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sábado, 25 setembro, 2021

Margareth Dalcolmo: a incansável médica capixaba da linha de frente no combate à Pandemia

“As vacinas são, sem dúvida alguma, a arma mais segura e poderosa contra a covid-19”.

Por Munik Vieira

Isso é o que afirma a pneumologista capixaba e pesquisadora da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) Margareth Dalcolmo, de 65 anos. A médica está na linha de frente do combate à covid-19 no Brasil desde o início da pandemia, em março de 2020, e se tornou uma das principais vozes de referência sobre o assunto.

São quase 580 mil mortes por covid-19 no Brasil. Esse número poderia ser evitado?

Sim. Nós vivemos o pior momento da pandemia no Brasil. Não há dúvida de que o impacto dessa tragédia poderia ter sido atenuado. Obviamente, não teria sido completamente evitado, mas poderíamos, ao menos, ter atenuado o tamanho do luto que vivemos hoje. Se todos nós tivéssemos tomado, no momento do primeiro pico epidêmico, medidas restritivas à mobilidade social, negociado os estudos sobre a vacina no país no momento correto, e incentivado medidas protetivas para comunidades em situação de vulnerabilidade para manter o distanciamento social, hoje, sem dúvidas, não teríamos uma situação tão caótica.

Você acredita que a postura negacionista por parte das autoridades públicas foi um dos fatores que piorou o cenário atual no Brasil?

Sim. Os exemplos que citei acima deveriam ter sido iniciados pelos órgãos governamentais. Esse paradoxo de retóricas das autoridades públicas foi profundamente prejudicial para o Brasil. O governo deveria ter orientado a população. Essa tensão desnecessária, infelizmente, ajudou para que a tragédia se tornasse pior no nosso país.

Por que é importante pensar na vacinação como uma medida de proteção coletiva e não apenas individual?

Porque a solução para todas as viroses agudas, historicamente, é a vacina. Não existe remédio para tratar a covid-19. A vacina é a única solução. Precisamos vacinar toda a população, e precisa ser rápido.

O Senado divulgou uma pesquisa afirmando que 14% da população brasileira não quer se vacinar. O que explica isso?

Esse pensamento se dá pela falta de informação adequada. Todos nós precisamos melhorar nossos mecanismos de comunicação. É necessário transformar a informação científica para uma linguagem que possa ser entendida pela população. Precisamos passar a confiança que as vacinas merecem.

A vacina pode ter efeito colateral?

Toda vacina pode ter efeito colateral. São taxas de efeitos colaterais esperadas e não são graves. Foram atribuídos a algumas vacinas, como por exemplo, a da Johnson & Johnson e AstraZeneca, alguns episódios de embolia e trombose. São episódios que até podem estar relacionados à vacinação, mas precisamos pensar nos números. Mais de 200 milhões de pessoas já receberam doses dessas vacinas no mundo, e houve pouco mais de 60 episódios que necessitaram investigação para saber se estavam ou não relacionados. Tudo isso tem que ser esclarecido e, se tiver alguma relação, será uma proporção tão pequena que não vale a pena colocar em risco a maior medida de saúde pública que temos atualmente.

Para finalizar, é possível imaginar que, daqui a um ano, em abril de 2022, a nossa vida já esteja mais parecida com o que conhecíamos de normalidade?

Eu acho que vamos sempre nos referir, metaforicamente, a dezembro de 2019 como “outra era”. Dificilmente nossa vida ficará igual. Eu acho que a covid-19 é um fenômeno demarcador de nossas vidas e nós vamos levar muito tempo para superar. Nossos comportamentos serão completamente diferentes daquela “distante era” de dezembro de 2019. O uso de máscaras, por exemplo, irá permear por muito tempo ainda. Quem terá coragem de embarcar em um transporte coletivo sem máscara? E em um avião? Inclusive, será norma sanitária internacional embarcar em um avião estando vacinado. São condutas que vão mudar nossas vidas.

Ouça o podcast com a entrevista da Dra. Margareth Dalcomo à ES Brasil

A matéria acima é uma republicação da Revista ES Brasil, Edição nº 188, do ano de 2021. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita. 

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