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quinta-feira, 21 janeiro, 2021

Lições e impactos da Pandemia sobre o meio ambiente

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Por Luiz Fernando Schettino

O ano de 2020 será inesquecível. Inacreditavelmente, a possibilidade da pandemia foi anunciada com muita antecedência e desconsiderada pela maioria dos governantes. E isso em um mundo com informações circulando 24 horas por dia. Conhecimento suficiente que poderia ter evitado a tragédia.

Espera-se que a humanidade tire as lições necessárias e considere as ameaças potenciais que estão no horizonte. Que haja cooperação, que se reúnam esforços humanos e financeiros, evitando outra pandemia que nos faça voltar a esta triste encruzilhada.

Certo é que muita coisa ficou mais evidente. Quando tudo parou, veio o entendimento de que há predominância no pensar em interesses financeiros imediatos, em relação às pessoas e aos ecossistemas em médio e longo prazo, o que tem levado a busca por crescimento econômico a qualquer preço, sem preocupação com o futuro.

E isto, em um contexto descomunal de apego ao poder, por meio de métodos cada vez mais sem escrúpulos, com base no negacionismo da ciência e das instituições democráticas, tendo por base a mentira e a difamação, principalmente pelos meios digitais, invadidos pelas fake news.

Nada contra a busca por lucro, sucesso pessoal, crescimento socioeconômico ou legítimo direito de se pleitear os governos de Município, Estado ou País. Desde que haja sempre o devido respeito às pessoas e à natureza. Ou seja, com equilíbrio e entendimento de que o foco principal deve ser a proteção e a qualidade da vida, o que depende fundamentalmente de valores como ética, cooperação, respeito às instituições e às leis; e de pensar mais nas gerações atuais e futuras quando se fizer uso do meio ambiente.

De uma hora para outra, pessoas isoladas, fábricas e lojas fechadas, queda na demanda por serviços; menos veículos trafegando nas ruas; desemprego e indicadores econômicos despencando. Por outro lado, principalmente nos grandes centros urbanos, houve diminuição da emissão de gases de efeito estufa e de efluentes lançados nos cursos d’água.

Assim, uma cadeia de redução de impactos ambientais levando o planeta a respirar mais aliviado e os ecossistemas a iniciarem rapidamente um processo de recuperação.
O que mostrou que há possibilidade de reversão dos efeitos danosos da poluição e do progresso a qualquer custo sobre as pessoas e a natureza, bastando serem mudadas práticas, utilizando-se as melhores tecnologias, tendo um consumo responsável e tomando atitudes devidas.

As atividades socioeconômicas são necessárias e o ganho financeiro não é pecado, mas isso feito com respeito ao ambiente e às pessoas. Felipe Fernández-Armesto, em seu magnífico livro 1492, Companhia das Letras (p. 368, 369 e 380), fala que: “[…] geralmente, um acontecimento aleatório […] é responsável por desencadear uma grande mudança. […] os profetas da cristandade que pressagiaram o fim do mundo em 1492 tinham razão.

O apocalipse foi adiado, mas os acontecimentos daquele ano puseram fim ao mundo com o qual as pessoas estavam familiarizadas e deu uma nova feição ao planeta […]”.
Exatamente com o que a humanidade se defronta. Um novo mundo começa a surgir, mas precisa ser pautado nas lições dadas: da fragilidade humana e dos ecossistemas; de priorizar os valores humanos e dar mais importância à qualidade de vida; da necessidade de respeitar o conhecimento científico e de haver mais investimentos nesta área; e, tendo a sustentabilidade e a inclusão social como pilares centrais.

Luiz Fernando Schettino
é professor titular da Ufes, ex-secretário Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e especialista em Gestão Estratégica do Conhecimento e Inovação

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