Lava Jato leva mais empresários à prisão

Lava Jato: No Rio de Janeiro, os acusados estão envolvidos com a Federação de Transportes; na Colômbia, com esquemas da Odebrecht. 

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira, em Curitiba, a Operação Gotham City. Os alvos foram os empresários Nuno Coelho, o “Batman”, e Guilherme Neves Vialle, conhecido como Robin. Coelho foi preso em Curitiba e Vialle está no exterior, mas pode ser preso a qualquer momento, pois o nome já consta na difusão vermelha da Interpol.

Ambos são sócios das empresas VCG Empreendimentos Imobiliários e Koios Participações. Suspeitos de ocultar o patrimônio do ex-presidente do Detro (Departamento de Transporte Rodoviário) do Rio, Rogério Onofre.

De acordo com as investigações, Onofre e sua mulher, Dayse Neves, compraram 11 imóveis que pertenciam ao grupo dos empresários. No entanto, declararam em cartório apenas 50% do custo real das aquisições.

A Gotham City é um desdobramento da Operação Ponto Final, que aponta o pagamento de cerca de R$ 500 milhões a agentes públicos por empresários de ônibus. O ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) é acusado de ter recebido R$ 144 milhões entre 2010 e 2016. A sua defesa nega.

Lavagem de Dinheiro

Por determinação da Justiça Federal, o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, voltou ontem para o Complexo de Gericinó, em Bangu. Ele havia sido transferido para a carceragem em Curitiba por, supostamente, receber regalias no presídio no Rio.

O Ministério Público Federal (MPF) chegou aos nomes dos dois empresários com a prisão de Dayse Alexandra Neves, mulher do ex-presidente do Detro. Onofre, preso na Operação Ponto Final, é acusado de ter recebido R$ 43 milhões em propina. O esquema foi montado pela Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Rio de Janeiro (Fetranspor) para beneficiar empresas de ônibus. Onofre e Dayse. ambos pesos no início de julho, viraram réus nesta terça-feira (08), na Lava-Jato.

Dayse foi presa após tentativa de movimentar uma conta no exterior após a prisão do marido. Documentos apreendidos com ela indicam a existência de contas no exterior e ocultação de propina por meio da compra de imóveis.

Dayse e Onofre são proprietários de 11 imóveis localizados em dois empreendimentos de Coelho e Neves. Segundo o MPF, o valor que constava nos documentos de compra dos imóveis era 50% menor do que o usto real.

Os mandados de prisão foram assinados pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal do Rio, responsável pelos casos da Lava-Jato no estado. O juiz entendeu que, em liberdade, os acusados teriam facilidade de ocultar dinheiro.

Colômbia

O empresário colombiano Gabriel Dumar Lora, se entregou nessa terça-feira (08) à Justiça de seu país, segundo o Ministério Público de lá.  Lora é advogado e funcionário do consórcio Sion, uma das cinco companhias que teriam servido de intermediária

De acordo com o comunicado, o colombiano se apresentou nas instalações da instituição, em companhia de seu advogado, se submeteu a exames médicos e foi interrogado.

Os valores pagos pela construtora no país chegam a US$ 27,72 milhões, e não a US$ 11,1 milhões, como divulgado inicialmente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, de acordo com o Ministério Público colombiano.

Até o momento, foram detidos pelo caso Odebrecht na Colômbia o ex-vice-ministro de Transporte Gabriel García Morales, o ex-senador Otto Bula, o ex-assessor da Agência Nacional de Infraestrutura Juan Sebastián Correa, além dos representantes legais César Hernández e Gustavo Urrego.

Lava Jato

Deflagrada em março de 2014, a operação da Polícia Federal investiga o maior caso de corrupção do Brasil. Um gigantesco esquema de lavagem e desvio de dinheiro envolvendo a Petrobras, as maiores empreiteiras do país e centenas de políticos de diferentes esferas.

Estima-se que o volume de recursos desviados dos cofres da maior estatal do país, esteja na casa de bilhões de reais. No esquema, que dura pelo menos dez anos, grandes empreiteiras organizadas em cartel pagavam propina para altos executivos da estatal e outros agentes públicos.

O valor da propina variava de 1% a 5% do total de contratos bilionários superfaturados. Esse suborno era distribuído por meio de operadores financeiros do esquema.

A Lava Jato chegou a sua 42ª fase, com a Operação Cobra. O ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, Aldemir Bendine foi preso em Sorocaba (SP). Investigado por supostamente ter recebido R$ 3 milhões em vantagens indevidas da empreiteira.

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