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segunda-feira, 8 agosto, 2022

Mais um 8 de Março

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Em todos os dias do ano, o gênero feminino é o principal alvo da violência e da desigualdade

A cada 8 de março, as mulheres e as meninas trazem à tona questionamentos sobre a hipocrisia em torno das homenagens que recebem apenas nesta data. Em todos os dias do ano, o gênero feminino é o principal alvo da violência e da desigualdade.

Em resposta, trabalhadoras em todo o mundo se organizam cada vez mais pela defesa de seus direitos. Em 2017 e 2018, elas organizaram uma greve internacional com adesão de mais de 40 países, com o lema “Se nossas vidas não importam, que produzam sem nós”. As mulheres já são metade da classe operária, e as mulheres negras estão mostrando que são linha de frente de vários processos de luta.

Considerada por muitos o 8 de Março apenas uma data de homenagens às mulheres, mas, diferentemente de outros dias comemorativos, ela não foi criada pelo comércio, e tem raízes históricas mais profundas e sérias. Oficializado pela ONU em 1975, o chamado Dia internacional da Mulher é comemorado desde o início do século 20.

Se fosse possível fazer uma linha do tempo dos primeiros “dias das mulheres” que surgiram no mundo, ela começaria possivelmente com a grande passeata das mulheres em 26 de fevereiro de 1909, em Nova York. Esse dia tem importância histórica porque levantou um problema que não foi resolvido até hoje. A desigualdade de gênero insiste em permanecer. Já se passaram 111 anos que estas questões foram levantadas, e as mulheres continuam reclamando, e os problemas persistem.

Certamente, o 8 de Março é um dia de luta, dia para lembrarmos que ainda há muitos problemas a serem resolvidos, como os da violência contra a mulher, do feminicídio, do aborto, e da própria diferença salarial. Temos evoluído nestes temas. Antes, se escondiam todas estas mazelas entre quatro paredes. Antes, esses problemas eram mais aceitos, mas hoje não.

Neste ano, o Dia Internacional das Mulheres (8 de março) terá como tema “Eu sou a Geração Igualdade: concretizar os diretos das mulheres”. Apesar de alguns progressos, as mudanças reais têm sido lentas para a maioria das mulheres e meninas em todo o mundo. Hoje nenhum país pode afirmar ter alcançado a igualdade de gênero. Vários obstáculos permanecem inalterados na lei e na cultura.

Mulheres e meninas continuam subvalorizadas; elas trabalham mais e ganham menos e têm menos opções; e experimentam múltiplas formas de violência em casa e em lugares públicos. 2020 representa uma oportunidade imperdível de mobilizar ações globais para alcançar a igualdade de gênero e os direitos humanos para todas as mulheres e meninas. Momento de se discutir como elas podem enfrentar coletivamente os assuntos inacabados de empoderamento para todas as mulheres e meninas nos próximos anos.

Manoel Goes Neto, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha-IHGVV e diretor no IHGES.

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