Mãe 6 em 1: Elas se desdobram para cuidar dos filhos e de “todo o resto”

Daniela Souza Alvarenga, 41 anos, com os filhos, Débora, 6, e Benício, 1. De acordo com a endocrinologista, a atenção redobrou após o nascimento do bebê. Crédito Fabiola Masson

A jornada, no mínimo dupla, a correria e as preocupações da rotina desafiam o “ser mãe” no século 21

Um olhar doce quando eles falam alguma “besteirinha”; um gesto enérgico, mas necessário para protegê-los de algum perigo; uma felicidade genuína e abnegada de acompanhar a vida dos seus se desenvolvendo; um aperto no peito que surge quando nada se pode fazer, a não ser torcer para que tudo dê certo… Essas são apenas algumas das situações comuns no cotidiano das mulheres que se tornam mães.

Neste mês especial, em que comemoramos o dia delas, a ES Brasil apresenta histórias de quem está reformulando o conceito de maternidade. Muitas são as que se transformaram em “mães 6 em 1”, desdobrando-se em multitarefas todos os dias e buscando constantemente maneiras para não desistir e se manter fortes no cumprimento de seus papéis.

“Ele é meu companheiro, um guerreiro”, afirma a jornalista Lucia Marins, 40 anos, sobre o filho,Henrique, 13, que é especial,

São vários os desafios que enfrentam. Quando o tempo muda, por exemplo, é importante olhar a criança constantemente para não deixar o quadro piorar. Cuidar sozinha é uma missão hercúlea, por causa dos custos ou por falta de alguém que possa apoiar. É passar horas e horas em busca de um medicamento extremamente necessário para a saúde do filho. Esse é o dilema que a jornalista Lucia Marins, 40 anos, enfrenta.

O filho, Henrique, hoje com 13, nasceu prematuro e teve paralisia cerebral. Como qualquer criança, leva uma vida normal. Mas é na hora de sair para trabalhar que ela fica com o “coração partido”, sem saber com quem vai deixá-lo.

“Nos três primeiros anos eu abri mão de tudo para ficar por conta dele. Depois, percebi que estava sufocando-o com tantas atividades. Era uma criança, e criança precisa de brincar, de ter amigos e de outras coisas. Por isso diminuí bastante as obrigações dele, coloquei-o na escola e voltei a trabalhar”, revela Lucia.

E eles se entendem apenas com um olhar, conseguem transmitir um ao outro o que desejam. Uma química inexplicável. “No começo, queria muito ter outro filho. Mas o fato de o Henrique ter nascido prematuro me deixou com receio. Hoje essa vontade é quase zero, porque já se passaram alguns anos, e ele demanda atenção, muito tempo. É meu companheiro, um guerreiro”, conta.

Fonte: Brasil Escola

Em meio a uma tarefa e outra, a endocrinologista Daniela Souza Alvarenga, 41, se “desmancha” quando a filha, Débora, 6, observa-a e diz que quer ser igual à mãe. Com o nascimento do Benício, 1, a atenção se redobrou. “Sempre quis acompanhar o crescimento da Débora. Quando saía do trabalho na parte da manhã, pegava- -a na escola, almoçava com ela, voltava ao consultório e ficava até a noite. Após o desmame do Benício, comecei a trabalhar no período da manhã e no início da tarde, tudo isso para acompanhar de perto cada momento deles”, relata Daniela.

A médica ressalta que sua prioridade é estar com os filhos. “Não tenho mais qualidade de sono. O tempo para elaborar minhas refeições é escasso. Os cuidados pessoais, como ir ao salão de beleza, já não faço com frequência. O contato com as amigas se reduziu; me reúno algumas vezes com amigas que fiz nos grupos de mães. É impossível programar uma atividade física, que amo fazer, mas estar com as crianças é uma satisfação sem tamanho”, diz.

De acordo a psicóloga Deidre Milli, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, o sistema familiar é modificado com a presença de uma criança, uma mudança que faz parte de um processo biológico. “Sempre que há a entrada de um novo ente em uma família, é natural que a rotina se altere. A mãe acompanhará o bebê para que ele sobreviva, já que é um ser altamente dependente, por isso é normal que ela deixe de fazer algo no início da maternidade. Mas é claro que ela precisa ter um tempo para si, porque é extremamente exaustivo ficar 24 horas cuidando de uma criança. É importante haver parceria entre os pais para que a mãe possa descansar e se cuidar também”, alerta.

Luciana Nascimento Silva Cola Sarres, 36 anos, é administradora, sócia e diretora financeira do N1Chicken e concilia o trabalho com a educação dos filhos, Leonardo, 10,e Lorenzo, 8 meses.
MÃE EMPREENDEDORA

Ser mãe, tornar-se dona de seu próprio negócio ou crescer como profissional no lugar onde já está empregada? Esse é um dos dilemas femininos. Por outro lado, muitas encontram no empreendedorismo uma alternativa para a independência financeira. E, para quem é mãe e empresária, o dia a dia gira em torno de organização e muita dedicação, como revela Luciana Nascimento Silva Cola Sarres, 36 anos, administradora, sócia e diretora financeira do Number One Chicken (N1 Chicken) – franquia capixaba de delivery de frango frito –, mãe de Lucas, 19, Leonardo, 10, e Lorenzo, 8 meses.

“Minha rotina é como a de todas as outras mães que trabalham, mas tudo é muito planejado. Trabalho entre seis e oito horas por dia e consigo conciliar essa atividade com naturalidade. Desde que o Lucas nasceu, decidi que aproveitaria ao máximo os nossos momentos juntos, que o importante seria a qualidade, e não a quantidade. Com determinação, amor pelos meus filhos e paixão pelo trabalho, consigo equilibrar o negócio com a maternidade”, garante Luciana.

