual de empregados sem carteira em relação à população ocupada aumentou no Norte, de 11,9% para 13,7%; no Nordeste de 5,6% para 17,3%; no sudeste de 9,8% para 10,3%; no Sul, de 8,3% para 8,7%. Só caiu no Centro-Oeste de 14,1% para 11,6%.

Com este quadro, ainda não dá para baixar a guarda!

Fonte: Revista dos Municípios Capixabas

O Sudeste é a região que tem o menor percentual de empregados do setor público em relação à população ocupada (10,5%). Dentro do Sudeste, o ES é o que tem o menor percentual (11,2%).


Arilda Teixeira – doutora em economista e profa. da Fucape

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