Alinhar a carreira ao trabalho não é fácil, para Claudia Coelho, 41 anos. As filhas, Raira, 19, e Thaysa, 13, sentem orgulho dela ter se tornado empresária.

Já a empresária Claudia Coelha Fuzer, 41, mãe de Thaysa, 19, e Raíra, 13, defende que acomodar essas funções não é fácil, pois muitas vezes vem a culpa pelo excesso de trabalho fora de casa. Mas graças à profissão é que houve crescimento pessoal.

“Fui mãe solteira aos 22 anos e naquela época morava em Castelo. Cidade pequena. Tinha uma criança para educar e precisava trabalhar. Comecei, então, a dar aula de informática em um colégio de educação básica. Desenvolvi um software de gestão escolar. A empresa de tecnologia chamada Escolaweb. Vejo que valeu a pena todo o esforço. Tenho duas filhas incríveis que entendem a real noção do trabalho e do dinheiro. Sinto que elas têm orgulho de mim, que compreendem que a ausência naquele tempo foi necessária para colher os frutos de hoje”, conta.

Deidre Milli explica que a presença materna contribui muito para a autoconfiança das crianças. “Quanto a abdicar a carreira, isso é uma escolha muito particular. Como a mãe se sente mais feliz, com certeza essa criança ficará mais confortável também. Entretanto, algumas mulheres que abdicam a carreira entram em um processo de ‘luto’ e podem até responsabilizar os filhos por isso mais à frente. Uma mãe feliz tem um filho feliz”, assinala a psicóloga.

Fonte: ONG Save the Children
EDUCAÇÃO DOS FILHOS

Para a maioria das mulheres, é preciso escolher entre a carreira e a maternidade. Mas saiba que isso não é regra! A dificuldade, grande parte das vezes, é decidir entre trabalhar o dia todo e deixar o filho em creche ou escola integral, não sabendo se a criança está aprendendo o conteúdo ensinado, ou então abdicar da profissão, enquanto o marido se encarrega de pagar as contas com seus ganhos.

A administradora Djenani Almeida, 43 anos, deixou o serviço em prol da educação dos filhos, João Gabriel, 12, e Maria Eduarda, 7. “Trabalhava na mesma empresa onde meu esposo está atualmente empregado. Quando descobri a primeira gravidez, optei por cuidar apenas do bebê. Quando eles cresceram um pouco, nos mudamos para Domingos Martins a fim de proporcionar melhor qualidade de vida às crianças. Levo-as à escola, cuido da alimentação delas. Cuido e não me arrependo dessa decisão”, explica.

Na avaliação da pedagoga Keila Zanoli Falcão, especializada em Psicopedagogia, ser mãe e criar filhos em nosso país não tem sido uma tarefa fácil, principalmente quando o assunto é educação. “Além da responsabilidade para com os seus, outros pontos como segurança, educação, saúde e estabilidade no emprego pesam contra o sonho de ter um filho e colocam o Brasil nessa posição. No que tange às licenças parentais, cito o tempo de afastamento da mulher empregada, que por sua vez é insuficiente para quem tem a responsabilidade de cuidar dos filhos e de educá-lo, em uma das fases de mais importância, de maior dependência, o primeiro ano de vida da criança”, pontua.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – nº 9.394/96 – aponta que o Estado é responsável por ofertar o acesso à educação, mas é dentro do seio familiar que se inicia o processo de aprendizagem.

“A família é a primeira escola da vida de uma pessoa. É onde os valores de ética, de moralidade e de convivência são formados. A escola tem uma função social de formar o cidadão. O que muito se percebe é a inversão desses papéis, mas é a escola que ajuda a família com a educação dos filhos. O papel da escola é instrumentalizar o sujeito e gerar competências para a sua vida em sociedade”, frisa Keila.

ONDE ESTÁ O PRESENTE?

Anteriormente, no Dia das Mães, os melhores presentes eram geladeiras de última geração, jogos de panelas em material resistente ou aquela batedeira apresentada várias vezes numa propaganda na TV. Hoje o conselho aos filhos é não comprar utensílio doméstico como mimo.

A chance de desagradar é enorme. Oficializada em 05 de maio de 1932, por meio de um decreto-lei assinado pelo então presidente, Getúlio Vargas, e comemorada sempre no segundo domingo do mês de maio, a data impulsiona o comércio e as vendas. É a segunda que mais movimenta as lojas, superada apenas pelo Natal.

Fonte: Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES)

De acordo com a presidente da Câmara dos Lojistas (CDL) de Vitória, Lourdes Ferolla, as expectativas quanto às compras para o Dia das Mães de 2019 são muito boas. “Acompanhando as mudanças no comportamento, o consumo dos clientes nestes últimos anos e os investimentos em tecnologia, treinamento, qualidade e inovação de produtos, podemos afirmar, com toda a segurança, que vamos ter crescimentos médios na faixa de 13% a 15%”, prevê.

Lourdes destaca que, apesar de o período incentivar o varejo, os consumidores se mantêm mais cautelosos. “Estão mais sobre esta fase diferente por que passamos. Há crédito, produtos e serviços tradicionais e diferenciados, vários canais de compras, muita criatividade nas sugestões e surpresa em muitas empresas. O capixaba presenteará a mãe, sim, entretanto, vai pesquisar e comprar, pois tem opções para todos os bolsos”, conclui.


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